Os biólogos lá de Belém se manifestaram. A Sarita de Faveri (minha Irmã, bióloga entomologista do Museu Goeldi, que estuda conservação com foco na relação inseto planta [e aí irmã, disse certo?]), o Selvino Neckel (Marido dela, biólogo ecólogo [é isso?], Professor da Universidade Federal do Pará, que estuda anfíbios e tem uma descoberta muito importante na área), os dois são pais do Miguel meu primeiro e único sobrinho que vocês podem conferir a figura aqui http://miguel-minhavidaumafesta.blogspot.com/ .
Bom, acabei saindo de casa e dei uma volta pelas redondezas pra ver se achava um telefone público, já que o telefone aqui de casa não está incluído no aluguel. E surpresa, telefone público em Tel-Aviv é coisa que praticamente não existe. Me aproximei de um quiosque bem em frente de casa e tive meu primeiro contato com um israelense monolíngue (que pelo menos não falava inglês) e que não queria falar de algum jeito. Era uma mulher, ela levantou o dedo e fez que não. Me desculpei e saí. Olhei em volta, nada de telefone público. Resolvi caminhar e de repente percebi que estava sem o passaporte, que sempre levo comigo, e resolvi voltar, já que hoje o dia não estava com a maré pra peixe. Voltei pra casa e sai novamente. Fui ao shopping que tem aqui perto pra conferir o negócio do telefone público. Na entrada lá estava a mulher com o detetor de metais. Eu já fui abrindo a pochete e mostrando relógio e chaves, ela olhou pra mim e perguntou se eu estava armado, em hebraico. Pedi pra ela falar em inglês e ela disse, "any weapon?". Eu disse que não. Ela falou pra eu guardar as minhas coisas. Entrei. Um homem que vinha atrás de mim fez uma piada dizendo algo como "quem sabe você tem uma bomba" e começou a rir. Eu ri também, mas nessa hora já não estava mais tranqüilo, o dia estava mesmo virado. Andei pelo shopping, e telefone público achei apenas dois muito escondidos sem nenhum sinal que indicasse onde eu poderia conseguir um cartão telefônico, desisti.
Hoje voltei ao ULPAN, remarquei o exame de nivelamento pra quarta pela manhã. Amanhã finalmente vou encotrar o Dascal no departamento. Fiz o mesmo trajeto de ontem de ônibus (o nº 25) até o centro da cidade. Caminhei por toda rua Arlozorov (ou Arlozoroff) até a Ben Yehuda, depois na Lassale, onde fica o Ulpan. No quarto dia de minha estada aqui, tudo começa a mudar um pouco, vejo mais coisas, que antes não via, percebo um pouco melhor as pessoas. Estou ficando um pouco cansado com o negócio da língua (não saber hebraico), comecei a tentar ler os letreiros das lojas, e começa a valer o aprendizado que a Profa. Sônia se esforçou pra nos fazer absorver, na nossa turma de hebraico que começou com 22 alunos e no segundo semestre tinha 8, e no terceiro, agora, restaram apenas 4.
Quando estava indo pegar o ônibus 25 para ir até o Ulpan encontrei minha colega aqui de moradia, uma garota alemã oriental que faz doutorado em química. Infelizmente ela não é muito comunicativa, e chega mesmo a causar a sensação que estou fazendo alguma coisa errada quando me dirijo a ela. Será que é porque ela é alemã? Desculpem-me os germânicos e os germanistas que possam estar lendo esta postagem. Mas é interessante conhecer os alemães, a cada um que encontro vão se confirmando certas idéias que são pré-concebidas. Já conheci alemães muito legais, deixem-me reparar. De certa forma tenho pena da minha colega aqui, mas não muita. Ela é meio negativa e veio para Tel-Aviv com uma bolsa do governo israelense, me disse que queria mais vir pra Israel do que vir fazer doutorado em Israel. Entandam se puderem. Aqui ela envolveu-se com um grupo de judeus messiânicos, que acreditam em Cristo. Outro dia estava conversando com ela (a conversa funciona assim: eu pergunto ela responde, depois disso não tem mais conversa) e pedi pra me contar como era esse envolvimento, se ela havia se convertido, etc. Disse que não. Fiz algumas perguntas, já que ela parecia convicta principalmente sobre o item que trata da divindade de Cristo. Perguntei se ela acreditava na concepção divina dele, e ela me disse que sim, claro. Fui um pouco mais adiante e perguntei como podia ser isso já que nunca um outro caso desses havia ocorrido, e ela me disse que era óbvio pois Deus tinha uma único filho que era ele, o Cristo. Depois disso a conversa prosseguiu mais um pouco, mais por minha insistência, ela já não prestava atenção.
Voltando do Ulpan, tomei outro suco de romã no mesmo lugar e descobri que o senhor (doron em hebraico) do braço tatuado é russo, ouvi ele conversando com um outro nessa língua (se é que posso confiar na sensibilidade de identificação lingüística dos meus ouvidos). Também vi mais um catador de lixo e um homeless completo. Já ía esquecendo, entre o shopping e o Ulpan passei na universidade pra dar uma conferida lá no departamento, na saída um cara me pergunta em hebraico onde fica a Dionon, que é a livraria e papelaria que tem no campus. Perguntei se ele falava inglês e disse que era do lado de fora, depois da saída na nossa frente. Fomos conversando e ele, que percebeu que eu era estrangeiro, perguntou se eu era do leste europeu (vejam só), disse que era do Brasil e ele me disse que havia muitos imigrantes japoneses aí, não era mesmo? Eu disse que sim, principalmente em Curitiba. Perguntei de onde ele vinha e me disse que acabava de chegar de 4 anos no Japão, era das relações internacionais de Israel, perguntei o nome dele mas ainda não posso arriscar reproduzir aqui os nomes que pergunto, inclusive o do rapaz russo de ontem, são todos muito diferentes.
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3 comentários:
Rodrigo..não vai deixar a menina alemã irritada com tantas perguntas, que ela não é tua irmã hahahaha, desculpa,mas não podia perder a piada, quem te conhece bem me entende!
Falouuuuuu
Estou acompanhando com muito interresse as tuas andanças por Tel Aviv, ainda mais que nao conheço. Inclusive sao todos aqueles detalhes que parecem nao muitos iinteressantes mas que na verdade sao importantes, porque mostra a realidade das coisas, para nos longe dai. Achei muito engrassado sua historia da alema porque como sempre digo e é uma realidade, o povo do velho continente na tem a comunicacao facil. Voce tem razao no fato que o movimento de pessoas so pode trazer beneficios, quando se conhece o outro a menos racismo.
Amigo, fiquei impressionada por não ter telefone público de forma acessível. Mas além do shopping tem outro local com telefone público e cartão telefônico, já descobrisse onde comprar? E Lan House tem alguma coisa próxima? Tem alguma restrição de horário para estrangeiros se recolherem à noite e por último, quando em visita, no caso de eu ser estrangeira preciso ir com passagem de volta comprada. Agradeço se puder me ajudar nestas respostas. Me auxiliaram bastante. Aparecida
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