sábado, 10 de novembro de 2007

O problema dos clichês

As vezes chego a pensar que corro o risco de ficar escrevendo posts no blog e não fazer o resto, mas não, existe em mim algum dispositivo que me impede de ficar fazendo uma única coisa por muito tempo, isso tem seu lado bom e também o ruim, como já comentei que acredito ser a condição na vida. Mas bom, voltei aqui pra complementar alguma coisa sobre o tema do conflito israelense-palestino abordando o tema dos clichês que foi mencionado pelo Paul-Marc. Já expliquei aqui quem é o Paul e que ele mora em Paris, mas não falei que ele trabalha no Museu ou Centro Georges Pompidou e que é casado com a Iolanda e pais de duas garotinhas que conhecemos o ano passado quando foram ao Brasil.

Os clichês são uma espécie de forma de conhecimento e uma de suas características é a capacidade de fornecer resposta rápida e fácil, além de geralmente totalizante, a problemas complexos que muitas vezes exigem paciência para aguardar uma resposta que nem sempre está pronta ou dada. O senso comum mais difundido é geralemtne recheado por formas deste tipo. E com razão pessoas comuns, cansadas demais para refletir pausada e longamente sobre problemas complexos se satisfazem com este tipo de conhecimento, em que o clichê é apenas uma forma de resposta rápida e prática. Os clichês se mascaram de muitas formas, e a vezes até mesmo como conhecimento autorizado e oficial. Fazer o que? Paciência. É preciso ter paciência e tomar cuidado para não ser atropelado pela intolerância que geralmente pode acompanhar este tipo fácil de resolução de problemas.

Os clichês estão por toda parte, é muito comum estarem acompanhados de formas pré-concebidas (as pré-concepções ou preconceitos) e a intolerância, como disse, completa o quadro como uma espécie de sentir-se satisfeito consigo mesmo, em que saber a respeito do outro não é necessário. Disse que não iria voltar a este assunto, mas é preciso, me refiro a minha colega alemã de apartamento. "Conversando" com ela, fiz todo tipo de perguntas a respeito dela, do seu trabalho, sua vida na alemanha, suas crenças, sua família e etc. O que ela perguntou a meu respeito? Absolutamente nada. Não quiz saber nada a meu respeito, não tinha a menor curiosidade, e o que por ventura ela possa saber de mim é devido simplesmente ao que eu mesmo fiz questão de informar a ela, dizendo um pouco de mim e das coisas que fazia. Quem é mais preconceituoso, ou tem a chance de ser? Digam-me vocês, leitores.

Acredito que um dos maiores problemas que agrava enormemente o conflito israelense-palestino é a circulação de clichês, principalmente entre nós que estamos "de fora" do núcleo da questão. Não é da nossa conta? Pode ser que não seja, mas enquanto vivermos sobre a superfície de um mesmo planeta se não nos importarmos com o que acontece do nosso lado, corremos o risco de sermos atingidos por algo que não esperávamos.

2 comentários:

Professora Clara Dornelles disse...

Bem, Rodrigo, me parece que tu estais entrando naquele campo da diferença cultural e essa postura de esperar da tua colega alemã a mesma atitude que a tua eu tomo como exemplo de atitude etnocêntrica. Correndo também o risco de ficar nos clichês conceituais, eu diria para mudares um pouco de atitude (se é que queres entender a visão desse "outro"), sendo talvez um pouco menos você. Como será que ela te vê? O que será que ela sente com tantas perguntas? Será que não se sente agredida? Será que você não está querendo uma resposta rápido demais? Como essa tolerância de que falas pode ser construída no dia-a-dia e ter reciprocidade? Afinal, "uma andorinha só não faz verão"... Acho que a garota alemã precisa também de um tempo pra aprender a ser tolerante contigo. O filme que nos indicasse (Occupied Minds) é um pouco o exemplo desse exercício, não é?

Juliano disse...

Pois é amigo, esses clichês ou palavras-chaves, que a maioria das pessoas, inclusive, os pindura em murais pra "estudar", são o inferno mesmo! E o pior, quem acredita que, sabe-los, e telos na ponta língua, é o mesmo que saber a matéria, e inclusive os faz passar na prova, o que os convence ainda mais de que sabem!
É incrível! Distante de pensar que eu tenha alguma capacidade a mais que qualquer um, mas gosto de pensar. Eu vejo isso, como por exemplo, quando se treina uma arte-marcial, onde quando vc começa a sentir determminadas coisas no seu corpo, vc explica, mas quem nao sente, jamais compreenderá, e nem que vc explique, apenas saberá se sentir! E parece que tem pessoas que nunca os vão sentir! Assim é o conhecimento! É como tocar um instrumento, se sente na música essa diferença! Muito virtuoses sabem apenas clichês, e os sabem tanto bem que de fato parecem artistas!
Pessoas minadas de cliches, e que acreditam neles, parece que sabem, e nunca vao entender que nao sabem! E o pior, é quando vc diz algo pensado, e as pessoas assossiam a um clichê, que na maioria das vezes não quer dizer o que se quiz falar, e vc não consegue explicar, ainda por cima! É complexo! O problema fatal é que, como tu falou, estas coisas são complicadas, e certos temas precisam ser conversados de tal forma que cada protagonista da conversa deve escrever um livro a cada vez que chega sua hora de falar ou escrever! Eu, de fato, não sei como resolver este problema, não sei se tenho cliches ou nao, e ainda, se de fato sei alguma coisa, mas vejo isso como uma barreira abissal quando se aprende ou se ensina qualquer tema, ou ainda na dialética com as pessoas!
Isso tb acontece na matemática!
Do vosso leitor, Binder!