Ainda não me acostumei de todo com o fato da semana de trabalho começar no domingo. Fico meio confuso, pela manhã fico me perguntando se é mesmo dia de trabalho, aí vejo as outras pessoas, escuto o barulho nas ruas e confirmo a mim mesmo que sim, é dia de trabalho. Acredito que esta sensação irá perdurar ainda um pouco, principalemente pelo contato com amigos e familiares aí no Brasil e em outras partes em que se usa o mesmo calendário. O calendário aqui também é o mesmo, apesar de haver o calendário tradicional (lunar), que diz que estamos no ano de 5640 e alguma coisa. Bom, para os mulçamos ainda estamos em 1400 e alguma coisa. Mas como o mundo tende a ser um só, aqui também prevalece o calendário juliano/gregoriano (se não me engano de nome). Lembro que quando era criaça não sei por qual motivo e sob quais condições ensinavam que a semana começava (de verdade) no domingo, possivelmente algum resquício da tradição judaica no mundo cristão.
Ainda há pouco sai para ir dar uma mãozinha para a Hava Shani, que é do escritório de assuntos interacadêmicos (que me ajudou com algumas coisas aqui em Israel, acho que já comentei), ela precisava ler um documento em espanhol e fui lá pra ler para ela. Na volta passei no Gilmann (o prédio da filosofia) e fui até uma cafeteria que eles tem lá. Muito bacana. Vários ambientes. Queria dizer que vários lugares aqui, como cafeterias e etc, são bem equipados, com vários ambientes, sofás, cadeiras e mesas de vários tipos, dá um certo ar de coisa chique, mas de fato são lugares bem simples, sem aquela assepsia que vemos em lugares do mesmo tipo no Brasil. A tecnologia disponível não é coisa pra bonito e as desorganizações e sujeiras de uso lembram as de qualquer lugar do mesmo gênero que temos aí no Brasil. Mas ía dizer, estava lá pra dar uma olhada e talvez tomar um café, pedi. Pela primeira vez arrisquei falar em hebraico em público com alguém desconhecido. Nada demais, apenas umas palavras chaves, olá, café, médio, por favor. A garota da máquina de café fez uma observação que eu havia sido muito formal, ou polido (polite) e eu disse que era porque ainda estava aprendendo a língua, e de repente, um rapaz que estava atrás de mim e que eu não havia visto, disse pra garota que eu havia sido formal porque eu não era daqui, aí eu confirmei dizendo que era isso, também.
Bom, temos novidades no mundo blogueiro. A Clara acaba de inaugurar sua primeira tentativa de blog, e parece que o nosso amigo Alberto vai acabar entrando nessa também. É isso aí, vamos aos blogs. Desejo boa sorte e que tenham perseverança, pois sei que não é facil manter um desses, como já disse conheço alguns super atualizados, bonitos até, cheios de links. Acho que vou inaugurar uma seção de links no meu pra completar um pouco mais esta rede.
O Paul me mandou um comentário a parte, via e-mail, falando sobre a minha última postagem, em que comentei o encontro com o rapaz ortodoxo. Bastante interessante o comentário que o Paul faz, como sempre. Queria dizer que ando encucado com uma coisa. Tem surgido um certo número de publicações (me refiro a alguns livros, os quais não sei se menciono, pra não ficar fazendo propaganda de publicações que não recomendo) de autores influentes escrevendo contra a religião em geral. Vou mencionar os autores. Escritores como Richard Dawkins e Sam Harris são dois que me ocorrem porque ambos possuem publicações recentes com traduções também recentes no Brasil. Estes caras vendem livro que nem água, e o principal argumento deles é que a religião é irracional, que só faz mau à humanidade e que por isso deveria ser extinguida, ou algo do gênero. Geralmente falam em nome de uma suposta racionalidade (científica) que seria a redenção da humanidade. Não sei nem por onde começar. Estes indivíduos não passam de radicais, totalitários que condenam a religião (ou o pensamento religioso) agindo da mesma maneira que aqueles que condenam, são uns aproveitadores de uma camada da população de descrédulos, o que é um sintoma do nosso tempo, em lugares como os Estados Unidos, onde o fundamentalismo está na base de sua origem. Estes escritores dizem-se ateus. Quem me conhece sabe que não sou religioso, que não sigo o pratico nenhuma doutrina, mas o caso é que vejo na religião um dos modos do pensamento humano, enquanto estes aproveitadores escondem o fato de que a tal ciência que eles louvam nasceu no seio deste mesmo pensamento que condenam. Não passam de fanáticos disfarçados.
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3 comentários:
Nao posso deixar de comentar e de concordar sobre este assunto de religião e radicalismo. Tive uma discussão com uma pessoa, aqui em Paris, que se diz ateu, defendendo as suas opinões com tanta virulência, que deixei entender a ele que a sua posiçao chegava a ser semelhante a uma crença. Obvio ele não gostou. Porque e tão dificil aceitar a diferença?!
Vamos em frente.
Concordo contigo. Vejo a religião como uma forma de expressão da cultura, tradição, enfim do modo de viver de um povo. Assim, natural que a opção religiosa seja tão significativa.
Em muitas variações das diversas religiões há pessoas fanáticas, que não aceitam ou respeitam ao modo de pensar e/ou viver alheio. Esse movimento anti-religioso se assemelha a essas correntes, afinal afirmar a religião como raiz dos males da humanidade e defender sua extinção vai na mesma esteira totalitária. Particularmente, vejo esse movimento "ateísta" recente como um "jogo do mercado". Há bastante gente querendo comprar tais livros, logo natural que apareçam quem os venda. Tive a oportunidade de ler o "Gene Egoísta" de Dawkins, e já naquele tempo ele já sinalizava um futuro ataque à religião.
Por outro lado, não li o último livro dele, apenas folheei na livraria então não sei dizer se ele chegaria a ser um "fanático disfarçado", até pq não me pareceu o estilo dele no livro anterior. Talvez ele queira mesmo é provocar e ganhar um pouco de dinheiro. Um grande abraço.
Pois é, eu sinto que tenho que comentar este teu post, por vários motivos. Um deles é que concordo com o que dizes sobre este radicalismo dos ditos ateus. segundo porque nós temos o livro do Dawkins, o ultimo "Deus uma ilusão". Tá lá "enfeitando" a estante. ainda não tive literalmente disposição para ler, sabes que não gosto deste cara. e o terceitro motivo porque o comentário do Paul e do Marcio, me lembraram uns colegas de trabalho, pesquisadores aqui do museu e da universidade que ficam super alterados quando falam de religião, que não podem nem imaginar que seus filhos se tornem religiosos e que nem permitem que seus alunos agradeçam a deus em suas monografias, teses. Eu também não sou religiosa mas no caso deste ultimo exemplo eu acho mesmo que é nada mais nada menos que censura! enfim, tanto um quanto outro (religiosos X ateus) são igualmente radicais. Concordo plenamente com o Márcio, isto está virando coisa de mercado!
beijo irmão
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