segunda-feira, 12 de novembro de 2007

No hemisfério norte

Hoje antes de sair de casa lavei algumas roupas, depois fui pra universidade. Começou mais um dia das minhas aventuras lingüísticas. Quanto mais contato faço com as pessoas que realizam serviços, como atendentes, seguranças, caixas, serventes, etc., mais encontro gente que não fala inglês. Aqui em Tel-Avi fala-se principalmente cinco línguas, eu suponho, pois como digo isso a partir de uma percepção individual, não posso garantir com números estas afirmações. O estado de Israel possui duas línguas oficiais, o hebraico e o árabe. A maioria das informações públicas aparece nestas duas línguas: placas com nomes de rua, itinerários em pontos de ônibus, informações gerais em órgãos públicos, etc. Entre as pessoas, como forma de comunicação diária, percebo mais outras três: o inglês que é a que mais uso, o russo que é a que mais escuto depois do hebraico (além do inglês) e o espanhol, pois já encontrei várias pessoas que falam. Hoje entrando no campus ouvi algo familiar e quando olhei pro lado dois rapazes falavam português do Brasil. Pensei em falar com eles, mas me desviei do impulso, achei que ainda era muito cedo, ainda não estou com vontade.

Perto do shopping, escutei uma música que parecia ao vivo e vinha da direção para onde eu estava indo. Duas senhoras faziam um dueto de violino e acordeão, executando movimentos de clássicos populares: Beethoven, Mozart, Strauss, Tchaikovski. A música era boa. Fui entrar no shopping a procura de clips e lá estava a segurança na porta, a mesma que outro dia me perguntou se eu estava armado. Pediu pra eu abrir a mochila, abri, (percebi que hoje ela estava mais calma), pediu para eu tirar a mochila da frente do corpo, tirei, ela passou o detetor de metais, acusou alguma coisa, me perguntou o que eu tinha no bolso, mostrei meu relógio, aí ela gentilmente me disse que iria me fazer uma pergunta: você tem alguma arma?, disse não, ela sorriu, ok, tenha um bom dia, obrigado, etc. Na saída, disse bye bye lehitraot, e ela sorrindo, bye bye tenha uma bom dia. Fiquei admirado. Fui pra universidade.

Na sinaleira em frente da entrada do campus, na faixa de pedestres (detalhe importante, aqui em Ramat-Aviv os carros param nas faixas de pedestre se você demonstra a minima intenção que vai atravessar, parece mais com Fpolis, muito longe do costume em Curitiba, que os automoveis, pra não dizer os motoristas, além de atravessarem sinal vermelho como prática corriqueira, se vc estiver em cima da faixa quando o sinal abrir eles arrancam o carro em cima do pedestre, 99,9% dos motoristas, na minha experiência cotidiana agem assim) eu atravessei um sinal vermelho. Explico: como pedestre não sou normativo, se o sinal esta fechado e não tem carros eu atravesso. O engraçado é que tenho percebido que aqui as pessoas ficam paradas na sinaleira nestas situações. Estou contando isso pra tentar explicar o que vou contar a seguir. Atravessei e no meio da avenida, pois tem dois sinais, o espaço estava cheio, não pedi licença, como deveria ter feito, e me amontoei junto com todos esperando abrir. Abriu, sai na frente e fui pro lado da papelaria, quando subo o primeiro degrau percebo uma guarda, policial ou sei lá, parecia guarda municipal, vem em minha direção. Fala comigo em hebraico, peço pelo inglês, ela repete, "Papers please, ID or passaport", disse ok e dei o passaporte a ela, perguntou se eu era estudante e pediu identificação, dei, olhou, conferiu, agradeceu. Não estranhei muito porque já havia visto ali mesmo na entrada do campus, o lugar é uma espécie de praça, outros guardas pedindo documentos de outras pessoas.

Fui pegar um café naquele lugar que tinha aprendido umas palavras e esquecido tudo. Pedi o raguil, café médio pequeno. Como são as coisas, ontem eu não lembrava, hoje está fixado na minha memória. É por isso que não me preocupo muito em fixar vocabulário, ou expressões, parece que elas se fixam conforme uma vontade própria. Se eu fizer força, esqueço.

A faxineira do prédio em que trabalho entrou na sala e fui pedir a ela pra passar um pano e tirar o pó e ela só falava russo. A mulher do supermercado em que fui comprar um pedaço de queijo de cabra, idem. O segurança na porta também não, e ele mesmo já me conhecendo mais ou menos, disse pramim em henbraico, "você não tem nenhuma arma não, né?"

Aqui no hemisfério norte lá pelas quatro e meia da tarde já começa a escurecer, mais ou menos cinco e quinze já é noite.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá Rodrigo,
Fiquei sabendo pela Clara, na semana passada, que estavas em Israel. Fiquei feliz com a notícia, pois sabia o quando estavas querendo viver essa experiência. Hoje, resolvi dar uma olhada no teu blog e me envolvi com os teus textos. Não sei se estás pensando nisso agora, mas acho que deverias guardar cada um desses textos e transformá-los em um livro. A tua escrita envolve o leitor e nos faz querer saber mais e mais do teu dia a dia aí. Vou virar leitora assídua, ok.
Bjs e boa sorte.
Chirley

Anônimo disse...

Oi Rodrigo, andas tomando bastante café e indo muito ao shopping né? não esquenta como diz o Selvino é só um chiste. eu também fazia muito isto quando estava no México. Primeiro porque (embora o café de lá não fosse bom), o ambiente era sempre muito agradável, e o segundo, o shopping, porque lá sempre se tem de tudo, e fácil. Esqueci de te comentar que lá no México tem algo parecido com isto que chamam aí, ou aqui de Café turco. lá eles chamam café de panela (ou olla). Eu não gostei muito não, muito forte e parecia água suja! De novo, meus comentários "e-mails".
bjs
Sarita