Ontem resolvi sair um pouco da minha bolha universitaria por aqui e ir dar uma olhada no centro da cidade. Já vai fazer um mês que estou aqui e ja estava me sentindo como formiga, todo dia o mesmo caminho. Aqui não conheci muita gente ainda, não fiz amigos ainda, é pouco tempo eu sei, mas senti que se eu ficasse só nos livros, poderia passar um ano e eu não veria nada. O input é muito grande e a possibilidade de pesquisa também, existe muito material disponivel e o desenvolvimento da pesquisa anda rápido, apesar de que eu nao conseguiria dar conta de tudo em uma vida inteira. Para terem uma idéia, numa área como filosofia da ciência por exemplo, bastante modesta, encontro aqui na biblioteca umas dez estantes recheadas de livros, sem falar nas revistas (journals). E ainda por cima, conectado aqui na rede da universidade tenho acesso as bases de dados mais importantes, direto, basta entrar o site da editora e pronto, esta tudo na mão. Então a pesquisa deve se orientar por outros criterios, é preciso saber escolher, selecionar, ser seletivo, e não é preciso fazer milagre com o que cair nas mãos e ainda por cima agradecer que achei algum material. Tem coisa demais, e é engraçado como isso tambem direciona a pesquisa para uma certa originalidade, até mesmo por necessidade, ninguém consegue resenhar tudo que esta disponivel, é preciso passar por cima de muita coisa.
Como disse, ontem fui no centro, vi um pouco da Tel-Aviv turística, fui finalmente na beira mar. Tinha até uns turistas na praia. Fui no mercado publico também. É um piada, não existe um mercado, uma construção, um prédio, é tudo embaixo de tendas nas ruas entre as casas (sobrados) e ali se vende de tudo, de verduras a roupas, de cigarros a carnes, doces, pães, tudo no maior movimento de pessoas, e não pe coisa pra bonito, porque o bonito ali tem que se ter olhos pra poder ver. Tive a sensação de estar num daqueles mercados arabes de filme, é identico. Gente gritando, agua escorrendo pelo chão, um beco com carnes e peixes que dá até medo de entrar. Eu gostei, achei muito legal, nesta rua que chama Ha-Karmel, e outras adjacentes, está o coração de Tel-Aviv, coração vivo, com sangue, por que a cidade também tem outros corações. Andei muito, pelo centro todo. A noite fui para o Ulpan, mais uma aula de integração, como diz a professora. O grupo esta ficando cada vez melhor. Da Colômbia ao Nepal, da China ao Brasil, Grécia e Turquia, tem de tudo. Até agora não apareceu nenhum africano, mas ontem pareceu um australiano. A discussão ontem era se Israel era parte da Asia ou da Africa!, é dificil mesmo de definir. Ou será que é Europa? Oriente Médio, dizem.
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Um comentário:
Me parece fascinante o teu relato da biblioteca, R.! Imagine está cercado de livros por todos os lados! Bem pra frentex esse Israel!
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