O Mr. Gonçalvez (ou simplesmente Alberto) me pede pra ser menos prolixo e se pergunta se ele não estaria muito preguiçoso para ler minhas impressões israelenses. É muito interessante ter assim um público leitor que reage istantâneamente ao que se escreve. Nestes termos parece que sou algum tipo de escritor, ou escrivinhador (que é como prefiro, pela lembrança do livro hilariante do Vargas Llosa) e que tenho algum público leitor de verdade. Nada disso. Um blog é uma ferramenta de comunicação com funções ainda pouco exploradas por uma grande parte da camada da população. Não é fácil manter um blog. Vejo alguns que estão sempre super em dia, já tentei várias vezes, nunca consegui. Não sou exatamente um blogger. Da minha perspectiva um blog se assemelha a um diário. Alguns que me conhecem sabem que pratico esta atividade há muitos anos, a de escrever impressões cotidianas, já preenchi algumas páginas que provavelmente não possuem muito valor literário, mas com certeza elas nunca tiveram um "público leitor", e um blog proporciona isso. Muito curioso. A Clara reagiu ao comentário do Alberto e me diz pra "escrever mesmo". Cada comentário deste expressa o interesse que cada leitor (autor do comentário) possui sobre minhas impressões. Vou fazer o que posso, não escrevo apenas para o leitor, escrevo também para mim, e ninguém é obrigado a ler, é claro. A minha idéia é que o blog servisse como um instrumento pra contar às pessoas com as quais tenho alguma relação as coisas que vejo por aqui. Como se conversasse com elas. Escrever e-mails a todos sempre dizendo as coisas que vejo aqui por Tel-Aviv, iria ser impossível. Muitos ficariam de fora e eu não conseguiria manter aqueles que se interessam por minhas impressões atualizados, jé que quando escrevo mensagens eletrônicas, admito, sou um tanto prolixo, não me contento com dizer pouco, pois tenho a sensação de estar conversando com a pessoas a quem me dirijo. Quem me conhece e já se correspondeu comigo sabe o que estou falando, dificilmente deixo de responder uma mensagem e em geral deixo de receber respostas. Cada um faz o que pode ou quer ou consegue ou deseja etc.
Não sabia que o Alberto já tinha ouvido falar do "Pascal". Piadista incorrigível, o Alberto saiu com mais essa! Quem não conhece o Alberto "de perto" não sabe desta sua característica. Para quem não sabe, os "paulistinhas" a que ele se refere são a leva de campineiros que foram pra Florianópolis em meados dos anos 90 e renovaram o corpo docente do Curso de Letras da UFSC, principalmente o Departamento de Língua Vernácula. Aqui mais uma vez é uma questão de dores e alegrias, o bem e o mal que os "paulistinhas" fizeram e fazem na Ilha, esta sim é uma questão polêmica que muitos dos leitores aqui do blog prefeririam não tocar.
De minha parte, como "autor" de blog, corro o risco de produzir material irregular, do pessoal ao antropológico amador "de araque" (quem conhece e qual a origem desta expressão?). Talvez eu devesse limitar meu tempo disponível para me dedicar a esta ferramenta. Isto irá se impôr por si. Hoje voltei já a acordar cedo, as 6 da manhã estava desperto, sinto falta do chimarrão. Nada demais, como acreditamos (a Clara e eu) que o que ensina a macrobiótica é a arte da adaptação, isto é, "você é o que você come (máxima hipocrática) conforme possibilita o lugar em que você se encontra", diante disto procuro encontrar aqui o que deveria ser a bebida com que melhor se adapta meu organismo, pois este é outro princípio da macrobiótica, alimentar-se reflexivamente, e não impulsivamente. Aqui em Tel-Aviv já experimentei o café com leite, que é bom. Abre parênteses, imagina o leitor o quanto cada impressão que é colocada por escrito suscita outras milhares de impressões que pela limitação do meio e por um certo "princípio de caridade" com o interlocutor, são deixadas de lado?, claro que imagina, já que penso que escrevo pra quem sabe ler, o que não significa que sei escrever, fecha parênteses. A organização desta mensagem, por exemplo, mostra o quanto sou relapso neste aspecto, e agora sou obrigado a dar razão ao Alberto.
Antes que esta postagem fique sem pé nem cabeça, quero esclarecer o título acima. É na verdade uma referência a um dito do Odair, colega e secretário da Pós lá na UFPR. Paranaense convicto, um dia ele me pergunta se eu estava com saudade do "ar marinho". Assim por escrito, o sentido inexperado não transparece, algo como "armarinho". Imagine o leitor, se a esta altura ainda tenho algum, o que poderia suscitar ouvir uma coisa dessas, se você está com saudade do armarinho! Claro que ele se referia à "brisa do mar", ou algo assim. Mas para um curitibano, cheiro de mar, maresia ou qualquer coisa do tipo é assunto provavelmente de literatura. Respondendo a Clara, minha sensação de estar a vontade em Tel-Aviv deve ser sim uma questão de ar marinho, já suspeitava. O ar com certeza aqui é muito mais parecido com o de Fpolis do que o de Curitiba, que pelo fato de ser Brasil não ajuda muito. Um ano e meio em Curitiba me mostrou a tristeza de viver numa metrópole. Comento mais tarde.
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4 comentários:
Ola amigo,
Que surpresa, surpresa mesmo. Fiquei muito feliz em ler o que voce escreveu (tao bem escrito como sempre). A Clara esta certa nao deixe de escrever nao, nem se da limites.
Paul
Oi, Rodrigo! A piada, pelo visto controversa mesmo, permeou o meu comentário inteiro. Primeiro eu digo que estás prolixo, que deverias fazer uma versão resumida do blog para leitores preguiçosos como eu. Depois me contradigo e peço que, ao fales sobre o "Pascal", uses a versão estendida. Aí no fim eu mesmo me desculpo pela minha própria prolixidade no comentário, o que do jeito que tá escrito ficou ambíguo: é também uma desculpa por te chamares de prolixo. Numa situação como essa a gente não consegue se segurar mesmo - e nem precisa!
Eu di novo! O post excluído era meu: se soubesse que a exclusão deixava vestígio, não teria excluído. Vivendo e aprendendo a bloggar... Qto ao fato de saber a respeito do Prof. Dascal (nossa!li e reli o tal post várias vezes e não me dei conta do ato falho!), 10 em cada 9 "paulistinhas" citavam a obra em 4 vols. que ele organizou no início dos anos 80. E me lembro há quase 10 anos da "Ruthinha" comentar que ele morava em Israel... Time flies!
Evoé! jovens à vista - e ao antropológico amador "de araque"!...
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