quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mas quem é Marcelo?

Muitos não sabem e nem teriam por que saber. Marcelo Dascal é um filósofo e lingüísta (!) brasileiro judeu radicado em Israel desde 1965. Como já mencionei ele deu aulas na Unicamp por aproximadamente 10 anos, entre os anos 70 e 80. Como a vida acadêmica no Brasil veio piorando desta época pra cá --me refiro ao crescente processo de burocratização e dependência da atividade intelectual de estruturas estatais, de forma que o pesquisador tem se transformado no próprio administrador da instituição universitária tornando-se um burocrata-- ele, o Dascal, depois de uma passagem por um importante instituto de pesquisa holandês, retornou para Tel-Aviv, de onde ele nunca se desligou oficialmente. Pra quem se interessar, ele tem uma página pessoal que fala um pouco da suas atividades e traz uma lista de sua enorme produção acadêmica e intelectual: http://www.tau.ac.il/humanities/philos/dascal/index.html

Não preciso ficar aqui fazendo propaganda para ele, não é necessário e eu não seria a pessoa indicada para isso. Gostaria apenas de discorrer um pouco sobre a importância do trabalho dele no Brasil. Aí, ele é conhecido principalmente nos departamentos de lingüística e de filosofia. Inclusive é mais conhecido neste último. Na lingüística ele foi atuante no período em que mencionei acima, formando vários pesquisadores sob sua orientação. A lista é grande. Na UFPR, por exemplo, além do Borges Neto, há vários outros, como a Elena Godoi, a Ligia Negri, o Luis Artur Pagani e a Maria José Foltran (não tenho certeza). Todos são professores da Pós em Letras lá em Curitiba. Da leva de "paulistinhas" (como diz o Alberto) quase a totalidade foi aluna dele e todos, acredito, padecem do mesmo mal, salvo engano meu, desconhecem a obra dele e não estão atualizados. Eu poderia começar mencionando a disciplina da linguistica conhecida por pragmática (ponto polêmico este, não é mesmo Elena?) e dizer que a história desta disciplina no Brasil está intimamente ligada ao pensamento do Dascal. Nem todos os pragmaticistas ou interessados por ela no Brasil acompanham o pensamento do Dascal, mas reconhecem sua importância ou sabem que ele existe, pelo menos. Para caracterizar de modo grosseiro, poderia dizer que a pragmática que ele desenvolve é de base griceana (do filósofo Paul Grice). Como disse nem todos seguem esta linha e outros concentram-se mais nas idéias de John Austin, por exemplo, ligando-se de alguma forma ao pensamento de John Searle. Para o Dascal a idéias do Searle não combinam muito com as do Grice e acredito que pe próprio Searle não negaria esta separação. Recentemente, em 2006, foi traduzido pela Ed. da Unisinos o volume "Interpretação e Compreensão" em que estão reunidos artigos de quase 30 anos da produção do Dascal neste campo. Uma outra referência importante poderia dizer que é o volume "Pragmática e Filosofia da Mente vol 1" (1983), ainda não traduzido para o português mas que está em negociação entre a John Benjamins, editora que detém os direitos, e a Ed. da UFPR. A tradução deste vai ficar ao meu encargo e aqui em Tel-Aviv estamos programando o segundo volume, em que o Dascal explora a outra face de sua teoria pragmática. Estou escrevendo um artigo sobre "As 3 pragmáticas de Marcelo Dascal" e espero poder terminá-lo em breve (!). Prometo em breve dizer alguma coisa sobre esta divisão da pragmática dele.

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