terça-feira, 6 de novembro de 2007

O encontro com Marcelo

Hoje finalmente encontrei o Prof. Marcelo Dascal. Não sei exatamente como ou o que dizer para descrevê-lo, acho que é desnecessário. Encontrei com ele no departamento de filosofia, depois que fui dar um pulo na biblioteca central pra conferir o funcionamento e descobri que aquela mulher que falava pouco inglês tinha feito algo com o meu registro que não era extamente o que eu precisava. Isto é, eu não poderia fazer muito com a senha e login que ela me deu. Hoje uma outra mulher, concertou em quinze minutos tudo o que aquela outra tinha levado quase uma hora pra fazer. Estou agora habilitado para acessar todo banco de dados da biblioteca e o sistema interno de computação, assim como emprestar livros também. Fui então ao departamento, chegou o Dascal e começamos a coonversar, enquanto ele abria correspondência e eu tomava mais um café turco. Me senti completamente a vontade diante dele, talvez até demais. Ele me falou um pouco da história acadêmica dele no Brasil, dos seus anos na Unicamp e digo a vocês que mito do que ele disse espero poder retomar em uma entrevista com ele que está agendada para ser publicada na Revista 18 (edição de fevereiro 2008) do Centro de Cultura Judaica de São Paulo. A revista pode ser acessada on line aqui

http://www.culturajudaica.org.br/01b/secao.asp?secao=/revista18/

É uma publicação trimestral e o último número traz uma entrevista com o escritor israelense Amós Oz, que tem vários de seus livros traduzidos aí no Brasil. Ja mencionei aqui o seu "Contra o fanatismo", recomendo também "Conhecer uma mulher" e "De amor e de trevas", que já li. O último estava lendo antes de vir pra cá e é uma autobiografia de 600 páginas em que se pode aprender muito sobre o pensamento israelense do autor, sobre a cultura israelense e sobre sua história pessoal que é muito curiosa. Aliás, o Oz dá aulas em Be'er Sheva, uma cidade ao sul do país em pleno deserto do Negev. Queria dizer aqui que a entrevista com o Dascal que vai sair na Revista 18 foi negociada com o editor, Luis Krauz, com quem entrei em contato através da Carla Reichman. Espero, como dizia, poder publicar essa entrevista em que também pedirei ao Dascal para que fale de sua Teoria das Controvérsias, que seu tema principal no momento.

Bo, agora tenho um escritório. Com mesa, cadeira, telefone, e algumas centenas de livros e journals a minha disposição. O escritório possui duas salas, em uma fica o Dascal e na outra, na entrada, duas mesas, uma que vai ser minha por um ano e a outra de um antropólogo italiano que está em Israel fazendo pós-doutorado com o Dascal. Ainda não o encontrei, está na Itália.

Registro aqui a notícia que recebi através da Clara sobre o Juliano, irmão da Mari, esposa do Márcio Dornelles, todos lá de Porto Alegre. O Juliano é uma rapaz que conheço há alguns poucos anos, um garoto muito esperto e ligado em muitas coisas. Aguardo comentários dele diretamente aqui neste blog, assim como também do Márcio e da Mari (pais da pequenina Cecília, minha outra sobrinha). Recebo notícias também da Nadja, de Fpolis, colega dos tempos da graduação na UFSC, casada com o Emerson (Eme para os chegados), historiador e professor na UDESC em Fpolis, os dois são pais do Pedro, um garoto muito bacana mesmo, vimos esse garoto nascer, como passa o tempo! O negócio do passaporte, já havia pensado nessa questão, de copiá-lo e deixá-lo em casa, não sei. O único perigo seria perdê-lo, o que pode acontecer, mas talvez não seja tão perigoso, funciona como uma carteira de identidade. Vou pensar um pouco mais no assunto.

Hoje conheci um cara, chamado Kobi (Jakob), mestrando orientando do Dascal, um cara muito falador, passei a tarde conversando com ele, esse não economiza palavras (germanicamente falando!). Falar demais pode ser um vício e por aí chegar a ser um defeito, mas existem vários estilos, vários modos de conversa. Quem me conhece sabe que gosto de conversar, tenho casos memoráveis pra relatar (como uma discussão que mantive madrugada adentro com meu Primo Lalai, o qual já mencionei aqui, que durou até umas 5:30 da manhã). É sério, hoje passamos Kobi eu pelo menos umas 4 horas falando, praticamente sem silêncios. Estou convicto que isso realmente não é para todos, tem que ter fôlego, e eu tenho. E debatiamos pontos de vista e perspectivas que cada um de nós mantinha, com apartes, parênteses e etc. Uma coisa que gostei nele é o recurso da explicitação de certos movimentos, o que transforma a conversa numa coisa organizada, com temas que podem ser interropidos e nos estender através de apartes, retornando ao tema central sem perder o fio. Mas o que quero mesmo dizer, é o recurso da explicitação de certos movimentos como: "A esta altura já devo ter chateado você com tanta falação, interrompa-me quando quiser", "não você ainda não me chateou, quando isso acontecer eu digo", exemplos como esses não são muito bons, tem alguns realmente fantásticos, intercalados rapidamente no meio de uma explicação. Os turnos dele eram longo, com apartes longos, apartes dentro de apartes, mas sempre retornando. E no meio de um aparte de um aparte eu podia fazer uma observação, interrompendo-o, mais ou menos longa sem incomodá-lo e sem fazer com que ele perdesse o fio. Ele não é o tipo de conversador ideal, no meu ponto de vista, pois este é só uma idéia. Mas ele conversa bem. É mais rígido do que eu, por exemplo: numa certa altura, quando tomei o turno comecei a narrar meu dia de ontem, aparentemente sem propósito. Contei em detalhes e ele ficou ouvindo e ouvia com atenção isso eu posso garantir. Ao final da minha pura e simples narração não havia nenhuma conclusão, eu não estava "querendo dizer" nada, nem era a exemplificação de alguma coisa, estava simplesmente narrando. No fim, iniciamos um novo tópico, dentro do tema principal da conversa da tarde e ele não me fez nenhuma pergunta sobre por quais motivos eu havia narrado aquilo tudo. Isso é realmente fantástico, ele ouviu e foi só.

4 comentários:

Professora Clara Dornelles disse...

Olá! Que bom saber das novidades de hoje! Finalmente o encontro com Dascal, o acesso à biblioteca, conversas interessantes e uma narrativa tão interessante quanto (essa tua mesmo). Assim posso sentir como se tu estivesses aqui bem pertinho (eu que sempre fui a a tua "ouvinte primária" e, por isso, "privilegiada" (rsrs). Ah, a Nadja tava na verdade querendo dizer algo sobre a pochete, pelo que ela me disse depois. Bem, ela vai te explicar.
bjinhos

Unknown disse...

Comecei a ler e não parei... li todos os posts.
Adoro os comentários sobre os costumes, gastronomia etc... meio Zeca Camargo! Hahahah
Um grande abraço e continue mandando suas impressões diárias.

Anônimo disse...

Grande Rodrigo,

to vendo que as cosas estão cda vez mais interessantes aí.. não tenho comentado muito devido a correria aqui.

Mas fica aqui aqui o meu registro!

abraço

Gustavo Nishida

Anônimo disse...

Rodrigo, estamos acompanhando suas peripécias em terras judias. Particularmente, tenho interesse em confrontar meus estereótipos sobre Israel e seu povo, e me permito fazê-lo com seus textos.

Cecília cresce, geometricamente, o olhar já mostra interesse, alguma prematura reflexão, começa a mostrar desgosto por algumas coisas e emitir opiniões, talvez já saiba que ela e a mãe não são a mesma pessoa.

A Mari e o Juliano também estão acompanhando o blog. Ela acha que esses textos poderão ser condensados em um livro futuramente, quem sabe?!