segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Os pássaros em Tel-Aviv

Hoje está tremendamente quente aqui. Diz a Dna. Dorit que já era pra ter começado a estação chuvosa. Aqui em Tel-Aviv parece que não tem tico-ticos, não sei. Mas tem corvos. Incrível, nunca tinha ouvido nenhuma referência a este fato. É cheio de corvos, são comuns, como se fossem pombos, uma peste que aqui também tem. Abre parênteses, as pessoas na rua não têm noção o quanto os pombos são transmissores de doenças. Estou me referindo aqui a Curitiba, não a Tel-Aviv, aqui vi muito pouco pombo, em Curitiba é cheio, chega a ser nojento, pois eles voam muito perto das pessoas. E os cidadãos comuns, pipoqueiros, velhinhos caridosos alimentam esses bichos. Se pombo urbano fosse coisa boa as centanas ou milhares de moradores de rua de Curitiba já teriam comido todos. Em Florianópolis também hpa bastante, e já ouvi dizer que em algumas cidades brasileiras há muito mais. Essa é uma ave que foi introduzida, trazida não sei bem ao certo de onde, se da Europa ou da Austrália. A prefeitura as vezes comenta a respeito da situação de saúde pública em torno da questão dos pombos, mas aí a sociedade protetora dos animais se manifesta contrária a algum recurso de controle, o que é infâme. Mas quanto aos corvos aqui de Tel-Aviv, eles estão por toda parte principalmente em Ramat-Aviv. Eles emitem aquele som característico, igualzinho como se escuta nos filmes só não escutei ainda nenhum deles dizendo "nevermore". Desculpem a brincadeira. Vi também outros pequenos pássaros que não identifico, mas não vi nenhum desses que vemos aí pelo Brasil: sabiás, bem-te-vis, pardais, currecas, canarinhos, periquitos (como se vê em Curitiba, sobre as araucárias) aqui existe uma espécie um pouco diferente com a cauda mais comprida. Não sou ornitólogo, sequer amador, por não posso dar muito detalhes. Ontem indo pra universidade vi na calçada um pequeno lagarto, do tamanho de uma lagartixa dessas nossas aí. Será que era uma salamandra? (Atenção meus irmãos biólogos aí de Belém que ainda não se manifestaram!). Registro aqui o retorno do Prof. Pedro Garcez (UFRGS) que também está acompanhando estas notas desde Tel-Aviv, além do casal Hilton e Léia Dornelles (os pais da pequena e muito linda Maria Carolina, uma das minhas sobrinhas favoritas), músicos que agoram andam alegrando as noites Josefenses, o Hilton nos instrumentos e na voz e a Léia nos vocais.

Pessoal, parei pra escrever esta postagem porque hoje o dia está super parado. Combinei com o Dascal de falar com ele hoje, mas ainda não rolou. Queria dizer que com cada grupo com que me relaciono existe um certo número de assuntos que circulam e um certo modo de interação que é característico. Acredito que não somos os mesmos pra todo mundo. Como esse blog é geral, eu falo sobre coisas que as vezes simplesmente não dizem respeito a indivíduos de determinados grupos, esta é uma das curiosidades desta ferramenta. Pessoas que me conhecem de uma determinada maneira, podem estranhar certas coisas que escrevo. Bom, está avisado. Mesmo assim claro que vou tomar cuidado, se eu saísse escrevendo tudo que penso talvez ficasse sem leitores. O que escrevo aqui é uma elaboração que deve estar de acordo com o gênero blog, não sou eu que determino estas características, isso é imposto a mim por uma quantidade de variantes das quais não tenho consciência de todas, assim as vezes pode escapar alguma falha nossa.

O Alberto fez várias observações sobre os "paulistinhas" na seção de comentários. Particularmente eu não acho que todo ruim a colonização paulista em Florianópolis. Isso me faz lembrar um livro que estou lendo aos pedaços "Orientalismo: O oriente como invenção do ocidente" de Edward Said. Entre as milhares de coisas que ele diz, ele têm três teses principais que guiam a narrativa do livro, não consigo reproduzí-las agora, mas prometo pra depois. Entre elas é essa mesmo que vai dita aí no título, "O oriente é uma invenção do ocidente". Uma outra coisa que ele diz é que os orientais ("orientais" no livro são principalmente médio-orientais, nada de chineses, japonêses, etc.) demandam ser colonizados, isto é que eles precisam ser colonizados e que esta é uma característica intrínseca que os define. Claro que isso não é o Said que diz, o que ele diz é que existe essa idéia que é e foi divulgada através de alguns autores que desde o século XIX, a partir da colonização do Egito por Napoleão, assim definem e justificam sua construção do "oriental". Bom, mas o que tudo isso tem a ver com os paulistinhas em Fpolis? De certa forma, eu sempre disse, o que seria Fpolis se não tivesse passado por vários períodos de "colonização" pelos rio grandenses e pelos paulistas? E antes deles? Não é por acaso assim com todos os lugares em todos os tempos? Eu acho que o bem e o mal não são coisas separáveis, não se pode ter apenas um deles.

2 comentários:

Sarita de Fáveri disse...

Saudações Irmão!
Acabo de escrever um comentário mas errei na hora de enviar...coisas de amador! Enfim, gostei de ler as suas primeiras impressões sobre Tel Aviv, sobretudo de suas observações biológicas. Embora digas que não eres ornitólogo estás te saindo muito bem na observação da vida fora humana deste distante lugar! se puderes fotografe...Corvos? que loucura.
Fiquei imaginando como seria se em Belém fossemos revistados no supermercado....primeiro se fucionasse, se formaria filas enormes do lado de fora!
Meu comentário tá virando email!!!
beijos

Sarita de Fáveri disse...

Rodrigo, voltei para dizer que pude avançar na leitura de teu blog. hoje pela manhã, só pude ler a postagem de hoje. Queria agradecer por compartilhares (e agradeço por mim, aliás coisa que aprendi contigo e com a Claudia que nunca devemos falar pelos outros!) estes momentos em Tel Aviv e por tornares tudo tão próximo.Confesso que minha impressão foi "putz tenho tudo isto para ler"! mas depois lembrei que sou tua irmã e que também gosto de falar e escrever (percebe-se). relaxei e comecei a ler! Fico aguardando anciosa pelas fotos. Sempre falo pro Miguel do tio que está em Israel, ou seja, ele também está participando desta nova etapa!Até amanhã!