sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O campus da Universidade de Tel-Aviv (TAU)

Bom, como tinha dito fui fazer uma visita ao campus. Já estava tudo fechado, por que hoje é sexta feira, e comercio por aqui geralmente fecha a 1 da tarde nas sextas. Ao entardecer começa o shabat e vai até o sábado a tarde. Sexta e sábado aqui é como se fosse nossos sábado e domingo aí no Brasil. Aqui a semana começa no domingo, comércio, aulas e etc. no domingo. É o primeiro dia da semana de trabalho.

Bom, o campus é bem bacana mesmo, confirmou-se a impressão. Pareceu bem mais imponente do que já tinha visto pela internet, no youtube por exemplo. Já tinha uma idéia que o campus era grande, e é mesmo. As construções são bastante grandes, muito arborizado. Uma curiosidade é que se vê muitos gatos pela rua, inclusive no campus. Diferente do Brasil, em que se vê muito mais cachorros. Talvez tenha a mesma quantidade, mas como não se vê cachorro solto por aqui, os gatos ficam mais a vontade. Em Curitiba também não se vê cachorro pela cidade, pelo menos no centro e bairros vizinhos, deve ter uma carrocinha atuante, imagino, mas também nao se vê gatos. Em Curitiba se vê muita gente vivendo na rua, muita mesmo o que dá uma sensação desagradável sobre a condição humana, não apenas daqueles que não tem um teto, mas a nossa também, que temos um pra nos enfiar embaixo sem a preocupação de que venham nos enxotar com armas em punho, pelo menos se pagamos o aluguel ou a prestação da casa. Mas estou falando de Curitiba e o objetivo aqui é falar da experiência em Tel-Aviv. Foi apenas uma comparação.

Por enquanto meu conhecimento de Tel-Aviv se resume ao bairro de Ramat-Aviv que como disse é onde fica o meu endereço aqui. Ramat-Aviv é um bairro dos mais caros na cidade, e hoje soube que a parte em que moro é a mais antiga, tem uma parte nova, passei por lá hoje indo para o campus. O estilo lá se mantém, mas tam mais um ar de classe econômica mais abastada.

Uma curiosidade foi ver umas oliveiras carregadas de azeitona, num lugar que parecia uma pracinha. Aqui tem muitas oliveiras em qualquer jardim, é arvore comum. Achei muito curioso, estava carregada de azeitonas, peguei uma e experimentei. Confirmou-se o que já tinha lido a respeito, que a azeitona antes de ser processada é muito amarga. Fiquei impressionado com os "pés de azeitona".

Como disse, o campus estava fechado. Numa das entradas um grupo de pessoas pedia para as pessoas que passavam para não frequentarem uma certa cafeteria, na porta do campus, estavam em greve por melhores condições de trabalho.

Paro por aqui. Retornarei a estas impressões sobre o campus posteriormente. No próximo domingo irei até lá. Vou até o Office of Interacademic Affairs tratar de umas questões burocráticas e depois vou me apresentar no departamento de filosofia, em que vou trabalhar. Devo ir também ao setor de ensino de línguas, vou me inscrever num curso de hebraico que aqui se chama ULPAN. O professor Dascal está na Espanha e volta domingo, na segunda provavelmente me encontro com ele. Minha relação com ele é um outro tópico que merece ser descrito. Volto ao tema mais tarde. Um ano de correspondência via e-mail contribuiu para uma impressão curiosa, fui envolvido por ele de uma maneira que nunca tinha experimentado até então. De repente o assunto da Teoria das Controvérsias, virou o "nosso tema", segundo ele. Há um grupo de pessoas que trabalham com ele, e fui aceito no grupo por ser orientando do Borges Neto da UFPR, onde faço doutorado.

Na próxima postagem tentarei retomar algumas impressões que ficaram de ontem pra hoje: os soldados na estação de trem armados de metralhadoras, todos muito jovens, e por todos os lados, homens e mulheres. Esbarra-se nas metralhadoras ao passar por eles. São como estudantes, comendo o lanche com coca-cola em pé no trem e a metralhadora pendurada do lado. Isto tem a ver com aquela história que mencionei sobre a confiança. Como a Clara chamou a atenção, a confiança decorre de um sentimento de segurança. Confiam uns nos outros, não têm medo. Todos dizem que a cidade é segura, eu saio na rua e me sinto seguro. Mas aqui é Tel-Aviv e existem vários Israéis como existem vários Brasis. Tenho ressaltado isto em minhas conversas com as pessoas aqui, os vários brasis e os modos de percebê-los.

2 comentários:

Professora Clara Dornelles disse...

Sim... Fale mais dos soldados, pois pra nós aqui (pra mim) o efeito não é rotineiro, quero dizer, não consigo compreender isso como uma rotina comum. Será que fui clara? (rsrs)

Professora Clara Dornelles disse...

Comentário de Izolina: Foi legal o comentário sobre as oliveiras. Existe por aí o Jardim das Oliveiras, onde Jesus chorou. É meu sonho (da Izolina) conhecer esse Jardim. Quem sabe um dia...
Beijos e boa sorte!
Izolina