Antes de falar qualquer coisa a respeito das milhares que fiz hoje, gostaria de registrar aqui meu agradecimento pelo apoio que estou recebendo dos meus leitores ou simplesmente visitantes e também aos comentadores. Sem vocês talvez este blog não tivesse tanta força para continuar. É mesmo incrível ter essa resposta de vocês. Gostaria de mencionar aqui o nome daqueles que deram alguma espécie de retorno até agora e que ainda não foram menconados nas minhas postagens: o pessoal da universidade, Professora Carla Reichman (Universidade Federal da Paraíba), o Borges (meu orientador na UFPR), Maurício (professor UFPR), Marcos Carreira e Gustavo Nishida (companheiros de pós na UFPR); Sonia Bachar (minha professora de hebraico aí no Brasil); Lalai (meu primo "espanhol" do Rio) e a Juliana Steil (doutoranda na UFSC) e a Izolina Dornelles (que gostaria de poder visitar o Monte das Oliveiras em Jerusalém). Se ela não vier enquanto eu estiver por aqui vou lá por ela, quem sabe, e tiro algumas fotos. Falando em fotos, ainda não consegui a câmera digital que estou procurando, a mais barata e melhor, por isso este blog continua tão prolixo (certo, Alberto?), mas em breve pretendo poder começar a mostrar imagens daqui.
Vamos agora aos eventos de hoje, meu primeiro falafel (nativo), meu primeiro café turco, meu primeiro suco de romã. Hoje, domingo, fui na universidade resolver alguns problemas burocráticos e resolvi todos: me apresentei no departamento de filosofia, em que vou trabalhar, estive no Office of Interacademic Affairs, em que finalmente encontrei a Hava Shani, que me ajudou muito com várias coisas aqui em Israel quando eu ainda estava aí no Brasil (inclusive este lugar aqui onde estou, foi ela que me consiguiu colocando em contato com a Dna. Dorit). Mas, abrindo um parênteses, é enorme a lista com os nomes das pessoas que me ajudaram e sem as quais, com o apoio que me concederam, minha chegada a Tel-Avi teria sido muito menos facilitada. Por exemplo, a Associação dos Amigos da Universidade de Tel-Aviv, aí no Brasil (é acreditem), na figura do Sr. Luiz Chor, que me recomendou enfaticamente ao Sr. Arie Einan (diretor do centro de assuntos latinos americanos da TAU) que entrou em contato com o Prof. Dascal e que reforçou a recomendação, posso apenas dizer que toda a confiança que depositaram em mim espero poder retribuir fazendo meu trabalho da melhor maneira possível, a todos eles sou muito grato, fecha este enorme parênteses (desculpem leitores); depois fui à agência bancária no campus e abri minha conta corrente para poder receber minha bolsa, agora falta apenas informar à CAPES. Aqui pode-se manter uma conta corrente em doláres, mas acredito que irei preferir ter meu dinheiro em shekels mesmo (que é o dinheiro daqui). Aliás esta questão do dinheiro é um assunto que pretendo voltar oportunamente, fico muito intrigado com as relações de preço, em comparação com o Brasil, por exemplo, e tendo o dolar como parâmetro, é impossível saber se algo aqui é barato ou caro, por exemplo, se converte-se o valor em dólares e se compara com o preço em reais também convertidos. Se se faz essa operação, percebe-se que as coisas aqui são carérrimas, por exemplo, uma garrafa de água mineral (500 ml) custa 3 dólares, o que no Brasil corresponderia a 6 reais, absurdo! Mas o negócio é que aqui, esta mesma garrafa por 12 shekels é o preço normal, como se eu pagasse 1,50 reias aí no Brasil. Intrigante estas questões, acredito que é um problema de economia que já tentei entender mas não consigo, acho que deve ter algo que ver com o custo de vida e o valor do dinheiro, mas não entendo a relação. Eu e a Clara já tínhamos experimentado algo semelhando quando fizemos nossa volta no Uruguai, quando constatamos, lá, que tudo era muito caro apesar da moeda deles ser mais barata que a nossa (ainda acho que tem algumas coisa a ver com o dolar, também).
Bom, mas já divaguei demais e não falei das curiosidades culinárias estrangeiras para estrangeiros. É que voltando da universidade, passando em frente do dormitório estudantil na rua Einstein vi um lular que vendia falafel, para quem não sabe falafel é um bolinho de grão de bico frito que se come numa pita (um desses pãozinhos redondos que aí no Brasil chamamos de pão sírio) com humus (pasta de grão de bico) e tahine (ou trina, em hebraico, numa tentativa infeliz de transliteração, pois o som daquele "r" deve ser gutural (socorro ao foneticistas e fonólogos aí de plantão), mais ou menos como quem diz "rato" em português de Florianópolis, um pouco mais arranhado (ai, ai). Este é o som da letra 'het' [ח] em hebraico. Mas percebo que não ajuda muito todas esta explicação. Não é o 'h' aspirado do inglês, pois este corresponde ao 'hei' hebraico [ה], é como se fosse o aspirado produzido um pouco mais acima na garganta, um pouco mais sonoro. Tudo isso pra dizer que o tahine (que é o nome árabe) é uma pasta de gergelim, que se econtra com facilidade aí no Brasil, nós mesmos usamos bastante lá em casa.
Não posso ficar contando tudo, torna-se inviável manter o blog nestas condições, mas vou prosseguir até onde for possível para mim. Pra encurtar a história, aqui tenho usado exclusivamente o inglês, até a mulher que vende falafel fala inglês, digo "até a mulher" porque era ou parecia uma pessoa muito simples, mas curiosamente a mulher da biblioteca da universidade que fez minha inscrição quase não falava inglês. Uma coisa é inegável, falando ou não inglês por aqui ninguém deixa de se comunicar, nem eu nem ninguém. Já começo a sentir uma certa conformação do hebraico em meus ouvidos. Consigo identificar um número maior de palavras e certas expressões funcionais já conheço várias, além de que algumas vezes, mesmo não entendendo a expressão (quando por exemplo escuto conversas perto de mim) já consigo compreender parte do significado de várias, através de algum recurso pragmático disponível naquele momento.
Além do falafel tomei o tal café turco. Foi no próprio banco em que abri minha conta corrente. Levou tanto tempo, mais de hora, que a mulher que me atendia me ofereceu um café. Café turco é o café com o pó misturado na água sem ser filtrado. Vai aí uma referência para a Clara que sempre acha tão engraçada uma história que ela presenciou sobre um tal "café cabeludo". Pois então, café turco é o próprio.
A outra curiosidade estrangeira para estrangeiros foi o suco de romã. Ao ir no fim da tarde ao ULPAN para procurar informações sobre o curso de hebraico para estrangeiros, passei em frente a um lugarzinho muito simples, com algumas frutas e que vendia sucos. Vi no refrigerador várias laranjas e romãs, que em inglês se chama pomegranades e em hebraico esqueci. Na volta, tive que andar um bocado a pé, até o ponto de ônibus. Parei no tal lugar e pedi um suco de pomegranades. Percebi imediatamente que o senhor, um homem de mais de 70 anos, quase não falava inglês. Apontei para a fruta e disse juice. Depois fiquei repetindo a palavra suco em hebraico mitz, mitz. Ele deve ter pensado que eu era doido. Perguntei quanto era e ela disse: "one, eight" e me mostrou com os dedos, e eu disse: "eighteen"? e ele "yes, yes". Enquanto ele fazia o suco, com muita dificuldade de se mover no pequeno espaço devido a sua grande velhice, notei em seu braço esquerdo um número tatuado. Senti algo estranho, diferente e que ainda não tinha sentido até então. Lembrei do livro "A noite" de Eli Wiesel que para aqueles que ainda não leram, o recomendo enfaticamente. Depois que lemos lá em casa este livro, um grupo grande de outras pessoas também o leram, por nossa indicação. A impressão que a leitura deste pequeno livrinho que não chega a 100 páginas deixou em nós, é tão complexa que não caberia aqui sequer tentar dizer qualquer coisa. Uma coisa apenas. Certamente, aquela idéia de judeu de filmes de segunda guerra que grande parte dos brasileiros possuem fica um tanto mais colorida depois de ler este livro impressionante.
Por hoje chega de curiosidades. Mas quero ainda registrar que no centro da cidade, vi hoje mais uma parte de Tel-Aviv. Vi um homem que parecia muito pobre remexendo no lixo, parecendo procurar algo que lhe servisse, lembrei do Brasil. Também falei com um rapaz russo, que tinha algum tipo de problema neurológico, por aqui tem muitos russos, que quando soube que eu era do Brasil, me disse que o sonho dele era ser brasileiro e que ele amava tudo que era brasileiro. Eu disse a ele que o Brasil também era bastante cruel para algumas pessoas, e ele me respndeu que não como a Rússia. Tentei insistir, ele me disse que tocava um pouco de guitarra (Spanish guitar) e que buscava alcançar um pouco o estilo brasileiro. Me despedi e desejei a ele boa sorte e que um dia ele tocasse violão como brasileiro. O que é a memória? algo impossível! Hoje cedo indo para a universidade perto aqui de casa, em um estacionamento, um homem de média idade tocava um bandolin, a música era "tico tico no fubá", passei perto dele e disse a ele que era uma canção brasileira, ele pareceu não entender, aí eu disse "É tico tico no fubá", ele mudou de expressão e me olhou com mais atenção, enquanto eu me afastava e ele continuava com o tico tico cá, tico tico lá.
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Um comentário:
Grande Rodão...como dizem por aqui!! Estou passando pra te desejar sucesso nessa caminhada e dizer que sou mais um leitor assíduo deste blog...é muito legal, todas as noites venho dar uma conferida e ler as novas postagens antes de dormir...através das suas palavras consigo imaginar as situações e criar uma imagem (mesmo que não seja a correta) de tudo que acontece por aí...acho que é isso que está tornando a leitura bem interessante para mim. Confesso que as vezes preciso consultar o dicionário para poder continuar o texto...mas já baixei um da internet e facilitou a minha vida!!!rsrsrrsrsrs...Tá vendo...era só um recadinho e acabei alongando...acho que é essa sensação que vc tem...não queremos ficar com a preocupação de ter deixado algo pra trás e se assim fazemos dá uma espécie de remorso...mas tá blza, escreve aí que estamos lendo e adorando por aqui!!! Ps. Os Taiwaneses transparecem uma paz impressionante...ficamos todos com uma ótima impressão deles, todos sorridentes, simples e muito receptivos! Ficamos felizes por estarem lá perto da Mana...agora eu vou...rsrsrs...Témaxxxxxxxxxxx...Mané!!!!
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