sábado, 10 de novembro de 2007

Variedades

Hoje fiquei em casa. Pensando nas minhas coisas por fazer e tentando iniciar e retomar algumas que já vinha fazendo antes de chegar aqui. Basicamente tirei o dia pra descançar (afinal, hoje é o shabat) e estudar um pouquinho de hebraico. O dia estava ensolarado como tem estado desde que cheguei aqui, com uma leve queda na temperatura, já estamos no meio do outono e o inverno começa a querer dizer que ele vai chegar. Tenho a impressão que o inverno aqui não é muito rigoroso, pelo o que pesquisei na internet a média fica entre algo como 15 e 18 graus centígrados, bem parecido com o Brasil. Neste mesmo período, entre novembro e abril é o período das chuvas, quando chove com mais freqüência e acredito que alguns dias devem ser bem cinzas.

Também pensei um pouco a respeito deste blog e a resposta estimulante que tenho recebido de meus amigos não só pelos comentários mas também daqueles que marcam presença via e-mail. Entre os vários assuntos que poderia abordar, há o polêmico tema sobre o conflito israelense-palestino. As vezes eu fico pensando o porque, por quais motivos este conflito é de alguma forma relevante para o mundo como um todo. Há várias resposta possíveis, algumas bastante evidentes, como por exemplo o fato de passar por aqui e por este conflito estar no meio do caminho de uma certa orientação política de poder e colonialismo contemporâneo. Acredito que a guerra no Iraque (ou a invasão americana no Iraque, como ficaria melhor dizer) é um sinal evidente desta orientação. Quanto a outras questões poderiamos talvez enumerar: a origem moderna do conflito pós-segunda guerra; a dimensão histórica envolvida na questão, isto é, todos os temas relacionados a uma certa "questão judaica" acrescida do "problema palestino". Os palestinos têm um problema real para resolver que é o estatuto e constituição de seu estado nação e os israelenses são parte desta questão que também diz respeito a eles, já que a Palestina é uma nação dentro de outra. Se isso não bastasse, as outras milhares de componentes que vêm se juntar como, por exemplo a questão religiosa, a questão da segurança, pois sendo israel um estado pequeno e de certa forma aliado àquele poder colonial a que me referia o coloca na situação de inimigo local das nações com orientação religiosa e cultura opostas que constituem mais ou menos um bloco, os chamados países árabes. Mas já ouvi dizer que este bloco não é tão homogêneo como pode parecer, tenho a impressão que no momento os maiores problemas são o Líbano, devido sua falta de coesão enquanto nação que é atrapalhado pela Síria que possui o interesse constante em dominá-lo, o Irã que quer despontar como nação nuclear como alternativa energética e estratégica e que de certo modo recoloca os antagonismos da guerra fria entre os dois blocos, já que a Rússia tem interesses comerciais com ele. No restante dos países árabes eu não sei mas acredito que o momento é de relativa tranquilidade e de interesse mútuo, isso precisaria ser confirmado já que estas minhas impressões são apenas isto, impressões e não surgiram do estudo mas da percepção do que escuto ao meu redor. Política e relações internacionais não é algo a que me dedique além do necessário para sobreviver, pois não leio jornais, revistas e não costumo assistir tv.

Entrei neste assunto porque alguns leitores aqui do blog manifestaram sua curiosidade ou interesse pela tema, principalmente o Paul-Marc e também o Márcio Dornelles, como pode ser visto na sessão de comentários. Vou mencionar alguns outros leitores que se manifestaram, Jorge Quadros, lá de Curitiba, colega das aulas de hebraico e a Rosa, também colega da turma. Aos outros que já mencionei aqui e que continuam a mandar comentários, repito, sou bastante agradecido pelo apoio que estão dando, sem leitores acredito que este blog já teria parado. O Rogério Lenzi, que já expliquei em é, me mandou um comentário em que agraciou este blog com um poema de bom dia. O Márcio Dornelles disse que a Mari, sua esposa, acha que estas notas poderiam vir a se transformar em um volume para publicação. Acho a idéia muito legal, e seria preciso um bom trabalho de edição pra tornar a forma e conteúdo relevante para um público mais amplo. A Virgínia lembrou do livro de viagens do Zeca Camargo, ela falou em ton de brincadeira, mas não dúvido que eu padeça de algum mal que possa ser comum a um talvez estilo contemporâneo de escrever impressões de viagem, condicionado até mesmo pela própria ferramenta que é o blog. Antes de vir para cá, várias vezes procurei um guia ou algum relato de viagem de alguém que tivesse vindo para Israel, e fora aqueles guias maçantes que não fornecem muita informação aproveitável, não encontrei nada que dissesse respeito a Israel ou Tel-Aviv. Façam vocês mesmos o teste, vão até uma livraria e procurem, vocês vão achar guias sobre todos os cantos do mundo mas daqui de Israel são raros. Então, por que não um relato de viagem de um brasileiro em Tel-Aviv, ou Israel? Títulos como "Um brasileiro na China" e "Um brasileiro em Viena" já existem.

Nenhum comentário: