sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Jerusalem

Hoje estive em Jerusalem. Fomos a parte oriental da cidade, isto é, na parte palestina que está sob ocupação israelense, isto significa sobretudo que os israelenses podem entrar e circular por lá a vontade, mas nenhum palestino pode sair de lá. Não sei por onde começar, já que tudo vem à memória de maneira completamente torrencial. Vou tentar narrar as coisas conforme foram acontecendo, de maneira mais ou menos cronológica, pelo menos em princípio.

Acordei cedo e fui até Yafo, que ja expliquei o que é na postagem anterior. Yafo ou Jaffa fica ao sul da cidade, mas é como se fosse continuação do centro da cidade. Mas quando se entra nela, acentua-se um certo ar diferente que já se vai sentindo desde o centro mais antigo da cidade. Antigo neste caso é muito relativo, Tel-Aviv tem aproximadamente 70 anos. Mas ao entrar em Yafo pela Shderot Yerushalaim (boulevard Jerusalem) percebe-se logo uma certa atmosfera árabe, é possível enxergar torres de igrejas e de templos mulçumanos (mesquitas). Desci do ônibus e fui até a casa do Dascal, como tinhamos combinado. Lá tomamos um pequeno café, esperamos chegar a pessoa que nos acompanharia até Jerusalem, uma fotógrafa que documenta as relações entre palestinos e os israelenses, principalmente militares, nos chamado checkpoints, que são os controles que mencionei acima que impedem os palestinos de saírem do west bank.

A paisagem, o que devo dizer sobre a paisagem? Há alguém que não imagina o que seja? Pois hoje eu vi Jerusalem de perto, é dificil de descrever, mas posso dizer que o muro que os israelenses estão construindo e que separa os palestinos em guetos cada vez mais reduzidos é predominante na paisagem, ele acompanha grande parte do caminho, depois que se passa por Modi'in. Modi'in é a cidade dos antigos macabeus, que segundo me disseram, lutaram contra os romanos, e há placas pelo caminho que indicam vários locais de sítios arqueológicos.

Não chegamos a entrar propriamente em Jerusalem ocidental, nós como que circundamos a parte ocidental, que é protegida pelo muro (que tem 9 metros de altura e muitos quilometros) e por uma auto estrada que adentra pelo territorio palestino, toda protegida por cercas, chegamos a Jerusalem oriental, depois de passar por dois ou tres checkpoints.

A parte árabe é bastante desolada, o que quero dizer com isso é que é bastante mal tratada e carece de muita infra-estrutura, lembrando muito o Brasil em algumas partes lá e aqui. De repente chegamos ao fim da estrada e demos de cara no muro, aí começam os caminhos tortuosos. Precisávamos chegar à Universidade de Al-Quds, que é onde estava sendo realizado o evento "Dialogue under Occupation". O Dascal ficou responsável pela coordenação de uma mesa de encerramento. Depois de muito rodarmos por vários becos, perguntar a muitas pessoas onde ficava a universidade, sempre numa mistura de inglês, árabe e hebraico, finalmente chegamos ao portão da universidade. Eu estava no carro com 4 israelenses, e os quatro davam opiniões ao mesmo tempo e queriam dizer por onde era o caminho que deviamos ir. De repente passamos por um lugar e eu vi uma placa indicando "University Street". Era lá, mesmo assim foi dificil chegar ao tal portão. Passei por heroi por alguns minutos, até que nos perdemos novamente e os quatro começaram de novo a falar sem parar.

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