Tel-Aviv é o nome do distrito que comporta vários municípios (10 ao todo). A grande Tel-Aviv é formada por cidades como: Bat Yam, Bnei Brak, Giv'Atayim, Herzliya, Holon, Ramat-Gan e Hamat HaSharon. Cada uma destas possui características pariculares, algumas são o local de residência de pessoas que pertencem a certas correntes do judaismo; Holon, por exemplo, é de maioria de samaritanos enquanto Bat Yam é lugar de maioria de imigrantes russos. Segundo a israelense-polonesa que disse que os italianos eram preguiçosos, Israel recebeu em um curto período de tempo, aproximadamente 1 milhão de imigrantes russos.
O município de Tel-Aviv se chama de fato Tel Aviv-Yafo. O nome se refere às origens da cidade, que foi se formando a partir de Yafo que é originalmente uma cidade árabe. Hoje Yafo é como que um bairro de Tel-Aviv. Diz a informação no guia que Yafo (Jaffa em árabe) é uma das cidades mais antigas do planeta habitada continuamente. Não sei bem qual é o tempo que cobre este período, mas tenho a impressão que deve ser algo como 6 mil anos.
Amanhã vou a Jerusalém, sairemos da casa do Dascal, que mora em Yafo, e por isso devo pegar o ônibus 25 e ir um montão mais adiante pra chegar até Yafo, uns 40 minutos, aprox. Não tenho saído muito em passeios. Ainda não fui nem na praia que fica relativamente perto de casa. Tenho encontrado poucas pessoas também. Tenho me concentrado no meu trabalho, estou aproveitando que estou conseguindo trabalhar bem, se tivesse muitos passeios ficaria difícil de concentrar, pois disperso com facilidade. No trabalho estou começando do começo. Por sugestão do Dascal estou lendo a Tópica do Aristóteles. Este pequeno tratado é a base de toda teoria dialética e também sobre a qual se construiu grande parte da retórica, que formam juntas a base de teorias modernas da argumentação e do diálogo e também servem de fundamento para a pragmática. Estas disciplinas são o núcleo que constituem a ferramente de análise para a teoria das controvérsias. Especificamente estou me concentrando no momento no estudo dos raciocínios abdutivos, assim como dos silogismos hipotéticos, que servem de recursos para realização de induções e inferências. Tenho tabalhado na construção da hipótese que os silogismos hipotéticos se combinam com os raciocínios abdutivos e que estes são a base do modo de argumentação utilizado por Chomsky, especialmente nos argumentos que utiliza na construção da história da linguistica gerativa e por extensão das ciências cognitivas. Vamos ver se chego a algum lugar, diz o Dascal que estou no caminho certo e ele sabe perceber essas coisas muito antes de que eu tenha sequer alguma certeza sobre o mínimo do que estou falando.
Bom, a Clara sugeriu que eu escrevesse algo sobre a minha alimentação aqui. Em breve devo fazer isso, talvez na próxima postagem. Como já mencionei no início deste blog, eu e a Clara temos um método de alimentação que possui fundamento teórico. Pra quem ainda não sabe ele se chama Macrobiótica e pressupõe antes de tudo a prática relfexiva da alimentação. A cada nova situação de alimentação é preciso encontrar uma forma de alimentar-se que propicie a aproximação a determinados princípios, como o equilíbrio (que é na verdade uma categoria ideal). Mas equilíbrio do que? A macrobiótica tem uma história curiosa. Ela surge com este nome na prática médica de um alemão chamado Hufeland, no século XVIII. Consiste nada mais do que na prática antiga na medicina (desde Hipócrates) de usar a alimentação como modo de curar a si mesmo de moléstias, ou doenças. Isto é, com uma determinada forma de alimentação fica-se livre de precisar usar remédios e recorrer à médicos para qualquer coisa. Como a alimentação é uma prática central na vida humana (social e animal), esta prática (macrobiótica) transforma-se num modo de conduzir a vida. Há várias correntes dentro da macrobótica, cada uma com suas teorias próprias e seus mestres, desde correntes que se associam ao misticismo e seguem a prática como se fosse uma seita até correntes mais esclarecidas que pensam na conjunção da alimentação saudável em relação à vida moderna. As correntes mais místicas, agregam um sem fim de doutrinas orientais na sua prática e entendem que a macrobiótica é uma prática de origem oriental. A explicação é simples. Depois da segunda guerra, com o Japão destruído, alguns indivíduos que se envolveram em um movimento de criação de uma "governo mundial" (desconheço os detalhes deste movimento), iniciaram a reconstrução de práticas tradicionais japoneses que haviam sido relegadas com o passar do tempo, durante o projeto de transformação do Japão numa nação industrial. A prática da alimentação foi uma delas. Um certo indivíduo, chamado George Osahwa, lidera um movimento que procura fundamentar práticas tradicionais da filosofia oriental com a arte da alimentação. Isto era uma tradição antiga no Japão, como já disse. Na busca de constituir este movimento, ele vai para a Europa e lá conhece as idéias deste médico alemão que mencionei e batiza suas idéias com o nome de macrobiótica. Depois da Europa, vai para os EUA e de lá o movimento se espalha pelo mundo. Ele teve vários discípulos, entre eles Tomio Kikuchi, que foi para o Brasil nos anos 50 e é o introdutor da macrobiótica no Brasil.
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Um comentário:
Oi Rodrigo, só para dizer que seu texto sempre evoca infinitas memórias israelenses, como tb outras, que não caberiam aqui! Segue abaixo um link que recebi recentemente de uma amiga, para quem tb quiser ver Jerusalem:
www.cityofdavid.org.il
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