A cada dia vejo tudo com olhos diferentes, a cada dia todas as coisas que vejo mudam, a cada dia que passa as coisas que vejo vão se transformando, as percepções alteram-se e com elas novas avaliações. Parece que vou percebendo mais das coisas, como já disse. Assim então, vejo muitos cães e muito cocô de cachorro também, apesar das placas indicando que seus donos deveriam juntá-los. Em uma espécie de passagem que há aqui da rehov (rua) Reading onde moro para a rehov Brasil (atrás de casa), um lugar bastante agradável (pelo menos poderia ser) no canteiro lateral deve haver um milhão de cocô de cachorro. O ambiente poderia ser bem mais agradável, já que tem muitas plantas, bancos pra se sentar, não circulam carros. Numa próxima postagem vou explicar o que são estas passagens, há muitas aqui em volta. São como caminhos que levam até às moradias (casas e prédios), que geralmente estçao cercados por plantas, árvores, arbustos, etc.
Mais um dia de Ulpan e o input é enorme. Descobri outras nacionalidades na turma: grego, nepalês, chinês, francês. A garota que eu pensava que era espanhola é alemã e a mulher que eu disse que era russa é ucraniana. Mais uma vez acompanhei os filipinos e aprendi a dizer "como vai você?" em taglog, que é a língua deles: "kum sta ka?", que segundo eles vem do espanhol "como estas?". Soube também que eles trabalham de faxineiros em casas, e que muitos filipinos, mas não só, também tailandeses e nepaleses vem a Israel para cuidar de pessoas idosas. É muito comum ver na rua aqui em Ramat-Aviv orientais acompanhando idosos. A secretária do pós em inglês (literatura) que fica do lado da minha sala e que disse que era polonêsa (mas nascida em Israel), quando comenta sobre os orientais em Israel o faz com um certo ar de indignação, a minha landlady aqui em casa também. Não chega a ser extamente indignação, mas não chega também a ser perplexidade, é algo intermediário, talvez algum preconceito disfarçado ou controlado. Ela (a secretária) me perguntou como era o Brasil, aí eu disse pra ela como eu imaginava que era o Brasil, no norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e disse também como era o sul do Brasil que eu conhecia. Quando eu falei que em Santa Catarina havia muitos imigrantes alemães e italianos e que eles eram diferentes, possuiam costumes diferentes, modos e estilos de vida diferentes uns dos outros, em geral claro, que os alemães eram mais ligados à indústria (o que reflete apenas uma idéia muito geral que não corresponde à realidade) ela me disse, "sim, sim, os italianos são preguiçosos". Durante o resto da conversa fiquei pensando se eu iria dizer a ela que eu era italiano assim com ela era polonesa, mas acabei não falando.
Hoje vi um homem tentando tocar clarinete perto de um shopping na Ibn Gvirol, vi uma mulher que atravessou a rua fora da faixa em uma rótula na frente dos carros sem nem olhar pro lado e o motorista ao parar pra ela passar não demonstrou nenhum sinal de irritação. Aqui, até ônibus já parou pra mim passar (gostaram?) na faixa de pedestres quando o sinal estava aberto pra ele. Quando entrei no supermercado ninguém me revistou, no Ulpan também. Comprei uma garrafa de suco natural de grapefruit (achei amargo) e parei num banco de praça na rua Brasil pra comer meu sanduíche de humus, rabanete e salsa.
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