Passo por aqui para uma visita, apenas. Incluí algumas fotos no meu albúm, vejam o link no lado direito do blog. Não são fotos de Tel-Aviv. São apenas algumas ilustrações de alguns lugares e costumes entre os quais círculo no Brasil. Há fotos de vários autores. Quem quiser comentar, se alguma evocar alguma lembrança, fique a vontade. Ainda não tenho uma câmera aqui em Tel-Aviv, por isso não posso ainda postar fotos daqui. Espero poder fazer isso em breve, não sei, vamos ver. Algumas pessoas achariam uma pena que eu me fosse embora daqui e não levasse nenhuma foto. Pra mim não é tão sério. Realmente não me importo com imagens, gosto delas, mas, sou mais chegado às palavras. Percebam que não mostro fotos de pessoas com quem me relaciono, amigos, familiares, nem minhas, nem da Clara. Não sei por que, mas não acho legal. Não é muito sério, talvez qualquer hora dessas. Mas pra quê? Vão vendo por aí como me relaciono com imagens. Gosto de fotos de coisas, não de pessoas. De pessoas, só as que não conheço. Vejam na mesma lista com o link para o albúm que inclui links para blogs de conhecidos e também de certas figuras. Não simpatizo necessariamente com elas, "as figuras", mas acho que podem ter algo legal a dizer. Me refiro aqui principalmente aos ilustres desconhecidos: Schwartzman, Gabeira, Unger. São figuras do nosso tempo, do meu tempo.
Muitas coisas têm acontecido por aqui. Várias vezes penso e elaboro mentalmente posts pra incluir aqui, mas refreio o impulso. É assim que sou, gosto de me impedir de fazer certas coisas que sinto vontade. Por aí vou aprendendo a ter auto-controle, o que considero importante. Mas esse negócio tá ficando pessoal demais, e o objetivo aqui é público e não privado, muito menos confessional, isso jamais. Por isso deixei de ser cristão. Quando me obrigaram, quando tinha 11 anos de idade, a me confessar, comecei a desconfiar do catolicismo cristão. Pra quem não sabe, eu estudei em colégio de freiras por um bom tempo da minha vida. Não foi de todo mal, aprendi a conhecer melhor os meandros da tal crença.
Pra quem está curioso, não passei o natal com os filipinos, não. Mas voltaram a me convidar e me senti na obrigação de fornecer toda uma explicação, justificando filosoficamente e sociologicamente por que não queria comemorar o natal. Acho que entenderam. Mais adiante anotarei aqui o que andei pensando sobre isso, sobre a comemoração do natal aí no Brasil, entre meu círculo familiar e de amigos, principalmente familiar. Não gosto do natal, das comemorações do natal aí. Consumismo e exagero de sobra e nenhuma reflexão sobre o que significa o nascimento. Nascimento de quem? Não importa.
domingo, 30 de dezembro de 2007
sábado, 15 de dezembro de 2007
Uma conclusão - Normatividade
Vou aproveitar a oportunidade para fazer uma espécie de conclusão desta primeira etapa (um mês e meio) de postagens neste blog. Conforme o último post, algo mudou na minha forma de percepção das coisas aqui em Tel-Aviv, e eu já vinha anunciando desde o começo que isto iria acontecer. Por isso penso que seja preciso uma parada para repensar a forma destas postagens. Foi importantíssimo a interação com todos vocês que foram meus leitores, e que na verdade eram aqueles aos quais este blog se dirigia. Era pra mim que escrevia, mas era por causas dos leitores que se manifestaram de alguma forma que eu escrevia para mim. Os leitores foram a quem me dirigi, meus amigos e familiares, amigos que não falava havia tempo. Mas agora é preciso repensar, e já estou neste processo. Acho que agora arriscaria fazer uma análise de determinados traços do cidadão israelense, de Tel-Aviv, principalmente, mas também daquele Israelense abstrato. Quanto à identidade judaica, não sei bem o que e nem como dizer. Repito que aconselho que se procure os livros, que se desligue a televisão na hora do noticiário sobre o oriente médio e que não se leia no jornal as noticias sobre este tema. Fazer o que? Nesta nossa era da informação, as vezes a melhor maneira de ter uma possibilidade de obter informação confiável é não se informando. Reflitam, é isso que sugiro. Eu poderia sair escrevendo várias coisas, dizer isso e aquilo. Sou adepto da conversa franca e aberta e intensa, mas não sou maníaco pela falação ou prolixidade descontrolada, quando desatam a falar muito por perto de mim, minha tendência é me calar.
***********
Esse pedaço acima escrevi há vários dias. Iria publicar como uma espécie de conclusão da primeira etapa, como disse. Não fiz. Faço agora e acrescento um dado curioso que me aconteceu hoje.
Atravessei a rua perto de casa, na faixa, com o sinal de pedestres vermelho. Esperei os carros passarem, é claro. Não andei cinqüenta metros quando uma garota, uniformizada se aproximou e pediu minha identificação. Ela me disse: "Você não pode atravessar a rua com o sinal vermelho, é a lei, você pode receber uma multa". Eu disse, "obrigado pela informação, eu não sabia". Continuei andando para a universidade e no caminho fechou-se o ciclo de uma reflexão iniciada quase um mês atrás. Lembram quando contei um episódio parecido com esse? Daquela vez a "guarda" não me disse que eu não podia atravessar o sinal vermelho! Ela sabia que eu era estrangeiro, por que ela não me falou? Até hoje, quase dois meses, ninguém jamais tocou no assunto comigo ou perto de mim. Hipocrisia! Pura hipocrisia. A hipocrisia é um mal universal, o lado bom da hipocrisia eu não consigo enxergar. Mais adiante, todos parados, amontoados no pequeno espaço no meio da avenida. Um rapaz atravessa o sinal vermelho, claro, ele fez uso de sua capacidade racional, não havia nenhum carro! O medo é irracional, sem dúvida, e a normatividade da lei conta com o medo para ter efeito. O problema é que ao se deixar de lado a razão, quando se está entre o medo e a norma, apela-se à hipocrisia, aí está. Esta é a gênese da hipocrisia, entre a norma e o medo, quem poderia suspeitar desta origem dicotomica do hipocrita?
E eu, onde fico, com minha tese política de desobediencia civil, contra a hipocrisia, e enquanto estrangeiro? Continuo atravessando o sinal vermelho, não consigo fazer diferente. Claro que o que penso em fazer é tomar conhecimento da lei, e analisá-la. Pois tenho muitas perguntas e a garota de guarda não estava interessada em "filosofisses". Por exemplo: se atravesso a rua em um local sem faixa de pedestres? estou infringindo a lei? Se as duas da manhã, ou embaixo de um temporal, devo esperar o sinal abrir? Mesmo com a rua vazia devo esperar? E quanto a ineficiencia dos sinaleiros, que nem sempre são bem programados e fazem com que um grupo de pessoas fique amontoado no meio de uma avenida?
Como ja disse, a lei é irracional, ou possui uma outra forma de razão, o que é mais provável. Para o cidadão comum a razão da lei é o medo, de ser multado ou punido de alguma forma. Não é a base do medo que penso em uma sociadade melhor, pois que me multem, pago, e se puder não pago.
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Esse pedaço acima escrevi há vários dias. Iria publicar como uma espécie de conclusão da primeira etapa, como disse. Não fiz. Faço agora e acrescento um dado curioso que me aconteceu hoje.
Atravessei a rua perto de casa, na faixa, com o sinal de pedestres vermelho. Esperei os carros passarem, é claro. Não andei cinqüenta metros quando uma garota, uniformizada se aproximou e pediu minha identificação. Ela me disse: "Você não pode atravessar a rua com o sinal vermelho, é a lei, você pode receber uma multa". Eu disse, "obrigado pela informação, eu não sabia". Continuei andando para a universidade e no caminho fechou-se o ciclo de uma reflexão iniciada quase um mês atrás. Lembram quando contei um episódio parecido com esse? Daquela vez a "guarda" não me disse que eu não podia atravessar o sinal vermelho! Ela sabia que eu era estrangeiro, por que ela não me falou? Até hoje, quase dois meses, ninguém jamais tocou no assunto comigo ou perto de mim. Hipocrisia! Pura hipocrisia. A hipocrisia é um mal universal, o lado bom da hipocrisia eu não consigo enxergar. Mais adiante, todos parados, amontoados no pequeno espaço no meio da avenida. Um rapaz atravessa o sinal vermelho, claro, ele fez uso de sua capacidade racional, não havia nenhum carro! O medo é irracional, sem dúvida, e a normatividade da lei conta com o medo para ter efeito. O problema é que ao se deixar de lado a razão, quando se está entre o medo e a norma, apela-se à hipocrisia, aí está. Esta é a gênese da hipocrisia, entre a norma e o medo, quem poderia suspeitar desta origem dicotomica do hipocrita?
E eu, onde fico, com minha tese política de desobediencia civil, contra a hipocrisia, e enquanto estrangeiro? Continuo atravessando o sinal vermelho, não consigo fazer diferente. Claro que o que penso em fazer é tomar conhecimento da lei, e analisá-la. Pois tenho muitas perguntas e a garota de guarda não estava interessada em "filosofisses". Por exemplo: se atravesso a rua em um local sem faixa de pedestres? estou infringindo a lei? Se as duas da manhã, ou embaixo de um temporal, devo esperar o sinal abrir? Mesmo com a rua vazia devo esperar? E quanto a ineficiencia dos sinaleiros, que nem sempre são bem programados e fazem com que um grupo de pessoas fique amontoado no meio de uma avenida?
Como ja disse, a lei é irracional, ou possui uma outra forma de razão, o que é mais provável. Para o cidadão comum a razão da lei é o medo, de ser multado ou punido de alguma forma. Não é a base do medo que penso em uma sociadade melhor, pois que me multem, pago, e se puder não pago.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Quase uma semana
Estou fazendo um esforço pra não perder de vista as intenções deste blog, isto é, manter o costume de registrar impressões cotidianas que experimento aqui em Tel-Aviv. Um dos problemas tem sido o fato de que o registro das impressões banais começam a perder o sentido a medida que se vai acostumando a elas. Já havia levantado esta questão em posts anteriores, mencionei o modo como as impressões vinham se transformando. Depois que estas impressões se tornam comuns e a pessoa já não se estranha mais tanto com elas, começa-se a produzir outro tipo de reflexão, outro modo de interpretação. Quero dizer que se começa a ir mais fundo nas banalidades, que estão na superfície, pois todas banalidades têm um fundo complexo que as fazem emergir. Vivemos a superfície e a profundidade dos fatos ao mesmo tempo, mas percebemos a superficie com mais rapidez, como quando algo nos atinge, ou então nos cortamos, o efeito da profundidade do corte é sempre posterior, não sentimos a profundidade do corte no exato momento do corte propriamente.
Sendo assim, já se passou quase uma semana desde a ultima postagem. Não que não tenha experimentado situações curiosas, engraçadas ou importantes, simplesmente agora esses acontecimentos são percebidos como parte de um todo, uma ampla rede de efeitos e causas e este fato torna as conclusões mais demoradas.
Não havia comentado, na minha ida a Haifa, que me disseram que a universidade de lá, que se localiza em dois edifícios gigantescos que se avista de quase todo canto da cidade, é obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemaier. Comentei que ele tinha completado 100 anos este ano e que contiuava realizando projetos arquitetônicos. Este comentário causa uma forte impressão em quem o escuta.
Sendo assim, já se passou quase uma semana desde a ultima postagem. Não que não tenha experimentado situações curiosas, engraçadas ou importantes, simplesmente agora esses acontecimentos são percebidos como parte de um todo, uma ampla rede de efeitos e causas e este fato torna as conclusões mais demoradas.
Não havia comentado, na minha ida a Haifa, que me disseram que a universidade de lá, que se localiza em dois edifícios gigantescos que se avista de quase todo canto da cidade, é obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemaier. Comentei que ele tinha completado 100 anos este ano e que contiuava realizando projetos arquitetônicos. Este comentário causa uma forte impressão em quem o escuta.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Haifa
Meus caros amigos, familiares e leitores já devem ter notado que a freqüência com que estou escrevendo neste blog tem diminuido. Talvez seja apenas uma fase passageira, talvez algo esteja realmente mudando. Vamos ver. Hoje estive em Haifa. Uma cidade ao norte de Israel, uma hora de ônibus. Por aí vocês podem ir percebendo que as distâncias aqui não são muito grandes, pelo menos as geográficas. Mas estive em Haifa numa manobra arriscada, quer dizer, acordei com a intenção de não ficar em casa hoje. A landlady aqui está gripada novamente/ainda. E eu estou praticamente curado da minha infecção. É o fim de semana e não quero permancer num ambiente em que uma pessoa doente, que não toma cuidados consigo mesmo está tossindo sem parar e espirrando espalhando mais uma geração de vírus pelo ambiente todo. Escrevi para o Dascal e me ofereci para ajudar ele com o que estivesse precisando, qualquer coisa. Um leitor, um carregador, um debatedor, acabei servindo de compania no caminho para Haifa, pois ele estava indo para lá visitar sua filha que acaba de dar à luz. Chegando lá, dei alô para a jovem mãe, cumprimentei os avós e caí fora. Me lancei às ruas de Haifa, disposto a qualquer coisa. Nem tanto assim, mais ou menos.
Bom, liguei para o Kobi, um conhecido que havia encontrado aqui na universidade e sobre quem havia escrito uma postagem a respeito de uma conversa de mais de 4 horas. Sendo o início do shabbat, isto significa que tudo vai parar, não vai haver ônibus para voltar pra Tel-Aviv. Demos um jeito, e ainda assim conseguimos nos encontrar, comer umas rosquinhas marroquinas (não lembro o nome) que comprei por acaso e ele ficou entusiasmado. Ele me trouxe um sanduiche com humus caseiro, e mais um com alguma coisa que também não lembro o nome. É impossível lembrar o nome de todas essas coisas. Comemos nossas rosquinhas, um folheado com batata que eu comprei (coisa estranha, pensei que fosse queijo e era batata), e tomamos chá gelado. Fomos na Praia, pois Haifa é na beira do mar e aliás muito bonita. É uma cidade em que árabes (mulçumanos e cristãos) e judeus convivem.
Consegui pegar umas espécie de lotação de Haifa para Tel-Aviv, pois já havia acabado os ônibus, as 4 da tarde e eu havia perdido o último. No caminho de volta conheci um cara chamado Yari, artista plástico, que vive em Tel-Aviv. Viemos o camiho todo filosofando. É realmente muito fácil estabelcer conversa com os israelenses. Basta dizer alguma coisa que se parece com um tópico de debate, se for polêmico, melhor ainda. Pra quem gosta do exercício é excelente, eu gosto.
Bom, liguei para o Kobi, um conhecido que havia encontrado aqui na universidade e sobre quem havia escrito uma postagem a respeito de uma conversa de mais de 4 horas. Sendo o início do shabbat, isto significa que tudo vai parar, não vai haver ônibus para voltar pra Tel-Aviv. Demos um jeito, e ainda assim conseguimos nos encontrar, comer umas rosquinhas marroquinas (não lembro o nome) que comprei por acaso e ele ficou entusiasmado. Ele me trouxe um sanduiche com humus caseiro, e mais um com alguma coisa que também não lembro o nome. É impossível lembrar o nome de todas essas coisas. Comemos nossas rosquinhas, um folheado com batata que eu comprei (coisa estranha, pensei que fosse queijo e era batata), e tomamos chá gelado. Fomos na Praia, pois Haifa é na beira do mar e aliás muito bonita. É uma cidade em que árabes (mulçumanos e cristãos) e judeus convivem.
Consegui pegar umas espécie de lotação de Haifa para Tel-Aviv, pois já havia acabado os ônibus, as 4 da tarde e eu havia perdido o último. No caminho de volta conheci um cara chamado Yari, artista plástico, que vive em Tel-Aviv. Viemos o camiho todo filosofando. É realmente muito fácil estabelcer conversa com os israelenses. Basta dizer alguma coisa que se parece com um tópico de debate, se for polêmico, melhor ainda. Pra quem gosta do exercício é excelente, eu gosto.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
A bolha universitaria
Ontem resolvi sair um pouco da minha bolha universitaria por aqui e ir dar uma olhada no centro da cidade. Já vai fazer um mês que estou aqui e ja estava me sentindo como formiga, todo dia o mesmo caminho. Aqui não conheci muita gente ainda, não fiz amigos ainda, é pouco tempo eu sei, mas senti que se eu ficasse só nos livros, poderia passar um ano e eu não veria nada. O input é muito grande e a possibilidade de pesquisa também, existe muito material disponivel e o desenvolvimento da pesquisa anda rápido, apesar de que eu nao conseguiria dar conta de tudo em uma vida inteira. Para terem uma idéia, numa área como filosofia da ciência por exemplo, bastante modesta, encontro aqui na biblioteca umas dez estantes recheadas de livros, sem falar nas revistas (journals). E ainda por cima, conectado aqui na rede da universidade tenho acesso as bases de dados mais importantes, direto, basta entrar o site da editora e pronto, esta tudo na mão. Então a pesquisa deve se orientar por outros criterios, é preciso saber escolher, selecionar, ser seletivo, e não é preciso fazer milagre com o que cair nas mãos e ainda por cima agradecer que achei algum material. Tem coisa demais, e é engraçado como isso tambem direciona a pesquisa para uma certa originalidade, até mesmo por necessidade, ninguém consegue resenhar tudo que esta disponivel, é preciso passar por cima de muita coisa.
Como disse, ontem fui no centro, vi um pouco da Tel-Aviv turística, fui finalmente na beira mar. Tinha até uns turistas na praia. Fui no mercado publico também. É um piada, não existe um mercado, uma construção, um prédio, é tudo embaixo de tendas nas ruas entre as casas (sobrados) e ali se vende de tudo, de verduras a roupas, de cigarros a carnes, doces, pães, tudo no maior movimento de pessoas, e não pe coisa pra bonito, porque o bonito ali tem que se ter olhos pra poder ver. Tive a sensação de estar num daqueles mercados arabes de filme, é identico. Gente gritando, agua escorrendo pelo chão, um beco com carnes e peixes que dá até medo de entrar. Eu gostei, achei muito legal, nesta rua que chama Ha-Karmel, e outras adjacentes, está o coração de Tel-Aviv, coração vivo, com sangue, por que a cidade também tem outros corações. Andei muito, pelo centro todo. A noite fui para o Ulpan, mais uma aula de integração, como diz a professora. O grupo esta ficando cada vez melhor. Da Colômbia ao Nepal, da China ao Brasil, Grécia e Turquia, tem de tudo. Até agora não apareceu nenhum africano, mas ontem pareceu um australiano. A discussão ontem era se Israel era parte da Asia ou da Africa!, é dificil mesmo de definir. Ou será que é Europa? Oriente Médio, dizem.
Como disse, ontem fui no centro, vi um pouco da Tel-Aviv turística, fui finalmente na beira mar. Tinha até uns turistas na praia. Fui no mercado publico também. É um piada, não existe um mercado, uma construção, um prédio, é tudo embaixo de tendas nas ruas entre as casas (sobrados) e ali se vende de tudo, de verduras a roupas, de cigarros a carnes, doces, pães, tudo no maior movimento de pessoas, e não pe coisa pra bonito, porque o bonito ali tem que se ter olhos pra poder ver. Tive a sensação de estar num daqueles mercados arabes de filme, é identico. Gente gritando, agua escorrendo pelo chão, um beco com carnes e peixes que dá até medo de entrar. Eu gostei, achei muito legal, nesta rua que chama Ha-Karmel, e outras adjacentes, está o coração de Tel-Aviv, coração vivo, com sangue, por que a cidade também tem outros corações. Andei muito, pelo centro todo. A noite fui para o Ulpan, mais uma aula de integração, como diz a professora. O grupo esta ficando cada vez melhor. Da Colômbia ao Nepal, da China ao Brasil, Grécia e Turquia, tem de tudo. Até agora não apareceu nenhum africano, mas ontem pareceu um australiano. A discussão ontem era se Israel era parte da Asia ou da Africa!, é dificil mesmo de definir. Ou será que é Europa? Oriente Médio, dizem.
domingo, 25 de novembro de 2007
Domingo
Ainda não me acostumei de todo com o fato da semana de trabalho começar no domingo. Fico meio confuso, pela manhã fico me perguntando se é mesmo dia de trabalho, aí vejo as outras pessoas, escuto o barulho nas ruas e confirmo a mim mesmo que sim, é dia de trabalho. Acredito que esta sensação irá perdurar ainda um pouco, principalemente pelo contato com amigos e familiares aí no Brasil e em outras partes em que se usa o mesmo calendário. O calendário aqui também é o mesmo, apesar de haver o calendário tradicional (lunar), que diz que estamos no ano de 5640 e alguma coisa. Bom, para os mulçamos ainda estamos em 1400 e alguma coisa. Mas como o mundo tende a ser um só, aqui também prevalece o calendário juliano/gregoriano (se não me engano de nome). Lembro que quando era criaça não sei por qual motivo e sob quais condições ensinavam que a semana começava (de verdade) no domingo, possivelmente algum resquício da tradição judaica no mundo cristão.
Ainda há pouco sai para ir dar uma mãozinha para a Hava Shani, que é do escritório de assuntos interacadêmicos (que me ajudou com algumas coisas aqui em Israel, acho que já comentei), ela precisava ler um documento em espanhol e fui lá pra ler para ela. Na volta passei no Gilmann (o prédio da filosofia) e fui até uma cafeteria que eles tem lá. Muito bacana. Vários ambientes. Queria dizer que vários lugares aqui, como cafeterias e etc, são bem equipados, com vários ambientes, sofás, cadeiras e mesas de vários tipos, dá um certo ar de coisa chique, mas de fato são lugares bem simples, sem aquela assepsia que vemos em lugares do mesmo tipo no Brasil. A tecnologia disponível não é coisa pra bonito e as desorganizações e sujeiras de uso lembram as de qualquer lugar do mesmo gênero que temos aí no Brasil. Mas ía dizer, estava lá pra dar uma olhada e talvez tomar um café, pedi. Pela primeira vez arrisquei falar em hebraico em público com alguém desconhecido. Nada demais, apenas umas palavras chaves, olá, café, médio, por favor. A garota da máquina de café fez uma observação que eu havia sido muito formal, ou polido (polite) e eu disse que era porque ainda estava aprendendo a língua, e de repente, um rapaz que estava atrás de mim e que eu não havia visto, disse pra garota que eu havia sido formal porque eu não era daqui, aí eu confirmei dizendo que era isso, também.
Bom, temos novidades no mundo blogueiro. A Clara acaba de inaugurar sua primeira tentativa de blog, e parece que o nosso amigo Alberto vai acabar entrando nessa também. É isso aí, vamos aos blogs. Desejo boa sorte e que tenham perseverança, pois sei que não é facil manter um desses, como já disse conheço alguns super atualizados, bonitos até, cheios de links. Acho que vou inaugurar uma seção de links no meu pra completar um pouco mais esta rede.
O Paul me mandou um comentário a parte, via e-mail, falando sobre a minha última postagem, em que comentei o encontro com o rapaz ortodoxo. Bastante interessante o comentário que o Paul faz, como sempre. Queria dizer que ando encucado com uma coisa. Tem surgido um certo número de publicações (me refiro a alguns livros, os quais não sei se menciono, pra não ficar fazendo propaganda de publicações que não recomendo) de autores influentes escrevendo contra a religião em geral. Vou mencionar os autores. Escritores como Richard Dawkins e Sam Harris são dois que me ocorrem porque ambos possuem publicações recentes com traduções também recentes no Brasil. Estes caras vendem livro que nem água, e o principal argumento deles é que a religião é irracional, que só faz mau à humanidade e que por isso deveria ser extinguida, ou algo do gênero. Geralmente falam em nome de uma suposta racionalidade (científica) que seria a redenção da humanidade. Não sei nem por onde começar. Estes indivíduos não passam de radicais, totalitários que condenam a religião (ou o pensamento religioso) agindo da mesma maneira que aqueles que condenam, são uns aproveitadores de uma camada da população de descrédulos, o que é um sintoma do nosso tempo, em lugares como os Estados Unidos, onde o fundamentalismo está na base de sua origem. Estes escritores dizem-se ateus. Quem me conhece sabe que não sou religioso, que não sigo o pratico nenhuma doutrina, mas o caso é que vejo na religião um dos modos do pensamento humano, enquanto estes aproveitadores escondem o fato de que a tal ciência que eles louvam nasceu no seio deste mesmo pensamento que condenam. Não passam de fanáticos disfarçados.
Ainda há pouco sai para ir dar uma mãozinha para a Hava Shani, que é do escritório de assuntos interacadêmicos (que me ajudou com algumas coisas aqui em Israel, acho que já comentei), ela precisava ler um documento em espanhol e fui lá pra ler para ela. Na volta passei no Gilmann (o prédio da filosofia) e fui até uma cafeteria que eles tem lá. Muito bacana. Vários ambientes. Queria dizer que vários lugares aqui, como cafeterias e etc, são bem equipados, com vários ambientes, sofás, cadeiras e mesas de vários tipos, dá um certo ar de coisa chique, mas de fato são lugares bem simples, sem aquela assepsia que vemos em lugares do mesmo tipo no Brasil. A tecnologia disponível não é coisa pra bonito e as desorganizações e sujeiras de uso lembram as de qualquer lugar do mesmo gênero que temos aí no Brasil. Mas ía dizer, estava lá pra dar uma olhada e talvez tomar um café, pedi. Pela primeira vez arrisquei falar em hebraico em público com alguém desconhecido. Nada demais, apenas umas palavras chaves, olá, café, médio, por favor. A garota da máquina de café fez uma observação que eu havia sido muito formal, ou polido (polite) e eu disse que era porque ainda estava aprendendo a língua, e de repente, um rapaz que estava atrás de mim e que eu não havia visto, disse pra garota que eu havia sido formal porque eu não era daqui, aí eu confirmei dizendo que era isso, também.
Bom, temos novidades no mundo blogueiro. A Clara acaba de inaugurar sua primeira tentativa de blog, e parece que o nosso amigo Alberto vai acabar entrando nessa também. É isso aí, vamos aos blogs. Desejo boa sorte e que tenham perseverança, pois sei que não é facil manter um desses, como já disse conheço alguns super atualizados, bonitos até, cheios de links. Acho que vou inaugurar uma seção de links no meu pra completar um pouco mais esta rede.
O Paul me mandou um comentário a parte, via e-mail, falando sobre a minha última postagem, em que comentei o encontro com o rapaz ortodoxo. Bastante interessante o comentário que o Paul faz, como sempre. Queria dizer que ando encucado com uma coisa. Tem surgido um certo número de publicações (me refiro a alguns livros, os quais não sei se menciono, pra não ficar fazendo propaganda de publicações que não recomendo) de autores influentes escrevendo contra a religião em geral. Vou mencionar os autores. Escritores como Richard Dawkins e Sam Harris são dois que me ocorrem porque ambos possuem publicações recentes com traduções também recentes no Brasil. Estes caras vendem livro que nem água, e o principal argumento deles é que a religião é irracional, que só faz mau à humanidade e que por isso deveria ser extinguida, ou algo do gênero. Geralmente falam em nome de uma suposta racionalidade (científica) que seria a redenção da humanidade. Não sei nem por onde começar. Estes indivíduos não passam de radicais, totalitários que condenam a religião (ou o pensamento religioso) agindo da mesma maneira que aqueles que condenam, são uns aproveitadores de uma camada da população de descrédulos, o que é um sintoma do nosso tempo, em lugares como os Estados Unidos, onde o fundamentalismo está na base de sua origem. Estes escritores dizem-se ateus. Quem me conhece sabe que não sou religioso, que não sigo o pratico nenhuma doutrina, mas o caso é que vejo na religião um dos modos do pensamento humano, enquanto estes aproveitadores escondem o fato de que a tal ciência que eles louvam nasceu no seio deste mesmo pensamento que condenam. Não passam de fanáticos disfarçados.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Conversa sobre o fundamento da vida
Me recuperando do resfriado tenho aquela sensação de que a vida tem um sabor muito bom, que só percebemos em momentos muito específicos, pois afinal não é sempre que estamos radiantes a respeito de nossas próprias vidas. Falo daquela sensação que sentimos ao nos recuperarmos de uma doença qualquer, grave ou não, como que parecendo que entramos de volta no potencial de estar vivo, ou algo assim. Tenho percebido que bastante gente está com sintomas parecidos com estes meus, garganta inflamada, no supermercado, na rua, na universidade. Certamente deve ser uma espécie de epidemia, eu não esperava ser atingido neste momento, já que havia passado por uma gripe bem grave no Brasil, antes de vir para cá, e depois por que parece que quando se está em lugar estranho de alguma forma se está imune às viroses locais, mas como hoje tudo é global, quem duvida que uma epidemia destas possa se estender aravés dos continentes? O aumento do poder de comunicação também aumenta o poder de tansmissão de tudo que antes era circunscrito ao local, doenças inclusive.
Antes que começasse o shabat sai de casa e fui ao outro bairro aqui perto, Neve-Avivim, a procura de equinácea, um remédio natural, extraído de um planta que é bastante conhecida no hemisfério norte, a Clara havia me recomendado para a infecção na garganta. A planta possui a propriedade de ativar ao máximo o sistema imunológico e ajuda bastante em casos deste tipo. Encontrei uma farmácia em que consegui um bom preço pela remédio, sai satisfeito.
Quando voltava pra casa, resolvi atravessar através de um parque que fica ao lado da rua Tagore, vinha com certa pressa, pois já começava a esfriar e não queria dar chance ao resfriado de piorar. Quando saí do parque e ía pegar a calçada na Tagore vi um homem, vestido como ortodoxo, chapeu, casaco e calça pretos, camisa branca com algumas franjas aparecendo por baixo da camisa, usando barba. Alguns garoto passaram por ele antes de mim e disseram, "não, obrigado". Quando passei por ele, me ofereceu algo que não entendi, pedi desculpas (sorry), ele repetiu em inglês, continuei sem enteder, aí ele me disse, "você é judeu, não é", e eu disse que não. De repente começamos a caminhar, ele perguntou o que eu fazia, falei que estuva e ele deduziu que era na universidade de Tel-Aviv, eu disse que sim. Nosso diálogo ía meio truncado, eu perguntei e ele, o que ele fazia?, me disse que estudava a Torá, eu disse que já tiha ouvido a respeito do livro, ele me disse que era mais do que um livro, era um guia de como viver, em todos os aspectos, ele me deu alguns detalhes, e reparei que não era um homem, era um rapaz, jovem, talvez 20 anos, no máximo. Me explicou que a Torá tinha tais e tais partes e que os gentios (no caso eu) tabém podiam estudá-la, me falou da Guemara, uma das partes do "livro", aí eu perguntei o que acontecia caso ele se deparasse om alguma situação que não estava prevista no livro, como ele faria, e ele disse que não era possível, tudo estava lá, que o livro era uma explicação, ou um projeto para o mundo todo e que Deus tinha alguma coisa a ver com tudo isso, o que não compreendi bem. No fim da calçada, ele me cumprimetou, apertamos as mãos, ele me desejou uma boa vida (have a good life), eu disse obrigado e desejei o mesmo a ele. Nesse momento passava um homem com um cachorro bastante grande e o cachorro avançou no rapaz, mas o homem segurou o animal a tempo.
Vim embora, satisfeito por ter podido conversar com o rapaz, pois é possível ver vários ortodoxos pelas ruas e fico curioso pra falar com um deles, saber algo das suas vidas mas uma abordagem assim do nada não seria apropriada, há de se convir. Em casa contei a história para a Dorit e ela me disse que ele queria me vender alguma espécie de paramento, tipo uma fita ou tira de couro ou algo semelhante que se enrola pelas mãos, nos punhos e nos braços, e que desconheço a função. Ela disse que ninguém gosta dos ortodoxos porque eles vivem com o dinheiro nosso (dela como grupo não ortodoxo, ela queria dizer) pois eles não trabalham, não servem o exercito, vivem com dinheiro do governo, passam o dia estudando a Torá, em geral têm uma penca de filhos. Pelo jeito nem os cães ou os seus donos não simpatizam muito com eles. Já ouvi por aqui várias expressões de desagrado em relação a este grupo da sociedade israelense que segundo dizem chega já a quase 1/4 da população (nao sei ao certo, já ouvi cifras maiores).
Sei que este grupo não serve o exercito porque são contrarios à violência, e no tal artigo que li a respeito da prostituiçao em Israel, dizia que os ortodoxos são um dos grupos que utilizam com frequencia este tipo de serviço. Curioso como determinados grupos humanos na tentativa de preservação de certos princípios pelos quais pautam sua vidas específicas de grupo realizam práticas que são contrárias à sustentação do grupo humano como um todo, independente dos limites de filiação ou participação. Digo isso, porque o artigo dizia que os ortodoxos procuram a prostituição para não praticar sexo com suas proprias mulheres e que em geral não usam preservativos porque é contrário a algum de seus princípios que não sei qual é. A situação da prostituição se agrava quando as pessoas que oferecem este tipo de serviço não se encontram inseridos, são marginalizados e ligam-se à determinadas formas de criminalidade. A maioria das mulheres que trabalham neste setor chegam a Israel através do tráfico de escravos, pois esta é sua condição na mão de seus donos que as trazem principalmente da Rússia.
Antes que começasse o shabat sai de casa e fui ao outro bairro aqui perto, Neve-Avivim, a procura de equinácea, um remédio natural, extraído de um planta que é bastante conhecida no hemisfério norte, a Clara havia me recomendado para a infecção na garganta. A planta possui a propriedade de ativar ao máximo o sistema imunológico e ajuda bastante em casos deste tipo. Encontrei uma farmácia em que consegui um bom preço pela remédio, sai satisfeito.
Quando voltava pra casa, resolvi atravessar através de um parque que fica ao lado da rua Tagore, vinha com certa pressa, pois já começava a esfriar e não queria dar chance ao resfriado de piorar. Quando saí do parque e ía pegar a calçada na Tagore vi um homem, vestido como ortodoxo, chapeu, casaco e calça pretos, camisa branca com algumas franjas aparecendo por baixo da camisa, usando barba. Alguns garoto passaram por ele antes de mim e disseram, "não, obrigado". Quando passei por ele, me ofereceu algo que não entendi, pedi desculpas (sorry), ele repetiu em inglês, continuei sem enteder, aí ele me disse, "você é judeu, não é", e eu disse que não. De repente começamos a caminhar, ele perguntou o que eu fazia, falei que estuva e ele deduziu que era na universidade de Tel-Aviv, eu disse que sim. Nosso diálogo ía meio truncado, eu perguntei e ele, o que ele fazia?, me disse que estudava a Torá, eu disse que já tiha ouvido a respeito do livro, ele me disse que era mais do que um livro, era um guia de como viver, em todos os aspectos, ele me deu alguns detalhes, e reparei que não era um homem, era um rapaz, jovem, talvez 20 anos, no máximo. Me explicou que a Torá tinha tais e tais partes e que os gentios (no caso eu) tabém podiam estudá-la, me falou da Guemara, uma das partes do "livro", aí eu perguntei o que acontecia caso ele se deparasse om alguma situação que não estava prevista no livro, como ele faria, e ele disse que não era possível, tudo estava lá, que o livro era uma explicação, ou um projeto para o mundo todo e que Deus tinha alguma coisa a ver com tudo isso, o que não compreendi bem. No fim da calçada, ele me cumprimetou, apertamos as mãos, ele me desejou uma boa vida (have a good life), eu disse obrigado e desejei o mesmo a ele. Nesse momento passava um homem com um cachorro bastante grande e o cachorro avançou no rapaz, mas o homem segurou o animal a tempo.
Vim embora, satisfeito por ter podido conversar com o rapaz, pois é possível ver vários ortodoxos pelas ruas e fico curioso pra falar com um deles, saber algo das suas vidas mas uma abordagem assim do nada não seria apropriada, há de se convir. Em casa contei a história para a Dorit e ela me disse que ele queria me vender alguma espécie de paramento, tipo uma fita ou tira de couro ou algo semelhante que se enrola pelas mãos, nos punhos e nos braços, e que desconheço a função. Ela disse que ninguém gosta dos ortodoxos porque eles vivem com o dinheiro nosso (dela como grupo não ortodoxo, ela queria dizer) pois eles não trabalham, não servem o exercito, vivem com dinheiro do governo, passam o dia estudando a Torá, em geral têm uma penca de filhos. Pelo jeito nem os cães ou os seus donos não simpatizam muito com eles. Já ouvi por aqui várias expressões de desagrado em relação a este grupo da sociedade israelense que segundo dizem chega já a quase 1/4 da população (nao sei ao certo, já ouvi cifras maiores).
Sei que este grupo não serve o exercito porque são contrarios à violência, e no tal artigo que li a respeito da prostituiçao em Israel, dizia que os ortodoxos são um dos grupos que utilizam com frequencia este tipo de serviço. Curioso como determinados grupos humanos na tentativa de preservação de certos princípios pelos quais pautam sua vidas específicas de grupo realizam práticas que são contrárias à sustentação do grupo humano como um todo, independente dos limites de filiação ou participação. Digo isso, porque o artigo dizia que os ortodoxos procuram a prostituição para não praticar sexo com suas proprias mulheres e que em geral não usam preservativos porque é contrário a algum de seus princípios que não sei qual é. A situação da prostituição se agrava quando as pessoas que oferecem este tipo de serviço não se encontram inseridos, são marginalizados e ligam-se à determinadas formas de criminalidade. A maioria das mulheres que trabalham neste setor chegam a Israel através do tráfico de escravos, pois esta é sua condição na mão de seus donos que as trazem principalmente da Rússia.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Brasil na tv israelense
Mais um dia chuvoso, tirei pra fazer umas faxinas, lavar roupas, fui até o mercado quando a chuva estiou. De resto fiquei em casa me recuperando da infecção na garganta. Quando estava escrevendo o post anterior percebi em algum momento que algo estav soando ambíguo, chamar a medicina moderna de tradicional. Concordo com o Paul, mas acho que o significado vem mudando e outras formas de medicina que antes eram as tradicionais, hoje são em geral chamadas de alternativas. O Paul me dá uma boa dica a respeito do cuidado de si, olhando assim não percebo em que possa ter descuidado, as vezes a doença também pode significar um mal entendido entre o corpo e o ambiente, e neste caso mais uma vez é uma questão de atenção.
Fui até a sala e a tv estava ligada em uma novela brasileira, com o José Wilker e outros atores bem conhecidos. O curioso é que é mantido a voz original dos autores, em português, e são colocadas legendas em hebraico. Aqui quando falam das novelas eles dizem the brazilian telenovelas. Parece que não é apenas o futebol que serve de propaganda e divulgação do Brasil pelo mundo. Afinal, o mundo é pequeno o Brasil é grande e por menor que fosse, se do tamanho de Israel, ainda assim teria muito a mostrar, assim como tem Israel que além de pequeno em tamanho é jovem e ao mesmo tempo antigo, muito antigo, será que tem alguém que não sabe?
Já mencionei aqui um livro que estava lendo antes de vir para cá, Filosofia do Judaísmo, de Julius Guttman, um filósofo alemão mais tarde radicado em Jerusalem, que apresenta neste livro as relações da filosofia grega com o pesamento judaico. É um livro muito bom, mas a leitura não é muito fácil, pois é um tratadoque envolve várias correntes de pensamento e é preciso um pouco de fôlego. Vou repetir aqui uma indicação: para quem estiver interessado em um leitura com fluidez mas com profundidade psicológica aconselho ler A Noite, de Elie Wiesel. Leia este livro e depois me diga se algo não mudou em você. Conheço pessoas que passaram por ele e não foram atingidas, mas são minoria. A Carla pergunta pela referência do Canetti, assim que eu for ao escritório novamente eu indico aqui.
Fui até a sala e a tv estava ligada em uma novela brasileira, com o José Wilker e outros atores bem conhecidos. O curioso é que é mantido a voz original dos autores, em português, e são colocadas legendas em hebraico. Aqui quando falam das novelas eles dizem the brazilian telenovelas. Parece que não é apenas o futebol que serve de propaganda e divulgação do Brasil pelo mundo. Afinal, o mundo é pequeno o Brasil é grande e por menor que fosse, se do tamanho de Israel, ainda assim teria muito a mostrar, assim como tem Israel que além de pequeno em tamanho é jovem e ao mesmo tempo antigo, muito antigo, será que tem alguém que não sabe?
Já mencionei aqui um livro que estava lendo antes de vir para cá, Filosofia do Judaísmo, de Julius Guttman, um filósofo alemão mais tarde radicado em Jerusalem, que apresenta neste livro as relações da filosofia grega com o pesamento judaico. É um livro muito bom, mas a leitura não é muito fácil, pois é um tratadoque envolve várias correntes de pensamento e é preciso um pouco de fôlego. Vou repetir aqui uma indicação: para quem estiver interessado em um leitura com fluidez mas com profundidade psicológica aconselho ler A Noite, de Elie Wiesel. Leia este livro e depois me diga se algo não mudou em você. Conheço pessoas que passaram por ele e não foram atingidas, mas são minoria. A Carla pergunta pela referência do Canetti, assim que eu for ao escritório novamente eu indico aqui.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Dia cinza e chuvoso
Hoje fiquei em casa me recuperando de alguma coisa que peguei, parece ser um resfriado ou uma gripe, não sei ao certo porque não apresenta os sintomas corriqueiros. A unica coisa que sinto é uma coceirinha na garganta o que provoca uma tosse chata. Atribuo esta infecção ao entra-e-sai de ares condicionados que experimento com freqüência. Houve uma queda brusca da temperatura e hoje choveu praticamente o dia todo. Não saí nem para ir no Ulpan, hoje tinha aula. Estou tomando um remédio de medicina chinesa que comprei numa espécie de farmácia que tem aqui perto, são gotas que misturo com água, chá ou suco. O preparado, que segundo informação mistura partes de plantas, tem gosto de raíz e foi a melhor opção que encontrei já que insisto em não querer tomar remédios tradicionais. As vezes, uma bomba qualquer daria a sensação de alívio que se procura nestas horas, mas quem sabe como e onde é que iria se refugiar o responsável pelo estado patológico. Uma doença possui um agente e o corpo é o meio em que este agente interage com outros elementos e os sintomas são os sinais desta interação. Este relacionamento possui um ciclo e é preciso esperar que este ciclo se cumpra, interrompê-lo como faz a medicina tradicional parece que pode ser um equívoco para o equilíbrio geral do organismo, mas quem sabe ao certo? A informação é que amanhã vai continuar a chover, mais do que hoje. Vai ser mais um dia em casa me recuperando, melhor. Tenho coisas suficientes pra fazer por aqui.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
18 dias em Tel-Aviv
São 17:10 da tarde e já está tudo escuro, deveria dizer "17:10 da noite", então. Hoje faz dezoito dias que estou em Tel-Aviv, e começo a ter a impressão de que algo começa a se decantar na minha percepção das coisas. Já toquei neste assunto, sobre a mudança das perspectivas, etc. Quem já morou no exterior acredito que saiba o que quero dizer, mas não acho que seja imprescindível ter tido esta experiência para entender. Explico, hoje vinha caminhando aqui para o campus e vinha pensando que Tel-Aviv é uma cidade como outra qualquer, e por que não seria?
Ontem li um artigo sobre o problema da prostituição em Israel, caso sério, seríssimo. Em Yafo, o Dascal me disse, é preciso tomar cuidado para não ser assaltado. Quer dizer, Ramat-Aviv não representa toda Tel-Aviv, e muito menos todo Israel. Já era de se esperar, até aí tudo bem. Na ida a Jerusalem (Yerushalaim, em hebraico) íamos conversando como Israel havia se tornado um país como outro qualquer, com os problemas de todos os lugares, corrupção, criminalidade, etc., isto é, os próprios israelenses começam a ter a sensação de que um velho ideal, de um estado novo e planejado para evitar os males de outros e outrora estaria se perdendo. Talvez eu devesse ter dado a este post o título "Tel-Aviv, planeta terra", mas fica pra outra oportunidade, mais adiante.
Na conferência em Jerusalem um dos membros palestino da mesa, que era composta, como disse, por três israelenses e três palestinos, narrou sua experiência de ter permanecido quatro anos numa prisão militar israelense após ter sido preso acusado como terrorista. Hoje, após ter conseguido se formar em direito, se diz bastante desiludido com o movimento de resistência palestino e que desde a última intifada (em 2000) tem passado a questionar certas práticas de resistência. No fim da palestra, eu conversava com o outro palestino, o jornalista que mencionei, sobre o papel da mídia no conflito quando este ex-prisioneiro e atual advogado chega perto de nós entra no círculo da conversa (ele e o jornalista haviam sido colegas de prisão), eu agradeci pela exposição do seu testemunho durante a mesa e ele perguntou de onde eu era, eu disse "do Brasil", e ele disse que nunca havia encontrado com nenhum brasileiro, e eu respondi que também nunca havia encontrado nenhum palestino, antes. Nos despedimos, na saída do campus, olhei para trás e vi ele dirigindo um mercedes parecendo novinho em folha.
No centro da Jerusalem oriental, paramos numa verdureira e fiquei olhando em volta, vi uma mercearia e fui até lá, só pra ver o que tinha. Dois homens sentados do lado de dentro conversavam. Me apresentei, eles me cumprimentaram, perguntaram de onde eu era, eu disse "Brasil" (puxando pelo acento inglês da palavra), me olharam e se pergutaram um ao outro "onde ficava?", antes que eu explicasse o outro disse, "ah, sim, Brasil" (com o acento arábe, que é bem similar ao francês), "football", disseram, e eu disse, "yes". Aí estava tudo bem, comecei a perguntar o que era isso, o que era aquilo, um pouco de tudo que eu via pela minha frente, eles me explicavam com bastantes detalhes, depois de alguns minutos agradeci, disse que tinha sido um prazer conhecê-los e eles me disseram a mesma coisa e disseram pra voltar ali quando eu estivesse novamente na Palestina.
Ontem li um artigo sobre o problema da prostituição em Israel, caso sério, seríssimo. Em Yafo, o Dascal me disse, é preciso tomar cuidado para não ser assaltado. Quer dizer, Ramat-Aviv não representa toda Tel-Aviv, e muito menos todo Israel. Já era de se esperar, até aí tudo bem. Na ida a Jerusalem (Yerushalaim, em hebraico) íamos conversando como Israel havia se tornado um país como outro qualquer, com os problemas de todos os lugares, corrupção, criminalidade, etc., isto é, os próprios israelenses começam a ter a sensação de que um velho ideal, de um estado novo e planejado para evitar os males de outros e outrora estaria se perdendo. Talvez eu devesse ter dado a este post o título "Tel-Aviv, planeta terra", mas fica pra outra oportunidade, mais adiante.
Na conferência em Jerusalem um dos membros palestino da mesa, que era composta, como disse, por três israelenses e três palestinos, narrou sua experiência de ter permanecido quatro anos numa prisão militar israelense após ter sido preso acusado como terrorista. Hoje, após ter conseguido se formar em direito, se diz bastante desiludido com o movimento de resistência palestino e que desde a última intifada (em 2000) tem passado a questionar certas práticas de resistência. No fim da palestra, eu conversava com o outro palestino, o jornalista que mencionei, sobre o papel da mídia no conflito quando este ex-prisioneiro e atual advogado chega perto de nós entra no círculo da conversa (ele e o jornalista haviam sido colegas de prisão), eu agradeci pela exposição do seu testemunho durante a mesa e ele perguntou de onde eu era, eu disse "do Brasil", e ele disse que nunca havia encontrado com nenhum brasileiro, e eu respondi que também nunca havia encontrado nenhum palestino, antes. Nos despedimos, na saída do campus, olhei para trás e vi ele dirigindo um mercedes parecendo novinho em folha.
No centro da Jerusalem oriental, paramos numa verdureira e fiquei olhando em volta, vi uma mercearia e fui até lá, só pra ver o que tinha. Dois homens sentados do lado de dentro conversavam. Me apresentei, eles me cumprimentaram, perguntaram de onde eu era, eu disse "Brasil" (puxando pelo acento inglês da palavra), me olharam e se pergutaram um ao outro "onde ficava?", antes que eu explicasse o outro disse, "ah, sim, Brasil" (com o acento arábe, que é bem similar ao francês), "football", disseram, e eu disse, "yes". Aí estava tudo bem, comecei a perguntar o que era isso, o que era aquilo, um pouco de tudo que eu via pela minha frente, eles me explicavam com bastantes detalhes, depois de alguns minutos agradeci, disse que tinha sido um prazer conhecê-los e eles me disseram a mesma coisa e disseram pra voltar ali quando eu estivesse novamente na Palestina.
sábado, 17 de novembro de 2007
Jerusalem II
A Carla Reichman deixou um comentário aqui e nos indicou o enderço de um site muito bacana sobre a cidade de Jerusalem, vale a pena conferir, a página possui bastante recursos interativos. O Jorge, de Curitiba, que já disse quem é, me mandou um e-mail fazendo alguns comentários mais detidos sobre os temas que venho abordando aqui e me faz um questionamento a respeito das práticas religiosas, do cotidiano, ou melhor, como eu percebo o cotidiano relgioso das pessoas aqui em Tel-Aviv. Posso dizer várias coisas. Antes de chegar novamente no tema sobre Jerusalem (e ao continuar a falar sobre a viagem de ontem, vou tocar tomabém no tema da religião) posso dizer rapidamente a vocês interessados neste assunto que tenho visto várias coisas interessantes por aqui. Antes de qualquer coisa, deixem-me dizer que meu interesse pela religião não é exatamente a de um praticante, sempre que converso com alguém sobre religião digo que me interesso pelo assunto de um ponto de vista filosófico. O Dascal que já tratou de questões sobre a religião usando a sua teoria das controvérsias, isto é analisou polêmicas envolvendo a religião, estabelece como forma de controle metodológico do assunto uma divisão em três tipos de abordagem sobre a questão das controvérsias na religião. Deixem-me ver se me recordo. Ele diz que pode haver três formas de abordar os debates religiosos: uma em que os argumentos do ponto de vista religioso entram em debate (ou diálogo) com um ponto de vista exterior ao discurso religioso (por exemplo, o científico ou o filosofico); um outro em que dentro de um determinado ponto de vista sobre a religião (uma doutrina qualquer, por exemplo) existem debates a respeito de um determinado tema, assunto, questão, tópico, etc. interno aquela determinada doutrina; e outro, finalmente, em que dois pontos de vistas que pertencem a doutrinas diferentes debatem a respeito da validade de itens, digamos, polêmicos aos dois lados. Não sei se ficou claro, mas é possivel perceber que duas destas abordagens podem ser ditas internas, produzem, quando o fazem, diálogos que pertencem aos círculos internos do pensamento religioso, enquanto que em outro, no primeiro, o discurso religioso entra em diálogo com uma perspectiva que é exterior ao seu ponto de vista. Esta divisão já é por si só bastante polêmica, e o estabelecimento destes limites entre perspectivas internas e externas não estão de modo algum livres elas próprias de controvérsias. Mas bom, tudo isso, pra dizer que qualquer coisa que eu expresse ou registre aqui sobre a questão religiosa, não só em Israel assim como de qualquer parte do mundo, faço do primeiro ponto de vista, em que a religião busca dialogar com perspectivas que lhe são alheias e que não pertencem ao corpo de sua doutrina, mas a de outras de natureza filosofica e por isso não compartilhando dos mesmo princípios que o modo religioso de tratamento de temas constrói.
Dito isso, vamos a algumas coisas que vejo por aqui. No campus da Universidade de Tel-Aviv existe uma sinagoga chamada The Cimbalist. Tem esse nome devido a sua forma arquitetonica que representa dois cimbalos, o que para quem não sabe com é o formato do pratos de uma orquestra. A construção é estilizada e chego a confundir címbalos com tímpanos, que são aqueles tambores que usa na orquestra, instrumento de percussão com altura regulável, isto é, é possível emitir um certo número de notas de uma determinada escala. Lá está a sinagoga, fica na parte do campus em que eu circulo, fica ao lado do Gillman, o prédio da filosofia e o que eu ainda não sei é se é possível entrar, qualquer um a qualquer hora no local, ainda não fui lá, apenas passei em volta, é uma bela construção. Além da sinagoga, já vi algumas vezes um rapaz que fica na entrada do campus, do lado de fora, todo paramentado, com vestes que não sei identificar, ele fica em pé, com um livro na mão, como se estivesse lendo, aparentemente rezando, e fica movimentando o corpo pra frente e pra trás. O curioso é que suas vestes incluem algo que é colocado na parte superior da cabeça, bem sobre o alto da testa e que parece ser feito de plástico na cor preta, tem a forma quadrada e é prezo por uma fita ou um elástico, não sei qual é a função daquilo, talvez sirva de antena, desculpem a brincadeira.
Além deste rapaz e de mais alguns outros que vejo vestidos de branco e preto, com chapeu e barba e que ainda não sei identificar, vejo varias pessoas comuns usando aquele pequeno chapeuzinho redondo sobre o topo da cabeça, mas não diria que a maioria das pessoas (dos homens) usa alguma vestimenta que funciona como identificação de alguma orirentaçao religiosa. O problema da questão religiosa em Israel passa por caminhos bem mais complexos dos que estes dos costumes, como por exemplo, o de não haver ônibus ou trem no shabat! Ontem quando voltavamos de Jerusalem, como o Dascal e sua esposa mais a fotografa iam para Yafo eu desci na esquina da Arlosorov com a Namir e resolvi (tive que resolver) vir caminhando, pois as 5 horas da tarde não tem mais transporte publico fucionando, por causa do shabat. Na verdade tem, pois vi vários micro onibus e alguns outros onibus (que nao me serviam e eu queria mesmo caminhar) circulando. Mas a partir de uma determinada hora, o serviço de transporte coletivo, praticamente para.
A sociedade israelense, me dizem, cada vez mais vem se secularizando e com isto alguns costumes se transformam, mas o processo é bastante lento. Talvez a questão primordial, na minha perspectiva, seja o de que o estado de Israel não é, e eu soube disso ontem, um estado laico, não de maneira explicita. Existe um certo acordo tácito entre tradição e contemporaneidade política que leva a situações do tipo em que o estado aqui não possua uma constituição nos moldes modernos do termo. Isso eu soube ontem pelo Dascal.
A história é longa, mas quero voltar logo para o assunto da viagem a Jerusalem. No caminho de volta eu comentava com o Dascal que não havia sido discutido questões de religião na tal mesa sobre o diálogo no conflito e que eu achava que esta era a questão central do problema. Foi aí que ele começou a me contar a história da formação do estado de Israel e como ele se fundou politicamente em relação à idéia de nação que se guia por um culto religioso comum. A não ser em dois momentos do evento, mencionou-se questões que tocavam o item religião, mesmo sem este estar no centro do problema. O primeiro foi quando avisaram na mesa que as falas e comentários deveriam seguir numa determinada ordem e os tempos respeitados porque num determinado momento tudo iria parar pois os palestinos mulçumanos deveriam fazer uma de suas orações diárias. Tudo bem, ninguém reclamou ou achou ruim, pelo contrário, todos fizeram o possível para respeitar a ordem. O outro momento, foi quando a garota israelense que trabalha nos assentamentos judeus no territorio palestino fazendo o levantamento dos procedimentos usados pelos colonos e de certa forma intermediando as relações fez um relato contando que um garoto de determinado lugar disse que se negaria fazer uma reverência de um minuto de quando soasse a sirene em homenagem aos mortos no conflito. Esta questão das sirenes é outro ponto que preciso explicar, para que entedam bem a questão. Não farei isso agora, basta dizer que em determinada datas em homenagem ou comemoração a certos eventos (como esse que mencionei, ou como o dia em que relembram o holocausto) soa uma sirene que é ouvida em todo o país e as pessoas param seus afazeres, os carros param nas estradas, conversas são interropidas durante um minuto. Mas o garoto se negava a reverenciar os caídos no conflito pelo fato de ser um evento promovido pelos israelenses, e a mulher que mencionei contou que perguntou a ele se ele não aceitaria comemorar também os caídos do seu lado, ele continuou sem se convencer até que chegaram a um acordo, após os dois lados cederem um pouco. Mas o que importa dizer aqui é que ao contar esta história a mulher disse que entre os israelenses percebia-se que eles consideravam este evento "de certo modo até mesmo como santo".
Dito isso, vamos a algumas coisas que vejo por aqui. No campus da Universidade de Tel-Aviv existe uma sinagoga chamada The Cimbalist. Tem esse nome devido a sua forma arquitetonica que representa dois cimbalos, o que para quem não sabe com é o formato do pratos de uma orquestra. A construção é estilizada e chego a confundir címbalos com tímpanos, que são aqueles tambores que usa na orquestra, instrumento de percussão com altura regulável, isto é, é possível emitir um certo número de notas de uma determinada escala. Lá está a sinagoga, fica na parte do campus em que eu circulo, fica ao lado do Gillman, o prédio da filosofia e o que eu ainda não sei é se é possível entrar, qualquer um a qualquer hora no local, ainda não fui lá, apenas passei em volta, é uma bela construção. Além da sinagoga, já vi algumas vezes um rapaz que fica na entrada do campus, do lado de fora, todo paramentado, com vestes que não sei identificar, ele fica em pé, com um livro na mão, como se estivesse lendo, aparentemente rezando, e fica movimentando o corpo pra frente e pra trás. O curioso é que suas vestes incluem algo que é colocado na parte superior da cabeça, bem sobre o alto da testa e que parece ser feito de plástico na cor preta, tem a forma quadrada e é prezo por uma fita ou um elástico, não sei qual é a função daquilo, talvez sirva de antena, desculpem a brincadeira.
Além deste rapaz e de mais alguns outros que vejo vestidos de branco e preto, com chapeu e barba e que ainda não sei identificar, vejo varias pessoas comuns usando aquele pequeno chapeuzinho redondo sobre o topo da cabeça, mas não diria que a maioria das pessoas (dos homens) usa alguma vestimenta que funciona como identificação de alguma orirentaçao religiosa. O problema da questão religiosa em Israel passa por caminhos bem mais complexos dos que estes dos costumes, como por exemplo, o de não haver ônibus ou trem no shabat! Ontem quando voltavamos de Jerusalem, como o Dascal e sua esposa mais a fotografa iam para Yafo eu desci na esquina da Arlosorov com a Namir e resolvi (tive que resolver) vir caminhando, pois as 5 horas da tarde não tem mais transporte publico fucionando, por causa do shabat. Na verdade tem, pois vi vários micro onibus e alguns outros onibus (que nao me serviam e eu queria mesmo caminhar) circulando. Mas a partir de uma determinada hora, o serviço de transporte coletivo, praticamente para.
A sociedade israelense, me dizem, cada vez mais vem se secularizando e com isto alguns costumes se transformam, mas o processo é bastante lento. Talvez a questão primordial, na minha perspectiva, seja o de que o estado de Israel não é, e eu soube disso ontem, um estado laico, não de maneira explicita. Existe um certo acordo tácito entre tradição e contemporaneidade política que leva a situações do tipo em que o estado aqui não possua uma constituição nos moldes modernos do termo. Isso eu soube ontem pelo Dascal.
A história é longa, mas quero voltar logo para o assunto da viagem a Jerusalem. No caminho de volta eu comentava com o Dascal que não havia sido discutido questões de religião na tal mesa sobre o diálogo no conflito e que eu achava que esta era a questão central do problema. Foi aí que ele começou a me contar a história da formação do estado de Israel e como ele se fundou politicamente em relação à idéia de nação que se guia por um culto religioso comum. A não ser em dois momentos do evento, mencionou-se questões que tocavam o item religião, mesmo sem este estar no centro do problema. O primeiro foi quando avisaram na mesa que as falas e comentários deveriam seguir numa determinada ordem e os tempos respeitados porque num determinado momento tudo iria parar pois os palestinos mulçumanos deveriam fazer uma de suas orações diárias. Tudo bem, ninguém reclamou ou achou ruim, pelo contrário, todos fizeram o possível para respeitar a ordem. O outro momento, foi quando a garota israelense que trabalha nos assentamentos judeus no territorio palestino fazendo o levantamento dos procedimentos usados pelos colonos e de certa forma intermediando as relações fez um relato contando que um garoto de determinado lugar disse que se negaria fazer uma reverência de um minuto de quando soasse a sirene em homenagem aos mortos no conflito. Esta questão das sirenes é outro ponto que preciso explicar, para que entedam bem a questão. Não farei isso agora, basta dizer que em determinada datas em homenagem ou comemoração a certos eventos (como esse que mencionei, ou como o dia em que relembram o holocausto) soa uma sirene que é ouvida em todo o país e as pessoas param seus afazeres, os carros param nas estradas, conversas são interropidas durante um minuto. Mas o garoto se negava a reverenciar os caídos no conflito pelo fato de ser um evento promovido pelos israelenses, e a mulher que mencionei contou que perguntou a ele se ele não aceitaria comemorar também os caídos do seu lado, ele continuou sem se convencer até que chegaram a um acordo, após os dois lados cederem um pouco. Mas o que importa dizer aqui é que ao contar esta história a mulher disse que entre os israelenses percebia-se que eles consideravam este evento "de certo modo até mesmo como santo".
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Jerusalem
Hoje estive em Jerusalem. Fomos a parte oriental da cidade, isto é, na parte palestina que está sob ocupação israelense, isto significa sobretudo que os israelenses podem entrar e circular por lá a vontade, mas nenhum palestino pode sair de lá. Não sei por onde começar, já que tudo vem à memória de maneira completamente torrencial. Vou tentar narrar as coisas conforme foram acontecendo, de maneira mais ou menos cronológica, pelo menos em princípio.
Acordei cedo e fui até Yafo, que ja expliquei o que é na postagem anterior. Yafo ou Jaffa fica ao sul da cidade, mas é como se fosse continuação do centro da cidade. Mas quando se entra nela, acentua-se um certo ar diferente que já se vai sentindo desde o centro mais antigo da cidade. Antigo neste caso é muito relativo, Tel-Aviv tem aproximadamente 70 anos. Mas ao entrar em Yafo pela Shderot Yerushalaim (boulevard Jerusalem) percebe-se logo uma certa atmosfera árabe, é possível enxergar torres de igrejas e de templos mulçumanos (mesquitas). Desci do ônibus e fui até a casa do Dascal, como tinhamos combinado. Lá tomamos um pequeno café, esperamos chegar a pessoa que nos acompanharia até Jerusalem, uma fotógrafa que documenta as relações entre palestinos e os israelenses, principalmente militares, nos chamado checkpoints, que são os controles que mencionei acima que impedem os palestinos de saírem do west bank.
A paisagem, o que devo dizer sobre a paisagem? Há alguém que não imagina o que seja? Pois hoje eu vi Jerusalem de perto, é dificil de descrever, mas posso dizer que o muro que os israelenses estão construindo e que separa os palestinos em guetos cada vez mais reduzidos é predominante na paisagem, ele acompanha grande parte do caminho, depois que se passa por Modi'in. Modi'in é a cidade dos antigos macabeus, que segundo me disseram, lutaram contra os romanos, e há placas pelo caminho que indicam vários locais de sítios arqueológicos.
Não chegamos a entrar propriamente em Jerusalem ocidental, nós como que circundamos a parte ocidental, que é protegida pelo muro (que tem 9 metros de altura e muitos quilometros) e por uma auto estrada que adentra pelo territorio palestino, toda protegida por cercas, chegamos a Jerusalem oriental, depois de passar por dois ou tres checkpoints.
A parte árabe é bastante desolada, o que quero dizer com isso é que é bastante mal tratada e carece de muita infra-estrutura, lembrando muito o Brasil em algumas partes lá e aqui. De repente chegamos ao fim da estrada e demos de cara no muro, aí começam os caminhos tortuosos. Precisávamos chegar à Universidade de Al-Quds, que é onde estava sendo realizado o evento "Dialogue under Occupation". O Dascal ficou responsável pela coordenação de uma mesa de encerramento. Depois de muito rodarmos por vários becos, perguntar a muitas pessoas onde ficava a universidade, sempre numa mistura de inglês, árabe e hebraico, finalmente chegamos ao portão da universidade. Eu estava no carro com 4 israelenses, e os quatro davam opiniões ao mesmo tempo e queriam dizer por onde era o caminho que deviamos ir. De repente passamos por um lugar e eu vi uma placa indicando "University Street". Era lá, mesmo assim foi dificil chegar ao tal portão. Passei por heroi por alguns minutos, até que nos perdemos novamente e os quatro começaram de novo a falar sem parar.
Acordei cedo e fui até Yafo, que ja expliquei o que é na postagem anterior. Yafo ou Jaffa fica ao sul da cidade, mas é como se fosse continuação do centro da cidade. Mas quando se entra nela, acentua-se um certo ar diferente que já se vai sentindo desde o centro mais antigo da cidade. Antigo neste caso é muito relativo, Tel-Aviv tem aproximadamente 70 anos. Mas ao entrar em Yafo pela Shderot Yerushalaim (boulevard Jerusalem) percebe-se logo uma certa atmosfera árabe, é possível enxergar torres de igrejas e de templos mulçumanos (mesquitas). Desci do ônibus e fui até a casa do Dascal, como tinhamos combinado. Lá tomamos um pequeno café, esperamos chegar a pessoa que nos acompanharia até Jerusalem, uma fotógrafa que documenta as relações entre palestinos e os israelenses, principalmente militares, nos chamado checkpoints, que são os controles que mencionei acima que impedem os palestinos de saírem do west bank.
A paisagem, o que devo dizer sobre a paisagem? Há alguém que não imagina o que seja? Pois hoje eu vi Jerusalem de perto, é dificil de descrever, mas posso dizer que o muro que os israelenses estão construindo e que separa os palestinos em guetos cada vez mais reduzidos é predominante na paisagem, ele acompanha grande parte do caminho, depois que se passa por Modi'in. Modi'in é a cidade dos antigos macabeus, que segundo me disseram, lutaram contra os romanos, e há placas pelo caminho que indicam vários locais de sítios arqueológicos.
Não chegamos a entrar propriamente em Jerusalem ocidental, nós como que circundamos a parte ocidental, que é protegida pelo muro (que tem 9 metros de altura e muitos quilometros) e por uma auto estrada que adentra pelo territorio palestino, toda protegida por cercas, chegamos a Jerusalem oriental, depois de passar por dois ou tres checkpoints.
A parte árabe é bastante desolada, o que quero dizer com isso é que é bastante mal tratada e carece de muita infra-estrutura, lembrando muito o Brasil em algumas partes lá e aqui. De repente chegamos ao fim da estrada e demos de cara no muro, aí começam os caminhos tortuosos. Precisávamos chegar à Universidade de Al-Quds, que é onde estava sendo realizado o evento "Dialogue under Occupation". O Dascal ficou responsável pela coordenação de uma mesa de encerramento. Depois de muito rodarmos por vários becos, perguntar a muitas pessoas onde ficava a universidade, sempre numa mistura de inglês, árabe e hebraico, finalmente chegamos ao portão da universidade. Eu estava no carro com 4 israelenses, e os quatro davam opiniões ao mesmo tempo e queriam dizer por onde era o caminho que deviamos ir. De repente passamos por um lugar e eu vi uma placa indicando "University Street". Era lá, mesmo assim foi dificil chegar ao tal portão. Passei por heroi por alguns minutos, até que nos perdemos novamente e os quatro começaram de novo a falar sem parar.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Tela Aviv - Yafo
Tel-Aviv é o nome do distrito que comporta vários municípios (10 ao todo). A grande Tel-Aviv é formada por cidades como: Bat Yam, Bnei Brak, Giv'Atayim, Herzliya, Holon, Ramat-Gan e Hamat HaSharon. Cada uma destas possui características pariculares, algumas são o local de residência de pessoas que pertencem a certas correntes do judaismo; Holon, por exemplo, é de maioria de samaritanos enquanto Bat Yam é lugar de maioria de imigrantes russos. Segundo a israelense-polonesa que disse que os italianos eram preguiçosos, Israel recebeu em um curto período de tempo, aproximadamente 1 milhão de imigrantes russos.
O município de Tel-Aviv se chama de fato Tel Aviv-Yafo. O nome se refere às origens da cidade, que foi se formando a partir de Yafo que é originalmente uma cidade árabe. Hoje Yafo é como que um bairro de Tel-Aviv. Diz a informação no guia que Yafo (Jaffa em árabe) é uma das cidades mais antigas do planeta habitada continuamente. Não sei bem qual é o tempo que cobre este período, mas tenho a impressão que deve ser algo como 6 mil anos.
Amanhã vou a Jerusalém, sairemos da casa do Dascal, que mora em Yafo, e por isso devo pegar o ônibus 25 e ir um montão mais adiante pra chegar até Yafo, uns 40 minutos, aprox. Não tenho saído muito em passeios. Ainda não fui nem na praia que fica relativamente perto de casa. Tenho encontrado poucas pessoas também. Tenho me concentrado no meu trabalho, estou aproveitando que estou conseguindo trabalhar bem, se tivesse muitos passeios ficaria difícil de concentrar, pois disperso com facilidade. No trabalho estou começando do começo. Por sugestão do Dascal estou lendo a Tópica do Aristóteles. Este pequeno tratado é a base de toda teoria dialética e também sobre a qual se construiu grande parte da retórica, que formam juntas a base de teorias modernas da argumentação e do diálogo e também servem de fundamento para a pragmática. Estas disciplinas são o núcleo que constituem a ferramente de análise para a teoria das controvérsias. Especificamente estou me concentrando no momento no estudo dos raciocínios abdutivos, assim como dos silogismos hipotéticos, que servem de recursos para realização de induções e inferências. Tenho tabalhado na construção da hipótese que os silogismos hipotéticos se combinam com os raciocínios abdutivos e que estes são a base do modo de argumentação utilizado por Chomsky, especialmente nos argumentos que utiliza na construção da história da linguistica gerativa e por extensão das ciências cognitivas. Vamos ver se chego a algum lugar, diz o Dascal que estou no caminho certo e ele sabe perceber essas coisas muito antes de que eu tenha sequer alguma certeza sobre o mínimo do que estou falando.
Bom, a Clara sugeriu que eu escrevesse algo sobre a minha alimentação aqui. Em breve devo fazer isso, talvez na próxima postagem. Como já mencionei no início deste blog, eu e a Clara temos um método de alimentação que possui fundamento teórico. Pra quem ainda não sabe ele se chama Macrobiótica e pressupõe antes de tudo a prática relfexiva da alimentação. A cada nova situação de alimentação é preciso encontrar uma forma de alimentar-se que propicie a aproximação a determinados princípios, como o equilíbrio (que é na verdade uma categoria ideal). Mas equilíbrio do que? A macrobiótica tem uma história curiosa. Ela surge com este nome na prática médica de um alemão chamado Hufeland, no século XVIII. Consiste nada mais do que na prática antiga na medicina (desde Hipócrates) de usar a alimentação como modo de curar a si mesmo de moléstias, ou doenças. Isto é, com uma determinada forma de alimentação fica-se livre de precisar usar remédios e recorrer à médicos para qualquer coisa. Como a alimentação é uma prática central na vida humana (social e animal), esta prática (macrobiótica) transforma-se num modo de conduzir a vida. Há várias correntes dentro da macrobótica, cada uma com suas teorias próprias e seus mestres, desde correntes que se associam ao misticismo e seguem a prática como se fosse uma seita até correntes mais esclarecidas que pensam na conjunção da alimentação saudável em relação à vida moderna. As correntes mais místicas, agregam um sem fim de doutrinas orientais na sua prática e entendem que a macrobiótica é uma prática de origem oriental. A explicação é simples. Depois da segunda guerra, com o Japão destruído, alguns indivíduos que se envolveram em um movimento de criação de uma "governo mundial" (desconheço os detalhes deste movimento), iniciaram a reconstrução de práticas tradicionais japoneses que haviam sido relegadas com o passar do tempo, durante o projeto de transformação do Japão numa nação industrial. A prática da alimentação foi uma delas. Um certo indivíduo, chamado George Osahwa, lidera um movimento que procura fundamentar práticas tradicionais da filosofia oriental com a arte da alimentação. Isto era uma tradição antiga no Japão, como já disse. Na busca de constituir este movimento, ele vai para a Europa e lá conhece as idéias deste médico alemão que mencionei e batiza suas idéias com o nome de macrobiótica. Depois da Europa, vai para os EUA e de lá o movimento se espalha pelo mundo. Ele teve vários discípulos, entre eles Tomio Kikuchi, que foi para o Brasil nos anos 50 e é o introdutor da macrobiótica no Brasil.
O município de Tel-Aviv se chama de fato Tel Aviv-Yafo. O nome se refere às origens da cidade, que foi se formando a partir de Yafo que é originalmente uma cidade árabe. Hoje Yafo é como que um bairro de Tel-Aviv. Diz a informação no guia que Yafo (Jaffa em árabe) é uma das cidades mais antigas do planeta habitada continuamente. Não sei bem qual é o tempo que cobre este período, mas tenho a impressão que deve ser algo como 6 mil anos.
Amanhã vou a Jerusalém, sairemos da casa do Dascal, que mora em Yafo, e por isso devo pegar o ônibus 25 e ir um montão mais adiante pra chegar até Yafo, uns 40 minutos, aprox. Não tenho saído muito em passeios. Ainda não fui nem na praia que fica relativamente perto de casa. Tenho encontrado poucas pessoas também. Tenho me concentrado no meu trabalho, estou aproveitando que estou conseguindo trabalhar bem, se tivesse muitos passeios ficaria difícil de concentrar, pois disperso com facilidade. No trabalho estou começando do começo. Por sugestão do Dascal estou lendo a Tópica do Aristóteles. Este pequeno tratado é a base de toda teoria dialética e também sobre a qual se construiu grande parte da retórica, que formam juntas a base de teorias modernas da argumentação e do diálogo e também servem de fundamento para a pragmática. Estas disciplinas são o núcleo que constituem a ferramente de análise para a teoria das controvérsias. Especificamente estou me concentrando no momento no estudo dos raciocínios abdutivos, assim como dos silogismos hipotéticos, que servem de recursos para realização de induções e inferências. Tenho tabalhado na construção da hipótese que os silogismos hipotéticos se combinam com os raciocínios abdutivos e que estes são a base do modo de argumentação utilizado por Chomsky, especialmente nos argumentos que utiliza na construção da história da linguistica gerativa e por extensão das ciências cognitivas. Vamos ver se chego a algum lugar, diz o Dascal que estou no caminho certo e ele sabe perceber essas coisas muito antes de que eu tenha sequer alguma certeza sobre o mínimo do que estou falando.
Bom, a Clara sugeriu que eu escrevesse algo sobre a minha alimentação aqui. Em breve devo fazer isso, talvez na próxima postagem. Como já mencionei no início deste blog, eu e a Clara temos um método de alimentação que possui fundamento teórico. Pra quem ainda não sabe ele se chama Macrobiótica e pressupõe antes de tudo a prática relfexiva da alimentação. A cada nova situação de alimentação é preciso encontrar uma forma de alimentar-se que propicie a aproximação a determinados princípios, como o equilíbrio (que é na verdade uma categoria ideal). Mas equilíbrio do que? A macrobiótica tem uma história curiosa. Ela surge com este nome na prática médica de um alemão chamado Hufeland, no século XVIII. Consiste nada mais do que na prática antiga na medicina (desde Hipócrates) de usar a alimentação como modo de curar a si mesmo de moléstias, ou doenças. Isto é, com uma determinada forma de alimentação fica-se livre de precisar usar remédios e recorrer à médicos para qualquer coisa. Como a alimentação é uma prática central na vida humana (social e animal), esta prática (macrobiótica) transforma-se num modo de conduzir a vida. Há várias correntes dentro da macrobótica, cada uma com suas teorias próprias e seus mestres, desde correntes que se associam ao misticismo e seguem a prática como se fosse uma seita até correntes mais esclarecidas que pensam na conjunção da alimentação saudável em relação à vida moderna. As correntes mais místicas, agregam um sem fim de doutrinas orientais na sua prática e entendem que a macrobiótica é uma prática de origem oriental. A explicação é simples. Depois da segunda guerra, com o Japão destruído, alguns indivíduos que se envolveram em um movimento de criação de uma "governo mundial" (desconheço os detalhes deste movimento), iniciaram a reconstrução de práticas tradicionais japoneses que haviam sido relegadas com o passar do tempo, durante o projeto de transformação do Japão numa nação industrial. A prática da alimentação foi uma delas. Um certo indivíduo, chamado George Osahwa, lidera um movimento que procura fundamentar práticas tradicionais da filosofia oriental com a arte da alimentação. Isto era uma tradição antiga no Japão, como já disse. Na busca de constituir este movimento, ele vai para a Europa e lá conhece as idéias deste médico alemão que mencionei e batiza suas idéias com o nome de macrobiótica. Depois da Europa, vai para os EUA e de lá o movimento se espalha pelo mundo. Ele teve vários discípulos, entre eles Tomio Kikuchi, que foi para o Brasil nos anos 50 e é o introdutor da macrobiótica no Brasil.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Nota solta
Continuo recebendo comentários encorajadores a respeito destas notas, continuo muito agradecido por eles. Desta vez a amiga da universidade e também dos tempos da Univali, a Chirley, autora e organizadora de um volume sobre o João do Rio, marcou sua presença neste blog com um comentário carinhoso. Vim aqui registrar esta nota por que estava folheando um volume do Elias Canetti aqui no escritório (aqui estou cercado de volumes sobre todos os assuntos, e que tratam não apenas sobre questões técnicas de pesquisa, journals especializados e tal), um volume de ensaios, e deparei com um capítulo em que ele comenta sobre a prática de manter diários. Ele diz que faz isso (mantém diários) sobretudo por uma questão de alívio, para poder descansar de assuntos cotidianos que são importantes na matéria de seus temas mais complexos de trabalho, mas que de uma forma ou de outra são apenas impressões cruas. O Paul-Marc me diz que tem se sentido compelido a retomar seus blogs que já havia iniciado e interrompido, diz que tem se sentido assim por que tem lido este aqui mas que se sente um tanto receioso devido a forma como deverá abordar os temas sobre os quais deseja escrever. Percebo que o Paul já está em tabalho de parto, força amigo. E o Binder comenta sobre os clichês e sobre o esforço em apresentar idéias de modo claro, objetivo e sincero. Prossigamos, prossigamos...
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Olhos diferentes
A cada dia vejo tudo com olhos diferentes, a cada dia todas as coisas que vejo mudam, a cada dia que passa as coisas que vejo vão se transformando, as percepções alteram-se e com elas novas avaliações. Parece que vou percebendo mais das coisas, como já disse. Assim então, vejo muitos cães e muito cocô de cachorro também, apesar das placas indicando que seus donos deveriam juntá-los. Em uma espécie de passagem que há aqui da rehov (rua) Reading onde moro para a rehov Brasil (atrás de casa), um lugar bastante agradável (pelo menos poderia ser) no canteiro lateral deve haver um milhão de cocô de cachorro. O ambiente poderia ser bem mais agradável, já que tem muitas plantas, bancos pra se sentar, não circulam carros. Numa próxima postagem vou explicar o que são estas passagens, há muitas aqui em volta. São como caminhos que levam até às moradias (casas e prédios), que geralmente estçao cercados por plantas, árvores, arbustos, etc.
Mais um dia de Ulpan e o input é enorme. Descobri outras nacionalidades na turma: grego, nepalês, chinês, francês. A garota que eu pensava que era espanhola é alemã e a mulher que eu disse que era russa é ucraniana. Mais uma vez acompanhei os filipinos e aprendi a dizer "como vai você?" em taglog, que é a língua deles: "kum sta ka?", que segundo eles vem do espanhol "como estas?". Soube também que eles trabalham de faxineiros em casas, e que muitos filipinos, mas não só, também tailandeses e nepaleses vem a Israel para cuidar de pessoas idosas. É muito comum ver na rua aqui em Ramat-Aviv orientais acompanhando idosos. A secretária do pós em inglês (literatura) que fica do lado da minha sala e que disse que era polonêsa (mas nascida em Israel), quando comenta sobre os orientais em Israel o faz com um certo ar de indignação, a minha landlady aqui em casa também. Não chega a ser extamente indignação, mas não chega também a ser perplexidade, é algo intermediário, talvez algum preconceito disfarçado ou controlado. Ela (a secretária) me perguntou como era o Brasil, aí eu disse pra ela como eu imaginava que era o Brasil, no norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e disse também como era o sul do Brasil que eu conhecia. Quando eu falei que em Santa Catarina havia muitos imigrantes alemães e italianos e que eles eram diferentes, possuiam costumes diferentes, modos e estilos de vida diferentes uns dos outros, em geral claro, que os alemães eram mais ligados à indústria (o que reflete apenas uma idéia muito geral que não corresponde à realidade) ela me disse, "sim, sim, os italianos são preguiçosos". Durante o resto da conversa fiquei pensando se eu iria dizer a ela que eu era italiano assim com ela era polonesa, mas acabei não falando.
Hoje vi um homem tentando tocar clarinete perto de um shopping na Ibn Gvirol, vi uma mulher que atravessou a rua fora da faixa em uma rótula na frente dos carros sem nem olhar pro lado e o motorista ao parar pra ela passar não demonstrou nenhum sinal de irritação. Aqui, até ônibus já parou pra mim passar (gostaram?) na faixa de pedestres quando o sinal estava aberto pra ele. Quando entrei no supermercado ninguém me revistou, no Ulpan também. Comprei uma garrafa de suco natural de grapefruit (achei amargo) e parei num banco de praça na rua Brasil pra comer meu sanduíche de humus, rabanete e salsa.
Mais um dia de Ulpan e o input é enorme. Descobri outras nacionalidades na turma: grego, nepalês, chinês, francês. A garota que eu pensava que era espanhola é alemã e a mulher que eu disse que era russa é ucraniana. Mais uma vez acompanhei os filipinos e aprendi a dizer "como vai você?" em taglog, que é a língua deles: "kum sta ka?", que segundo eles vem do espanhol "como estas?". Soube também que eles trabalham de faxineiros em casas, e que muitos filipinos, mas não só, também tailandeses e nepaleses vem a Israel para cuidar de pessoas idosas. É muito comum ver na rua aqui em Ramat-Aviv orientais acompanhando idosos. A secretária do pós em inglês (literatura) que fica do lado da minha sala e que disse que era polonêsa (mas nascida em Israel), quando comenta sobre os orientais em Israel o faz com um certo ar de indignação, a minha landlady aqui em casa também. Não chega a ser extamente indignação, mas não chega também a ser perplexidade, é algo intermediário, talvez algum preconceito disfarçado ou controlado. Ela (a secretária) me perguntou como era o Brasil, aí eu disse pra ela como eu imaginava que era o Brasil, no norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e disse também como era o sul do Brasil que eu conhecia. Quando eu falei que em Santa Catarina havia muitos imigrantes alemães e italianos e que eles eram diferentes, possuiam costumes diferentes, modos e estilos de vida diferentes uns dos outros, em geral claro, que os alemães eram mais ligados à indústria (o que reflete apenas uma idéia muito geral que não corresponde à realidade) ela me disse, "sim, sim, os italianos são preguiçosos". Durante o resto da conversa fiquei pensando se eu iria dizer a ela que eu era italiano assim com ela era polonesa, mas acabei não falando.
Hoje vi um homem tentando tocar clarinete perto de um shopping na Ibn Gvirol, vi uma mulher que atravessou a rua fora da faixa em uma rótula na frente dos carros sem nem olhar pro lado e o motorista ao parar pra ela passar não demonstrou nenhum sinal de irritação. Aqui, até ônibus já parou pra mim passar (gostaram?) na faixa de pedestres quando o sinal estava aberto pra ele. Quando entrei no supermercado ninguém me revistou, no Ulpan também. Comprei uma garrafa de suco natural de grapefruit (achei amargo) e parei num banco de praça na rua Brasil pra comer meu sanduíche de humus, rabanete e salsa.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
No hemisfério norte
Hoje antes de sair de casa lavei algumas roupas, depois fui pra universidade. Começou mais um dia das minhas aventuras lingüísticas. Quanto mais contato faço com as pessoas que realizam serviços, como atendentes, seguranças, caixas, serventes, etc., mais encontro gente que não fala inglês. Aqui em Tel-Avi fala-se principalmente cinco línguas, eu suponho, pois como digo isso a partir de uma percepção individual, não posso garantir com números estas afirmações. O estado de Israel possui duas línguas oficiais, o hebraico e o árabe. A maioria das informações públicas aparece nestas duas línguas: placas com nomes de rua, itinerários em pontos de ônibus, informações gerais em órgãos públicos, etc. Entre as pessoas, como forma de comunicação diária, percebo mais outras três: o inglês que é a que mais uso, o russo que é a que mais escuto depois do hebraico (além do inglês) e o espanhol, pois já encontrei várias pessoas que falam. Hoje entrando no campus ouvi algo familiar e quando olhei pro lado dois rapazes falavam português do Brasil. Pensei em falar com eles, mas me desviei do impulso, achei que ainda era muito cedo, ainda não estou com vontade.
Perto do shopping, escutei uma música que parecia ao vivo e vinha da direção para onde eu estava indo. Duas senhoras faziam um dueto de violino e acordeão, executando movimentos de clássicos populares: Beethoven, Mozart, Strauss, Tchaikovski. A música era boa. Fui entrar no shopping a procura de clips e lá estava a segurança na porta, a mesma que outro dia me perguntou se eu estava armado. Pediu pra eu abrir a mochila, abri, (percebi que hoje ela estava mais calma), pediu para eu tirar a mochila da frente do corpo, tirei, ela passou o detetor de metais, acusou alguma coisa, me perguntou o que eu tinha no bolso, mostrei meu relógio, aí ela gentilmente me disse que iria me fazer uma pergunta: você tem alguma arma?, disse não, ela sorriu, ok, tenha um bom dia, obrigado, etc. Na saída, disse bye bye lehitraot, e ela sorrindo, bye bye tenha uma bom dia. Fiquei admirado. Fui pra universidade.
Na sinaleira em frente da entrada do campus, na faixa de pedestres (detalhe importante, aqui em Ramat-Aviv os carros param nas faixas de pedestre se você demonstra a minima intenção que vai atravessar, parece mais com Fpolis, muito longe do costume em Curitiba, que os automoveis, pra não dizer os motoristas, além de atravessarem sinal vermelho como prática corriqueira, se vc estiver em cima da faixa quando o sinal abrir eles arrancam o carro em cima do pedestre, 99,9% dos motoristas, na minha experiência cotidiana agem assim) eu atravessei um sinal vermelho. Explico: como pedestre não sou normativo, se o sinal esta fechado e não tem carros eu atravesso. O engraçado é que tenho percebido que aqui as pessoas ficam paradas na sinaleira nestas situações. Estou contando isso pra tentar explicar o que vou contar a seguir. Atravessei e no meio da avenida, pois tem dois sinais, o espaço estava cheio, não pedi licença, como deveria ter feito, e me amontoei junto com todos esperando abrir. Abriu, sai na frente e fui pro lado da papelaria, quando subo o primeiro degrau percebo uma guarda, policial ou sei lá, parecia guarda municipal, vem em minha direção. Fala comigo em hebraico, peço pelo inglês, ela repete, "Papers please, ID or passaport", disse ok e dei o passaporte a ela, perguntou se eu era estudante e pediu identificação, dei, olhou, conferiu, agradeceu. Não estranhei muito porque já havia visto ali mesmo na entrada do campus, o lugar é uma espécie de praça, outros guardas pedindo documentos de outras pessoas.
Fui pegar um café naquele lugar que tinha aprendido umas palavras e esquecido tudo. Pedi o raguil, café médio pequeno. Como são as coisas, ontem eu não lembrava, hoje está fixado na minha memória. É por isso que não me preocupo muito em fixar vocabulário, ou expressões, parece que elas se fixam conforme uma vontade própria. Se eu fizer força, esqueço.
A faxineira do prédio em que trabalho entrou na sala e fui pedir a ela pra passar um pano e tirar o pó e ela só falava russo. A mulher do supermercado em que fui comprar um pedaço de queijo de cabra, idem. O segurança na porta também não, e ele mesmo já me conhecendo mais ou menos, disse pramim em henbraico, "você não tem nenhuma arma não, né?"
Aqui no hemisfério norte lá pelas quatro e meia da tarde já começa a escurecer, mais ou menos cinco e quinze já é noite.
Perto do shopping, escutei uma música que parecia ao vivo e vinha da direção para onde eu estava indo. Duas senhoras faziam um dueto de violino e acordeão, executando movimentos de clássicos populares: Beethoven, Mozart, Strauss, Tchaikovski. A música era boa. Fui entrar no shopping a procura de clips e lá estava a segurança na porta, a mesma que outro dia me perguntou se eu estava armado. Pediu pra eu abrir a mochila, abri, (percebi que hoje ela estava mais calma), pediu para eu tirar a mochila da frente do corpo, tirei, ela passou o detetor de metais, acusou alguma coisa, me perguntou o que eu tinha no bolso, mostrei meu relógio, aí ela gentilmente me disse que iria me fazer uma pergunta: você tem alguma arma?, disse não, ela sorriu, ok, tenha um bom dia, obrigado, etc. Na saída, disse bye bye lehitraot, e ela sorrindo, bye bye tenha uma bom dia. Fiquei admirado. Fui pra universidade.
Na sinaleira em frente da entrada do campus, na faixa de pedestres (detalhe importante, aqui em Ramat-Aviv os carros param nas faixas de pedestre se você demonstra a minima intenção que vai atravessar, parece mais com Fpolis, muito longe do costume em Curitiba, que os automoveis, pra não dizer os motoristas, além de atravessarem sinal vermelho como prática corriqueira, se vc estiver em cima da faixa quando o sinal abrir eles arrancam o carro em cima do pedestre, 99,9% dos motoristas, na minha experiência cotidiana agem assim) eu atravessei um sinal vermelho. Explico: como pedestre não sou normativo, se o sinal esta fechado e não tem carros eu atravesso. O engraçado é que tenho percebido que aqui as pessoas ficam paradas na sinaleira nestas situações. Estou contando isso pra tentar explicar o que vou contar a seguir. Atravessei e no meio da avenida, pois tem dois sinais, o espaço estava cheio, não pedi licença, como deveria ter feito, e me amontoei junto com todos esperando abrir. Abriu, sai na frente e fui pro lado da papelaria, quando subo o primeiro degrau percebo uma guarda, policial ou sei lá, parecia guarda municipal, vem em minha direção. Fala comigo em hebraico, peço pelo inglês, ela repete, "Papers please, ID or passaport", disse ok e dei o passaporte a ela, perguntou se eu era estudante e pediu identificação, dei, olhou, conferiu, agradeceu. Não estranhei muito porque já havia visto ali mesmo na entrada do campus, o lugar é uma espécie de praça, outros guardas pedindo documentos de outras pessoas.
Fui pegar um café naquele lugar que tinha aprendido umas palavras e esquecido tudo. Pedi o raguil, café médio pequeno. Como são as coisas, ontem eu não lembrava, hoje está fixado na minha memória. É por isso que não me preocupo muito em fixar vocabulário, ou expressões, parece que elas se fixam conforme uma vontade própria. Se eu fizer força, esqueço.
A faxineira do prédio em que trabalho entrou na sala e fui pedir a ela pra passar um pano e tirar o pó e ela só falava russo. A mulher do supermercado em que fui comprar um pedaço de queijo de cabra, idem. O segurança na porta também não, e ele mesmo já me conhecendo mais ou menos, disse pramim em henbraico, "você não tem nenhuma arma não, né?"
Aqui no hemisfério norte lá pelas quatro e meia da tarde já começa a escurecer, mais ou menos cinco e quinze já é noite.
domingo, 11 de novembro de 2007
Hoje
Fiquei sabendo pela Clara que a amiga Lucimeire, que trabalha no Ministério das Relações Exteriores (é isso mesmo, Lucimeire?) e está com o seu marido (que também trabalha lá) e suas filhas, morando todos na Armênia, está também acompanhando as notícias deste blog. Grande satisfação receber notícias de vocês e em saber que esse blog também é lido em mais um canto deste nosso planeta redondo. Quantos cantos tem nosso planeta? Pode ter tantos quantos quisermos ou pudermos, acredito.
Passei o dia na universidade, avancei um pouquinho na organização das minhas tarefas as quais me propus realizar aqui e mais algumas que deixei penduradas quando saí do Brasil. Choveu um pouco aqui hoje e a temperatura caiu. Pela manhã fui no correio mandar alguns documentos pra CAPES, os últimos dessa leva, até que enfim (como escreve isso?), até que fim? Como tem coisas que falamos e não sabemos escrever, pelo menos eu. Já devem ter notado que não sei escrever os "porques", não é?, entre outras coisas. No correio foi mais uma revista e o segurança perguntou de onde eu era, geralmente acontece assim: falam comigo em hebraico e peço pra falar em inglês. Outro dia, no shabat, andando na rua uma mulher passa por mim e fala algo em hebraico, quando nem paramos ao passar um pelo outro, e eu disse, "em ingles, por favor" e ela "no, no", e continuou, aí eu virei e disse, "mas o que está acontecendo?" e ela nao respondeu. Fiquei me olhando pra ver se tinha alguma coisa errada comigo. Percebo que aqui as pessoas olham muito umas pra outras, e eu devolvo, fico olhando também. E é só fazer algum sinal e já começa a conversa, não pagam imposto pra falar. No supermercado hoje vi um rapaz conversando com a atendente que lhe vendia queijo e ele falava com ela num ton muito curioso, o assunto era algo muito corriqueiro, percebi, sobre queijo ou algo assim, mas ele falava com ela, (e ela com ele) como se estivessem debatendo, sei lá. No caixa a mulher ficou falando comigo sobre o tempo, que estava mais fresco, que meu porta moedas era antigo, que ticket de supermercado em hebraico se chamava de tal jeito (fiquei repetindo pra não esquecer mas sabia que nao iria adiantar), bye bye, obrigado, tenha uma boa noite fresca. Tudo isso. No café na universidade aproveitei a boa vontade do rapaz que atendia e perguntei como chamava os tamanhos do café, como se dizia 7,50 (sheqels), etc. Também já não me lembro mais nada. Só que café grande é gadol, médio grande é benoni (?), médio pequeno é (que é um dos que tomo, já esqueci) e pequeno também esqueci. Poderia falar um milhão de coisas sobre minha experiência com o hebraico, mas irei entregando em partes.
Hoje pela manhã, indo pra universidade, reparei que na entrada de carros do shopping o segurança abre as portas dos carros, olha dentro, abre o porta malas, olha dentro, um por um. Na hora do café que falei aparecem duas garotas que pareciam gêmeas, fardadas e armadas de metralhadoras, assim como se fosse uma bolsa pendurada do lado, abro espaço pra elas porque levei um susto e elas agradeceram, todá. Ainda não me aconstumei com isso.
Passei o dia na universidade, avancei um pouquinho na organização das minhas tarefas as quais me propus realizar aqui e mais algumas que deixei penduradas quando saí do Brasil. Choveu um pouco aqui hoje e a temperatura caiu. Pela manhã fui no correio mandar alguns documentos pra CAPES, os últimos dessa leva, até que enfim (como escreve isso?), até que fim? Como tem coisas que falamos e não sabemos escrever, pelo menos eu. Já devem ter notado que não sei escrever os "porques", não é?, entre outras coisas. No correio foi mais uma revista e o segurança perguntou de onde eu era, geralmente acontece assim: falam comigo em hebraico e peço pra falar em inglês. Outro dia, no shabat, andando na rua uma mulher passa por mim e fala algo em hebraico, quando nem paramos ao passar um pelo outro, e eu disse, "em ingles, por favor" e ela "no, no", e continuou, aí eu virei e disse, "mas o que está acontecendo?" e ela nao respondeu. Fiquei me olhando pra ver se tinha alguma coisa errada comigo. Percebo que aqui as pessoas olham muito umas pra outras, e eu devolvo, fico olhando também. E é só fazer algum sinal e já começa a conversa, não pagam imposto pra falar. No supermercado hoje vi um rapaz conversando com a atendente que lhe vendia queijo e ele falava com ela num ton muito curioso, o assunto era algo muito corriqueiro, percebi, sobre queijo ou algo assim, mas ele falava com ela, (e ela com ele) como se estivessem debatendo, sei lá. No caixa a mulher ficou falando comigo sobre o tempo, que estava mais fresco, que meu porta moedas era antigo, que ticket de supermercado em hebraico se chamava de tal jeito (fiquei repetindo pra não esquecer mas sabia que nao iria adiantar), bye bye, obrigado, tenha uma boa noite fresca. Tudo isso. No café na universidade aproveitei a boa vontade do rapaz que atendia e perguntei como chamava os tamanhos do café, como se dizia 7,50 (sheqels), etc. Também já não me lembro mais nada. Só que café grande é gadol, médio grande é benoni (?), médio pequeno é (que é um dos que tomo, já esqueci) e pequeno também esqueci. Poderia falar um milhão de coisas sobre minha experiência com o hebraico, mas irei entregando em partes.
Hoje pela manhã, indo pra universidade, reparei que na entrada de carros do shopping o segurança abre as portas dos carros, olha dentro, abre o porta malas, olha dentro, um por um. Na hora do café que falei aparecem duas garotas que pareciam gêmeas, fardadas e armadas de metralhadoras, assim como se fosse uma bolsa pendurada do lado, abro espaço pra elas porque levei um susto e elas agradeceram, todá. Ainda não me aconstumei com isso.
sábado, 10 de novembro de 2007
O problema dos clichês
As vezes chego a pensar que corro o risco de ficar escrevendo posts no blog e não fazer o resto, mas não, existe em mim algum dispositivo que me impede de ficar fazendo uma única coisa por muito tempo, isso tem seu lado bom e também o ruim, como já comentei que acredito ser a condição na vida. Mas bom, voltei aqui pra complementar alguma coisa sobre o tema do conflito israelense-palestino abordando o tema dos clichês que foi mencionado pelo Paul-Marc. Já expliquei aqui quem é o Paul e que ele mora em Paris, mas não falei que ele trabalha no Museu ou Centro Georges Pompidou e que é casado com a Iolanda e pais de duas garotinhas que conhecemos o ano passado quando foram ao Brasil.
Os clichês são uma espécie de forma de conhecimento e uma de suas características é a capacidade de fornecer resposta rápida e fácil, além de geralmente totalizante, a problemas complexos que muitas vezes exigem paciência para aguardar uma resposta que nem sempre está pronta ou dada. O senso comum mais difundido é geralemtne recheado por formas deste tipo. E com razão pessoas comuns, cansadas demais para refletir pausada e longamente sobre problemas complexos se satisfazem com este tipo de conhecimento, em que o clichê é apenas uma forma de resposta rápida e prática. Os clichês se mascaram de muitas formas, e a vezes até mesmo como conhecimento autorizado e oficial. Fazer o que? Paciência. É preciso ter paciência e tomar cuidado para não ser atropelado pela intolerância que geralmente pode acompanhar este tipo fácil de resolução de problemas.
Os clichês estão por toda parte, é muito comum estarem acompanhados de formas pré-concebidas (as pré-concepções ou preconceitos) e a intolerância, como disse, completa o quadro como uma espécie de sentir-se satisfeito consigo mesmo, em que saber a respeito do outro não é necessário. Disse que não iria voltar a este assunto, mas é preciso, me refiro a minha colega alemã de apartamento. "Conversando" com ela, fiz todo tipo de perguntas a respeito dela, do seu trabalho, sua vida na alemanha, suas crenças, sua família e etc. O que ela perguntou a meu respeito? Absolutamente nada. Não quiz saber nada a meu respeito, não tinha a menor curiosidade, e o que por ventura ela possa saber de mim é devido simplesmente ao que eu mesmo fiz questão de informar a ela, dizendo um pouco de mim e das coisas que fazia. Quem é mais preconceituoso, ou tem a chance de ser? Digam-me vocês, leitores.
Acredito que um dos maiores problemas que agrava enormemente o conflito israelense-palestino é a circulação de clichês, principalmente entre nós que estamos "de fora" do núcleo da questão. Não é da nossa conta? Pode ser que não seja, mas enquanto vivermos sobre a superfície de um mesmo planeta se não nos importarmos com o que acontece do nosso lado, corremos o risco de sermos atingidos por algo que não esperávamos.
Os clichês são uma espécie de forma de conhecimento e uma de suas características é a capacidade de fornecer resposta rápida e fácil, além de geralmente totalizante, a problemas complexos que muitas vezes exigem paciência para aguardar uma resposta que nem sempre está pronta ou dada. O senso comum mais difundido é geralemtne recheado por formas deste tipo. E com razão pessoas comuns, cansadas demais para refletir pausada e longamente sobre problemas complexos se satisfazem com este tipo de conhecimento, em que o clichê é apenas uma forma de resposta rápida e prática. Os clichês se mascaram de muitas formas, e a vezes até mesmo como conhecimento autorizado e oficial. Fazer o que? Paciência. É preciso ter paciência e tomar cuidado para não ser atropelado pela intolerância que geralmente pode acompanhar este tipo fácil de resolução de problemas.
Os clichês estão por toda parte, é muito comum estarem acompanhados de formas pré-concebidas (as pré-concepções ou preconceitos) e a intolerância, como disse, completa o quadro como uma espécie de sentir-se satisfeito consigo mesmo, em que saber a respeito do outro não é necessário. Disse que não iria voltar a este assunto, mas é preciso, me refiro a minha colega alemã de apartamento. "Conversando" com ela, fiz todo tipo de perguntas a respeito dela, do seu trabalho, sua vida na alemanha, suas crenças, sua família e etc. O que ela perguntou a meu respeito? Absolutamente nada. Não quiz saber nada a meu respeito, não tinha a menor curiosidade, e o que por ventura ela possa saber de mim é devido simplesmente ao que eu mesmo fiz questão de informar a ela, dizendo um pouco de mim e das coisas que fazia. Quem é mais preconceituoso, ou tem a chance de ser? Digam-me vocês, leitores.
Acredito que um dos maiores problemas que agrava enormemente o conflito israelense-palestino é a circulação de clichês, principalmente entre nós que estamos "de fora" do núcleo da questão. Não é da nossa conta? Pode ser que não seja, mas enquanto vivermos sobre a superfície de um mesmo planeta se não nos importarmos com o que acontece do nosso lado, corremos o risco de sermos atingidos por algo que não esperávamos.
Variedades
Hoje fiquei em casa. Pensando nas minhas coisas por fazer e tentando iniciar e retomar algumas que já vinha fazendo antes de chegar aqui. Basicamente tirei o dia pra descançar (afinal, hoje é o shabat) e estudar um pouquinho de hebraico. O dia estava ensolarado como tem estado desde que cheguei aqui, com uma leve queda na temperatura, já estamos no meio do outono e o inverno começa a querer dizer que ele vai chegar. Tenho a impressão que o inverno aqui não é muito rigoroso, pelo o que pesquisei na internet a média fica entre algo como 15 e 18 graus centígrados, bem parecido com o Brasil. Neste mesmo período, entre novembro e abril é o período das chuvas, quando chove com mais freqüência e acredito que alguns dias devem ser bem cinzas.
Também pensei um pouco a respeito deste blog e a resposta estimulante que tenho recebido de meus amigos não só pelos comentários mas também daqueles que marcam presença via e-mail. Entre os vários assuntos que poderia abordar, há o polêmico tema sobre o conflito israelense-palestino. As vezes eu fico pensando o porque, por quais motivos este conflito é de alguma forma relevante para o mundo como um todo. Há várias resposta possíveis, algumas bastante evidentes, como por exemplo o fato de passar por aqui e por este conflito estar no meio do caminho de uma certa orientação política de poder e colonialismo contemporâneo. Acredito que a guerra no Iraque (ou a invasão americana no Iraque, como ficaria melhor dizer) é um sinal evidente desta orientação. Quanto a outras questões poderiamos talvez enumerar: a origem moderna do conflito pós-segunda guerra; a dimensão histórica envolvida na questão, isto é, todos os temas relacionados a uma certa "questão judaica" acrescida do "problema palestino". Os palestinos têm um problema real para resolver que é o estatuto e constituição de seu estado nação e os israelenses são parte desta questão que também diz respeito a eles, já que a Palestina é uma nação dentro de outra. Se isso não bastasse, as outras milhares de componentes que vêm se juntar como, por exemplo a questão religiosa, a questão da segurança, pois sendo israel um estado pequeno e de certa forma aliado àquele poder colonial a que me referia o coloca na situação de inimigo local das nações com orientação religiosa e cultura opostas que constituem mais ou menos um bloco, os chamados países árabes. Mas já ouvi dizer que este bloco não é tão homogêneo como pode parecer, tenho a impressão que no momento os maiores problemas são o Líbano, devido sua falta de coesão enquanto nação que é atrapalhado pela Síria que possui o interesse constante em dominá-lo, o Irã que quer despontar como nação nuclear como alternativa energética e estratégica e que de certo modo recoloca os antagonismos da guerra fria entre os dois blocos, já que a Rússia tem interesses comerciais com ele. No restante dos países árabes eu não sei mas acredito que o momento é de relativa tranquilidade e de interesse mútuo, isso precisaria ser confirmado já que estas minhas impressões são apenas isto, impressões e não surgiram do estudo mas da percepção do que escuto ao meu redor. Política e relações internacionais não é algo a que me dedique além do necessário para sobreviver, pois não leio jornais, revistas e não costumo assistir tv.
Entrei neste assunto porque alguns leitores aqui do blog manifestaram sua curiosidade ou interesse pela tema, principalmente o Paul-Marc e também o Márcio Dornelles, como pode ser visto na sessão de comentários. Vou mencionar alguns outros leitores que se manifestaram, Jorge Quadros, lá de Curitiba, colega das aulas de hebraico e a Rosa, também colega da turma. Aos outros que já mencionei aqui e que continuam a mandar comentários, repito, sou bastante agradecido pelo apoio que estão dando, sem leitores acredito que este blog já teria parado. O Rogério Lenzi, que já expliquei em é, me mandou um comentário em que agraciou este blog com um poema de bom dia. O Márcio Dornelles disse que a Mari, sua esposa, acha que estas notas poderiam vir a se transformar em um volume para publicação. Acho a idéia muito legal, e seria preciso um bom trabalho de edição pra tornar a forma e conteúdo relevante para um público mais amplo. A Virgínia lembrou do livro de viagens do Zeca Camargo, ela falou em ton de brincadeira, mas não dúvido que eu padeça de algum mal que possa ser comum a um talvez estilo contemporâneo de escrever impressões de viagem, condicionado até mesmo pela própria ferramenta que é o blog. Antes de vir para cá, várias vezes procurei um guia ou algum relato de viagem de alguém que tivesse vindo para Israel, e fora aqueles guias maçantes que não fornecem muita informação aproveitável, não encontrei nada que dissesse respeito a Israel ou Tel-Aviv. Façam vocês mesmos o teste, vão até uma livraria e procurem, vocês vão achar guias sobre todos os cantos do mundo mas daqui de Israel são raros. Então, por que não um relato de viagem de um brasileiro em Tel-Aviv, ou Israel? Títulos como "Um brasileiro na China" e "Um brasileiro em Viena" já existem.
Também pensei um pouco a respeito deste blog e a resposta estimulante que tenho recebido de meus amigos não só pelos comentários mas também daqueles que marcam presença via e-mail. Entre os vários assuntos que poderia abordar, há o polêmico tema sobre o conflito israelense-palestino. As vezes eu fico pensando o porque, por quais motivos este conflito é de alguma forma relevante para o mundo como um todo. Há várias resposta possíveis, algumas bastante evidentes, como por exemplo o fato de passar por aqui e por este conflito estar no meio do caminho de uma certa orientação política de poder e colonialismo contemporâneo. Acredito que a guerra no Iraque (ou a invasão americana no Iraque, como ficaria melhor dizer) é um sinal evidente desta orientação. Quanto a outras questões poderiamos talvez enumerar: a origem moderna do conflito pós-segunda guerra; a dimensão histórica envolvida na questão, isto é, todos os temas relacionados a uma certa "questão judaica" acrescida do "problema palestino". Os palestinos têm um problema real para resolver que é o estatuto e constituição de seu estado nação e os israelenses são parte desta questão que também diz respeito a eles, já que a Palestina é uma nação dentro de outra. Se isso não bastasse, as outras milhares de componentes que vêm se juntar como, por exemplo a questão religiosa, a questão da segurança, pois sendo israel um estado pequeno e de certa forma aliado àquele poder colonial a que me referia o coloca na situação de inimigo local das nações com orientação religiosa e cultura opostas que constituem mais ou menos um bloco, os chamados países árabes. Mas já ouvi dizer que este bloco não é tão homogêneo como pode parecer, tenho a impressão que no momento os maiores problemas são o Líbano, devido sua falta de coesão enquanto nação que é atrapalhado pela Síria que possui o interesse constante em dominá-lo, o Irã que quer despontar como nação nuclear como alternativa energética e estratégica e que de certo modo recoloca os antagonismos da guerra fria entre os dois blocos, já que a Rússia tem interesses comerciais com ele. No restante dos países árabes eu não sei mas acredito que o momento é de relativa tranquilidade e de interesse mútuo, isso precisaria ser confirmado já que estas minhas impressões são apenas isto, impressões e não surgiram do estudo mas da percepção do que escuto ao meu redor. Política e relações internacionais não é algo a que me dedique além do necessário para sobreviver, pois não leio jornais, revistas e não costumo assistir tv.
Entrei neste assunto porque alguns leitores aqui do blog manifestaram sua curiosidade ou interesse pela tema, principalmente o Paul-Marc e também o Márcio Dornelles, como pode ser visto na sessão de comentários. Vou mencionar alguns outros leitores que se manifestaram, Jorge Quadros, lá de Curitiba, colega das aulas de hebraico e a Rosa, também colega da turma. Aos outros que já mencionei aqui e que continuam a mandar comentários, repito, sou bastante agradecido pelo apoio que estão dando, sem leitores acredito que este blog já teria parado. O Rogério Lenzi, que já expliquei em é, me mandou um comentário em que agraciou este blog com um poema de bom dia. O Márcio Dornelles disse que a Mari, sua esposa, acha que estas notas poderiam vir a se transformar em um volume para publicação. Acho a idéia muito legal, e seria preciso um bom trabalho de edição pra tornar a forma e conteúdo relevante para um público mais amplo. A Virgínia lembrou do livro de viagens do Zeca Camargo, ela falou em ton de brincadeira, mas não dúvido que eu padeça de algum mal que possa ser comum a um talvez estilo contemporâneo de escrever impressões de viagem, condicionado até mesmo pela própria ferramenta que é o blog. Antes de vir para cá, várias vezes procurei um guia ou algum relato de viagem de alguém que tivesse vindo para Israel, e fora aqueles guias maçantes que não fornecem muita informação aproveitável, não encontrei nada que dissesse respeito a Israel ou Tel-Aviv. Façam vocês mesmos o teste, vão até uma livraria e procurem, vocês vão achar guias sobre todos os cantos do mundo mas daqui de Israel são raros. Então, por que não um relato de viagem de um brasileiro em Tel-Aviv, ou Israel? Títulos como "Um brasileiro na China" e "Um brasileiro em Viena" já existem.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Como vim parar em Tel-Aviv
Como havia prometido, lá na primeira postagem, vou contar aqui sem me alongar demais como vim parar em Tel-Aviv. O porque vocês já sabem, vim para fazer um ano do doutorado com bolsa da CAPES, no programa de doutorado sanduiche. O outro porque, "porque Tel-Aviv" faz parte do "como" que vou contar. Em 2004 eu e a Clara nos afastamos da Univali e fomos de volta pra Florianópolis, fomos dar continuidade aos nossos doutorados, ela na Unicamp e eu na Ufsc, já que o trabalho na Univali não apontava pra algo muito promissor. Em 2005 a Clara foi para Toronto fazer o sanduiche dela lá. Meu doutorado na Ufsc estava empacando por vários motivos que não vale a pena discorrer. Certo dia, conversando com a Clara pela internet ela me mostra alguma coisa que não lembro bem o que era, talvez uma lista de linguistica que tem no Brasil, em que o Borges Neto fazia uma intervenção e não sei como fiquei sabendo que ele iria dar no semestre seguinte uma disciplina de filosofia da ciência. Isso era 2005, a disciplina foi no segundo semestre. Mandei um e-mail e ele me disse que claro, era pra aparecer. Nesse semestre eu viajava toda semana pra Curitiba, ía cedo de manhã, a aula era a tarde (segunda feira se não me engano), acabava a aula voltava pra rodoviária e pegava ônibus de volta pra Fpolis. Chegava em casa lá pelas 11:30 da noite, quebrado mas satisfeito. Fiz isso várias vezes, foram bons tempos aqueles, não só pela disciplina que eu fazia com o Borges, mas porque morar lá no Rio Tavares era realmente bom, praia do lado, e tudo mais. Nessa época o Pitoco ainda vivia e foi meu companheiro enquanto a Clara desbravava o Canada.
O curso do Borges era no formato de textos (primeiro) e seminários (depois). Na parte dos textos lemos uma texto do Dascal, que eu talvez conhece de nome, mas só, nem sabia ao certo. O texto era "Epistemology, Controversies, and Pragmatics" (1995). Quer dizer, o texto já tinha seus 10 anos e quando comentamos na sala eu me lembro de ter dito que tinha tido uma impressão muito boa do que tinha lido, que tinha gostado, mas que a matéria não era fácil, bastante complexa e elaborada. A partir daí, foi um crescendo de acontecimentos. Eu disse ao Borges que iria apresentar projeto e fzer seleção para o doutorado ali na UFPR e que iria colocar o nome dele na minha opção de orientação e ele disse que tudo bem. A partir daí começou nosso relacionamento, de leve. Ainda naquele semestre coube a mim apresentar o seminário sobre o Ludwig Fleck, "Genesis and Development of a Scientific Fact", um livro dos anos 30 em que o gênio do autor apresenta de maneira intrigante o surgimento de um conceito na medicina, pra ser mais exato na disciplina que estuda a origem das doenças (agora esqueci o nome) e ele tinha como foco a gênese do conceito de sífilis. O livro é fantástico e o Fleck e a história dele também. Eu já conhecia o livro e por isso escolhi, até mesmo porque niguém se arriscou a pegar esse quando o Borges apresentou a lista dos textos para os seminários.
Neste mesmo semestre fiz a seleção na UFPR e passei. Fiquei bem colocado e consegui bolsa, o que eu vinha tentando insistentemente na Ufsc e não conseguia havia dois anos pelo menos. Lá meu projeto em História e Filosofia da Linguistica (que na época era uma proposta de investigar o conceito de valor na linguistica saussureana) era repetidamente rejeitado pela comissão de bolsas e vários alunos de áreas estranhas à linguistica conseguiam bolsa na minha frente. Nós estávamos precisando de bolsa pois as economias da Unvali começavam a acabar e a manobra com a Ufpr foi realmente arriscada, foi um tudo ou nada. Passei na Ufpr com o mesmo projeto que não conseguia nada na Ufsc (o problema lá era a falta de pesquisa na linha que mencionei acima, apesar de formalmente existir o nome ninguém fazia e talvez ainda não faça pesquisa nela). Na Ufpr fui super bem recebido e logo me envolvi com várias pessoas.
Não houve planos para vir a Tel-Aviv, tudo foi decidido de repente. A única coisa que eu sabia era que queria fazer o estágio sanduíche e, como disse, desde a leitura do texto do Dascal até chegar aqui foram mais de mil capítulos. Um post só aqui no blog não daria conta de tudo. Na Ufpr, sob orientação do Borges Neto, mudei meu projeto de comecei uma nova pesquisa que em menos de um ano já estava definida. Quando entrei no doutorado, desde a Ufsc, eu já sabia que queria um tema, qualquer que fosse, bem definido, sem a possibilidade de dar chances a "temas passionais" em que o pesquisador está envolvido de forma que a tese é quase ele mesmo. Não. Eu sabia que não queria isso, e o Borges foi fundamental neste direcionamento, por que sempre existe a tendência a escorregar e começar a elaborar questões complicadas demais que não poderam ser respondidas no espaço de uma simples tese de doutorado. "Uma tese não é o projeto de uma vida" me lembrava o Borges e eu concordava totalmente com ele.
Em 2004 o Borges publicou o livro "Ensaios em História e Filosofia da Linguistica", que até o momento é o único no Brasil nesta área. Há outros livros e outrso pesquisadores que fazem historiografia linguistica ou analise do discurso da linguistica e outros livros tambem, mas nenhum com este enfoque que situa a filosofia da linguistica em relação à filosofia da ciência. Falar em filosofia de uma disciplina científica foi algo que aconteceu a partir de uma certo momento no desenvolvimento da filosofia da ciência e em que também não se podia mais falar simplesmente em história da ciência sem relacioná-la a questões epistemológicas. Na tradição de uma certa linha destas disciplinas, autores como Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Imre Lakatos formam como que a base, ou um núcleo de onde um pesquisador iniciante como eu pode partir para explorar e constituir seu próprio percurso.
Acho que deixei mais ou menos claro como foi que vom parar aqui. E vou repetir algo que venho dizendo a pouco mais de um ano, eu nunca pensei em vir pra Israel antes de um ano atrás, quando mandei meu primeiro e-mail para o Dascal e ele imediatamente respondeu com todo o entusiasmo que lhe é característico e também muito estimulante. Nem ele nem o Borges jamais deixaram de me apoiar no que foi preciso neste processo todo e ainda continuam a fazer o papel de formadores de novos pesquisadores que é um dos papéis que eles realizam muito bem. Só posso agradecer, obrigado.
O curso do Borges era no formato de textos (primeiro) e seminários (depois). Na parte dos textos lemos uma texto do Dascal, que eu talvez conhece de nome, mas só, nem sabia ao certo. O texto era "Epistemology, Controversies, and Pragmatics" (1995). Quer dizer, o texto já tinha seus 10 anos e quando comentamos na sala eu me lembro de ter dito que tinha tido uma impressão muito boa do que tinha lido, que tinha gostado, mas que a matéria não era fácil, bastante complexa e elaborada. A partir daí, foi um crescendo de acontecimentos. Eu disse ao Borges que iria apresentar projeto e fzer seleção para o doutorado ali na UFPR e que iria colocar o nome dele na minha opção de orientação e ele disse que tudo bem. A partir daí começou nosso relacionamento, de leve. Ainda naquele semestre coube a mim apresentar o seminário sobre o Ludwig Fleck, "Genesis and Development of a Scientific Fact", um livro dos anos 30 em que o gênio do autor apresenta de maneira intrigante o surgimento de um conceito na medicina, pra ser mais exato na disciplina que estuda a origem das doenças (agora esqueci o nome) e ele tinha como foco a gênese do conceito de sífilis. O livro é fantástico e o Fleck e a história dele também. Eu já conhecia o livro e por isso escolhi, até mesmo porque niguém se arriscou a pegar esse quando o Borges apresentou a lista dos textos para os seminários.
Neste mesmo semestre fiz a seleção na UFPR e passei. Fiquei bem colocado e consegui bolsa, o que eu vinha tentando insistentemente na Ufsc e não conseguia havia dois anos pelo menos. Lá meu projeto em História e Filosofia da Linguistica (que na época era uma proposta de investigar o conceito de valor na linguistica saussureana) era repetidamente rejeitado pela comissão de bolsas e vários alunos de áreas estranhas à linguistica conseguiam bolsa na minha frente. Nós estávamos precisando de bolsa pois as economias da Unvali começavam a acabar e a manobra com a Ufpr foi realmente arriscada, foi um tudo ou nada. Passei na Ufpr com o mesmo projeto que não conseguia nada na Ufsc (o problema lá era a falta de pesquisa na linha que mencionei acima, apesar de formalmente existir o nome ninguém fazia e talvez ainda não faça pesquisa nela). Na Ufpr fui super bem recebido e logo me envolvi com várias pessoas.
Não houve planos para vir a Tel-Aviv, tudo foi decidido de repente. A única coisa que eu sabia era que queria fazer o estágio sanduíche e, como disse, desde a leitura do texto do Dascal até chegar aqui foram mais de mil capítulos. Um post só aqui no blog não daria conta de tudo. Na Ufpr, sob orientação do Borges Neto, mudei meu projeto de comecei uma nova pesquisa que em menos de um ano já estava definida. Quando entrei no doutorado, desde a Ufsc, eu já sabia que queria um tema, qualquer que fosse, bem definido, sem a possibilidade de dar chances a "temas passionais" em que o pesquisador está envolvido de forma que a tese é quase ele mesmo. Não. Eu sabia que não queria isso, e o Borges foi fundamental neste direcionamento, por que sempre existe a tendência a escorregar e começar a elaborar questões complicadas demais que não poderam ser respondidas no espaço de uma simples tese de doutorado. "Uma tese não é o projeto de uma vida" me lembrava o Borges e eu concordava totalmente com ele.
Em 2004 o Borges publicou o livro "Ensaios em História e Filosofia da Linguistica", que até o momento é o único no Brasil nesta área. Há outros livros e outrso pesquisadores que fazem historiografia linguistica ou analise do discurso da linguistica e outros livros tambem, mas nenhum com este enfoque que situa a filosofia da linguistica em relação à filosofia da ciência. Falar em filosofia de uma disciplina científica foi algo que aconteceu a partir de uma certo momento no desenvolvimento da filosofia da ciência e em que também não se podia mais falar simplesmente em história da ciência sem relacioná-la a questões epistemológicas. Na tradição de uma certa linha destas disciplinas, autores como Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Imre Lakatos formam como que a base, ou um núcleo de onde um pesquisador iniciante como eu pode partir para explorar e constituir seu próprio percurso.
Acho que deixei mais ou menos claro como foi que vom parar aqui. E vou repetir algo que venho dizendo a pouco mais de um ano, eu nunca pensei em vir pra Israel antes de um ano atrás, quando mandei meu primeiro e-mail para o Dascal e ele imediatamente respondeu com todo o entusiasmo que lhe é característico e também muito estimulante. Nem ele nem o Borges jamais deixaram de me apoiar no que foi preciso neste processo todo e ainda continuam a fazer o papel de formadores de novos pesquisadores que é um dos papéis que eles realizam muito bem. Só posso agradecer, obrigado.
No Ulpan
Como vocês já devem ter notado, o Ulpan é uma escola de hebraico. Os programas são desenvolvidos primordialmente para imigrantes, depois turistas e interessados em geral. Ontem fui a aula pela primeira vez. Eis minhas impressões. Cheguei um pouco antes e fiz minha inscrição, 940 shekels pelo semestre de 5 horas semanais, este valor corresponde mais ou menos a uns 470 reais. A escola de hebraico é um centro bastante organizado e com vários grupos de estudantes. No meu grupo estão matriculados aproximadamente uns 30 alunos de todas as partes do mundo: Filipinas, Tailandia, Bolívia, Irlanda, Espanha, Turquia, Grécia, EUA, Alemanhã, Rússia, Brasil (eu). Assim que entrei na sala, cinco minutinhos antes, tive uma sensação de estar entrando em uma turma dessas de escola de ensino básico que temos aí no Brasil, primário e ginásio (como se dizia no meu tempo). Os filipinos são maioria, aprox. uns 8, o resto no máximo uns dois de cada dos mencionados. Eu nunca havia encontrado nenhum filipino e, desconfiado como já disse que sou, comecei a estranhar. Fui sentar exatamente por perto de um dos mais "bagunceiros", que depois, logo em seguida, vim a perceber que o Tchodi, esse é o nome dele, é apenas um pouco bastante expressivo. Horário da pausa. Os filipinos vêm e começam a se apresentar a mim, dizem o nome e apertam minha mão. Um outro, Alex, me pega e diz, "vem, vamos descer". E eu, ainda desconfiado, disse "ok, já vou indo". Fiquei um pouco pela sala pra ver o que acontecia, olhei em volta, irlandes, americano, alemão, senti um certo frio, com exceção de uma garota que chegou tarde e viu que eu sabia ler em hebraico (ler aqui significa ler os sons das letras nas palavras sem saber o que está escrito) e ficou me perguntando coisas. Resultado, desci e fui ver onde estavam os filipinos. Lá embaixo, me enfiei no meio deles e conheci mais alguns, filipinos são muito mais como brasileiros, e desculpem-me a discriminação que pode estar embutida na generalização, eu mesmo não acredito nela.
Fim da aula. Dois filipinos me pegam e dizem pra ir com eles. Senti uma desconfiança enorme. De repente percebi que estava indo para um lado da cidade que não conhecia. Parei e disse, "esse aqui não é meu caminho, eu preciso ir pela Arlozorov". E eles, "Mas pra que você vai pela Arlozorov?", e eu, "Pra pegar o onibus 25 na Ibn Gvirol". E eles, "Vem por aqui, é mais perto, nós também vamos pra Ibn Gvirol", aí eu disse, "Olha lá hein, eu não conheço esse lado da cidade". Fui e descobro um pouco mais dos filipinos. O negócio é que eles (pelo menos os dois que me acompanhavam) estão muito a vontade em Israel. Alex, o mais velho, está aqui há 25 anos e seu filho está no exército (Vocês fazem idéia o que é ter um filho no exército israelense, ou não?). Djune, o outro tem filho de 14 anos. O que descobri é que os filipinos aprendem espanhol na escola, mas não sabem necessariamente falar, que sua língua possui uma quantidade grande de vocábulos do espanhol (5.000 me disseram eles) e que são cristãos. Alex e Djune são praticantes e vão à igreja todo domingo. Me perguntaram se no Brasil comemorava-se o natal, eu disse que sim, e me disseram que eu poderia passar o natal com eles, pois em Israel o natal era muito estranho, "um dia comum, como qualquer outro", disseram. O que eu não disse a eles é que uma das coisas que eu estava gostando em Israel era de não ter que comemorar o natal, porque não suporto essa época aí no Brasil, geralmente fico de mal humor. O que falei foi que no Brasil havia um apelo comercial muito grande, uma comilança (não falei nesses termos) exagerada em família, onde tudo parecia que estava as mil maravilhas e que havia um papai noel barbudo todo encasacado no maior calor de desembro. E eles disseram que nas Filipinas era igual e que eles adoravam! Não toquei mais no assunto. Em fim, chegamos na Ibn Gvirol e ainda por cima fizeram questão de ficar comigo no ponto de ônibus até o numero 25 chegar.
Se eu fosse descrever cada figura que tem na sala de aula, teria que fazer uma postagem especial pra cada um. Quero apenas registrar que eu destôoo (destoar) bastante do resto da turma. São todos trabalhadores, na maioria, que vão para a aula depois de um dia cheio de muito trabalho. Há algumas excessões com o Irlandes que trabalha nas relações internacionais (é embaixador, dizem os filipinos, fazendo cara séria de importante) e mais um outro engravatado, que também parece britânico. Quando a professora perguntou o que eu fazia, começou a confusão. Pra encurtar e facilitar, aqui eu digo que estudo filosofia. O que não é mentira, faço isso pra não entrar em detalhes desnecessários. Eu disse que era estudante, e ela disse "você é estudante 'aqui' no Ulpan?" (Estavamos falando em hebraico) e eu disse que era na Universidade de Tel-Aviv. Isso causou um certo impacto, além de mim tem apenas mais uma garota na turma que estuda na universidade.
Como disse, não entrei em detalhes. Eu estava lá pra aprender hebraico e não pra dar informações corretas. Passou, quando ela veio até mim perguntar o que eu fazia em Israel eu disse que estava aqui fazendo um ano do meu doutorado e ela perguntou há quanto tempo estava aqui, eu disse 7 dias, a turma inteira caiu na gargalhada. Da turma, quem esta a menos tempo aqui, fora eu claro, é uma mulher russa que está aqui há 10 meses, que sentou do meu lado e que não fala inglês. Em geral eles moram longe, e se você diz que mora em Ramat-Aviv, eles abrem a expressão e dizem, uau!, como a garota que atende na loja de produtos naturais que encontrei na Arlozorov, e me perguntou se eu era americano ou o que? A garota da turma que tambem estuda na TAU e parece ser espanhola tem aquele ar caracteristico de aluno de graduação. Entenderam por que eu destôo. Além disso, se não batasse, eu já sou alfabetizado em hebraico, como já expliquei. Todos na turma falavam hebraico, menos eu. Ninguém sabia ler ou escrever, só eu. Principalmente os filipinos, ficaram muito espantados com uma coisa dessas, como podia? Eu disse que tinha estudado um pouco de hebraico no Brasil, mas que o contexto não proporcionava a prática oral da língua, era por isso. Depois da mulher russa que está aqui há 10 meses, as médias aumentam bastante, 1 ano, 2 anos, 4 anos, 7 anos, 10, 14, 20, 25 anos. Imaginem vocês, 20 anos num país, falando a língua pra tudo que você precisa fazer com ela mas sem poder ler, ou escrever? Não é a esta condição que aí no Brasil nos referimos comumente por analfabetismo?
Fim da aula. Dois filipinos me pegam e dizem pra ir com eles. Senti uma desconfiança enorme. De repente percebi que estava indo para um lado da cidade que não conhecia. Parei e disse, "esse aqui não é meu caminho, eu preciso ir pela Arlozorov". E eles, "Mas pra que você vai pela Arlozorov?", e eu, "Pra pegar o onibus 25 na Ibn Gvirol". E eles, "Vem por aqui, é mais perto, nós também vamos pra Ibn Gvirol", aí eu disse, "Olha lá hein, eu não conheço esse lado da cidade". Fui e descobro um pouco mais dos filipinos. O negócio é que eles (pelo menos os dois que me acompanhavam) estão muito a vontade em Israel. Alex, o mais velho, está aqui há 25 anos e seu filho está no exército (Vocês fazem idéia o que é ter um filho no exército israelense, ou não?). Djune, o outro tem filho de 14 anos. O que descobri é que os filipinos aprendem espanhol na escola, mas não sabem necessariamente falar, que sua língua possui uma quantidade grande de vocábulos do espanhol (5.000 me disseram eles) e que são cristãos. Alex e Djune são praticantes e vão à igreja todo domingo. Me perguntaram se no Brasil comemorava-se o natal, eu disse que sim, e me disseram que eu poderia passar o natal com eles, pois em Israel o natal era muito estranho, "um dia comum, como qualquer outro", disseram. O que eu não disse a eles é que uma das coisas que eu estava gostando em Israel era de não ter que comemorar o natal, porque não suporto essa época aí no Brasil, geralmente fico de mal humor. O que falei foi que no Brasil havia um apelo comercial muito grande, uma comilança (não falei nesses termos) exagerada em família, onde tudo parecia que estava as mil maravilhas e que havia um papai noel barbudo todo encasacado no maior calor de desembro. E eles disseram que nas Filipinas era igual e que eles adoravam! Não toquei mais no assunto. Em fim, chegamos na Ibn Gvirol e ainda por cima fizeram questão de ficar comigo no ponto de ônibus até o numero 25 chegar.
Se eu fosse descrever cada figura que tem na sala de aula, teria que fazer uma postagem especial pra cada um. Quero apenas registrar que eu destôoo (destoar) bastante do resto da turma. São todos trabalhadores, na maioria, que vão para a aula depois de um dia cheio de muito trabalho. Há algumas excessões com o Irlandes que trabalha nas relações internacionais (é embaixador, dizem os filipinos, fazendo cara séria de importante) e mais um outro engravatado, que também parece britânico. Quando a professora perguntou o que eu fazia, começou a confusão. Pra encurtar e facilitar, aqui eu digo que estudo filosofia. O que não é mentira, faço isso pra não entrar em detalhes desnecessários. Eu disse que era estudante, e ela disse "você é estudante 'aqui' no Ulpan?" (Estavamos falando em hebraico) e eu disse que era na Universidade de Tel-Aviv. Isso causou um certo impacto, além de mim tem apenas mais uma garota na turma que estuda na universidade.
Como disse, não entrei em detalhes. Eu estava lá pra aprender hebraico e não pra dar informações corretas. Passou, quando ela veio até mim perguntar o que eu fazia em Israel eu disse que estava aqui fazendo um ano do meu doutorado e ela perguntou há quanto tempo estava aqui, eu disse 7 dias, a turma inteira caiu na gargalhada. Da turma, quem esta a menos tempo aqui, fora eu claro, é uma mulher russa que está aqui há 10 meses, que sentou do meu lado e que não fala inglês. Em geral eles moram longe, e se você diz que mora em Ramat-Aviv, eles abrem a expressão e dizem, uau!, como a garota que atende na loja de produtos naturais que encontrei na Arlozorov, e me perguntou se eu era americano ou o que? A garota da turma que tambem estuda na TAU e parece ser espanhola tem aquele ar caracteristico de aluno de graduação. Entenderam por que eu destôo. Além disso, se não batasse, eu já sou alfabetizado em hebraico, como já expliquei. Todos na turma falavam hebraico, menos eu. Ninguém sabia ler ou escrever, só eu. Principalmente os filipinos, ficaram muito espantados com uma coisa dessas, como podia? Eu disse que tinha estudado um pouco de hebraico no Brasil, mas que o contexto não proporcionava a prática oral da língua, era por isso. Depois da mulher russa que está aqui há 10 meses, as médias aumentam bastante, 1 ano, 2 anos, 4 anos, 7 anos, 10, 14, 20, 25 anos. Imaginem vocês, 20 anos num país, falando a língua pra tudo que você precisa fazer com ela mas sem poder ler, ou escrever? Não é a esta condição que aí no Brasil nos referimos comumente por analfabetismo?
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Duas curiosidades de ontem
Ainda ontem, fui buscar um livro e copiar um artigo na biblioteca central (Sourasky é o nome do prédio, depois explico) que é pertinho do prédio em que trabalho (que chama Webb) que é também onde ficam as Letras. O acervo é bastante grande e depois que estava com o tal Handbook que fui a procura, quiz tirar um xero de um artigo. As máquinas de xerox aqui funcionam com cartão, e serve cartão de crédito. Estçao espalhadas por todos os lados, várias delas. Você coloca o cartão e depois vem na conta. Acho que com meu cartão do banco aqui vou poder fazer isso, por enquanto não quero usar o de crédito. Mas então me informaram que no subsolo da biblioteca havia lá várias máquinas de xerox e que lá eu poderia usar dinheiro. Chegando lá uma mulher vei falar comigo e eu disse que queria xerox. Aqui é você mesmo que tira o xerox, igual como a Clara já tinha dito que era no Canadá. A mulher disse que não falava inglês, eu disse ok, mas nos entendemos, ela conhecia um pouco do vocabulário e era pragmaticamente esperta. Eu disse que ela falava inglês e ficou lisonjeada. Me mostrou a máquina, aí eu disse pra ela que eu não falava hebraico (Ani lo medaber ivrit) e ela me devolveu Ani medaber russit, que ela falava russo. Bom, o xerox com dinheiro é uma máquina que tem um dispositivo em que você coloca uma moeda, 5 shekels por exemplo e ela mostra quantas cópias você tem direito. Cada cópia custa 18 agorot, que é a divisão do shekel, o nosso centavo aí. No fim a máquina devolve o dinheiro que você não utilizou. Fui embora satisfeito, tendo sentido o que é ter que tirar cópia de algumas páginas de um livro com mais de mil, percebi um pouco como se sente uma dessas nossas pessoas aí que batem xerox pra nós.
Outra curiosidade foi quando passei pra comprar um café na espécie de centro de convivência que tem aqui na universidade. Nessa hora falei em inglês, meu hebraico não chega a tanto. Enquanto a mulher fazia o café eu perguntei como ela chamava "esse negócio aqui" e apontei para uns alfajores que estavam numa bandeja na minha frente. Ela me olhou e disse pausadamente com dificuldade, "al-fa-jjjo-res", com o "jota" do espanhol, que corresponde mais ou menos ao kaf [כ] hebraico. Eu disse "sim, alfajores", como o jota do português. E completei, tem muitos desses na Argentina. Ela fez que sim. Mas não comentei que a origem dos alfajores é árabe, e se não me engano do líbano.
Outra curiosidade foi quando passei pra comprar um café na espécie de centro de convivência que tem aqui na universidade. Nessa hora falei em inglês, meu hebraico não chega a tanto. Enquanto a mulher fazia o café eu perguntei como ela chamava "esse negócio aqui" e apontei para uns alfajores que estavam numa bandeja na minha frente. Ela me olhou e disse pausadamente com dificuldade, "al-fa-jjjo-res", com o "jota" do espanhol, que corresponde mais ou menos ao kaf [כ] hebraico. Eu disse "sim, alfajores", como o jota do português. E completei, tem muitos desses na Argentina. Ela fez que sim. Mas não comentei que a origem dos alfajores é árabe, e se não me engano do líbano.
Mas quem é Marcelo?
Muitos não sabem e nem teriam por que saber. Marcelo Dascal é um filósofo e lingüísta (!) brasileiro judeu radicado em Israel desde 1965. Como já mencionei ele deu aulas na Unicamp por aproximadamente 10 anos, entre os anos 70 e 80. Como a vida acadêmica no Brasil veio piorando desta época pra cá --me refiro ao crescente processo de burocratização e dependência da atividade intelectual de estruturas estatais, de forma que o pesquisador tem se transformado no próprio administrador da instituição universitária tornando-se um burocrata-- ele, o Dascal, depois de uma passagem por um importante instituto de pesquisa holandês, retornou para Tel-Aviv, de onde ele nunca se desligou oficialmente. Pra quem se interessar, ele tem uma página pessoal que fala um pouco da suas atividades e traz uma lista de sua enorme produção acadêmica e intelectual: http://www.tau.ac.il/humanities/philos/dascal/index.html
Não preciso ficar aqui fazendo propaganda para ele, não é necessário e eu não seria a pessoa indicada para isso. Gostaria apenas de discorrer um pouco sobre a importância do trabalho dele no Brasil. Aí, ele é conhecido principalmente nos departamentos de lingüística e de filosofia. Inclusive é mais conhecido neste último. Na lingüística ele foi atuante no período em que mencionei acima, formando vários pesquisadores sob sua orientação. A lista é grande. Na UFPR, por exemplo, além do Borges Neto, há vários outros, como a Elena Godoi, a Ligia Negri, o Luis Artur Pagani e a Maria José Foltran (não tenho certeza). Todos são professores da Pós em Letras lá em Curitiba. Da leva de "paulistinhas" (como diz o Alberto) quase a totalidade foi aluna dele e todos, acredito, padecem do mesmo mal, salvo engano meu, desconhecem a obra dele e não estão atualizados. Eu poderia começar mencionando a disciplina da linguistica conhecida por pragmática (ponto polêmico este, não é mesmo Elena?) e dizer que a história desta disciplina no Brasil está intimamente ligada ao pensamento do Dascal. Nem todos os pragmaticistas ou interessados por ela no Brasil acompanham o pensamento do Dascal, mas reconhecem sua importância ou sabem que ele existe, pelo menos. Para caracterizar de modo grosseiro, poderia dizer que a pragmática que ele desenvolve é de base griceana (do filósofo Paul Grice). Como disse nem todos seguem esta linha e outros concentram-se mais nas idéias de John Austin, por exemplo, ligando-se de alguma forma ao pensamento de John Searle. Para o Dascal a idéias do Searle não combinam muito com as do Grice e acredito que pe próprio Searle não negaria esta separação. Recentemente, em 2006, foi traduzido pela Ed. da Unisinos o volume "Interpretação e Compreensão" em que estão reunidos artigos de quase 30 anos da produção do Dascal neste campo. Uma outra referência importante poderia dizer que é o volume "Pragmática e Filosofia da Mente vol 1" (1983), ainda não traduzido para o português mas que está em negociação entre a John Benjamins, editora que detém os direitos, e a Ed. da UFPR. A tradução deste vai ficar ao meu encargo e aqui em Tel-Aviv estamos programando o segundo volume, em que o Dascal explora a outra face de sua teoria pragmática. Estou escrevendo um artigo sobre "As 3 pragmáticas de Marcelo Dascal" e espero poder terminá-lo em breve (!). Prometo em breve dizer alguma coisa sobre esta divisão da pragmática dele.
Não preciso ficar aqui fazendo propaganda para ele, não é necessário e eu não seria a pessoa indicada para isso. Gostaria apenas de discorrer um pouco sobre a importância do trabalho dele no Brasil. Aí, ele é conhecido principalmente nos departamentos de lingüística e de filosofia. Inclusive é mais conhecido neste último. Na lingüística ele foi atuante no período em que mencionei acima, formando vários pesquisadores sob sua orientação. A lista é grande. Na UFPR, por exemplo, além do Borges Neto, há vários outros, como a Elena Godoi, a Ligia Negri, o Luis Artur Pagani e a Maria José Foltran (não tenho certeza). Todos são professores da Pós em Letras lá em Curitiba. Da leva de "paulistinhas" (como diz o Alberto) quase a totalidade foi aluna dele e todos, acredito, padecem do mesmo mal, salvo engano meu, desconhecem a obra dele e não estão atualizados. Eu poderia começar mencionando a disciplina da linguistica conhecida por pragmática (ponto polêmico este, não é mesmo Elena?) e dizer que a história desta disciplina no Brasil está intimamente ligada ao pensamento do Dascal. Nem todos os pragmaticistas ou interessados por ela no Brasil acompanham o pensamento do Dascal, mas reconhecem sua importância ou sabem que ele existe, pelo menos. Para caracterizar de modo grosseiro, poderia dizer que a pragmática que ele desenvolve é de base griceana (do filósofo Paul Grice). Como disse nem todos seguem esta linha e outros concentram-se mais nas idéias de John Austin, por exemplo, ligando-se de alguma forma ao pensamento de John Searle. Para o Dascal a idéias do Searle não combinam muito com as do Grice e acredito que pe próprio Searle não negaria esta separação. Recentemente, em 2006, foi traduzido pela Ed. da Unisinos o volume "Interpretação e Compreensão" em que estão reunidos artigos de quase 30 anos da produção do Dascal neste campo. Uma outra referência importante poderia dizer que é o volume "Pragmática e Filosofia da Mente vol 1" (1983), ainda não traduzido para o português mas que está em negociação entre a John Benjamins, editora que detém os direitos, e a Ed. da UFPR. A tradução deste vai ficar ao meu encargo e aqui em Tel-Aviv estamos programando o segundo volume, em que o Dascal explora a outra face de sua teoria pragmática. Estou escrevendo um artigo sobre "As 3 pragmáticas de Marcelo Dascal" e espero poder terminá-lo em breve (!). Prometo em breve dizer alguma coisa sobre esta divisão da pragmática dele.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
O blog ideal
Queria poder transformar minhas idéias que tenho a respeito do que eu gostaria que fosse esse meu blog em realidade, venho dizendo desde o início que isso não é possível, infelizmente. Este aqui é o link do envento que vai acontecer em Jerusalem. Os interessados dêm uma olhada no programa, tem várias coisas relacionada à questão lingüística
http://www.neiu.edu/~duo/
Este outro é o link para um site chamado Link TV, aqui pode-se assistir ao documentário que estará sendo exibido no congresso que estou falando, chama-se "Occupied Minds"
http://www.linktv.org/programs/occupied
http://www.neiu.edu/~duo/
Este outro é o link para um site chamado Link TV, aqui pode-se assistir ao documentário que estará sendo exibido no congresso que estou falando, chama-se "Occupied Minds"
http://www.linktv.org/programs/occupied
terça-feira, 6 de novembro de 2007
O encontro com Marcelo II
este post é a segunda parte do de ontem. Incluirei aqui o que deixei de fora no anterior. Ontem o dia foi cheio hoje não foi diferente. Tornou-se inpossível registrar tudo o que eu vejo e o que me acontece. O número de leitores cresce a cada dia, cada vez mais comentários são feitos, vou manter a prática de mencionar os comentadores. Recebi um comentário preocupado da Nadja, que já expliquei quem é (veja o post de ontem) a respeito do uso de pochete. O que ela diz não é de todo descabível, e ela está totalmente certa quando diz que "do nosso ponto de vista" daí eu poderia ser confundido com um homem bomba. Deus me livre! (os judeus escrevem assim D*us). Não sei bem por que, mas tem a ver com algo como não poder pronuciar o nome de Deus, que aliás são vários, muitos, muitíssimos, se não me engano mais de 70. Desculpem minha ignorância, mas sou novato no tema. Poderia dar uma lista de referências sobre o tema do judaísmo, mas não agora. Consultem, os interessados, o catálogo da editora Perspectiva, eles têm ótimos títulos. Antes de sair aí do Brasil eu estava lendo "A filosofia do judaísmo", um livro escrito nos anos 30 por Julius Guttman, em que faz um apanhado da filosofia judaica, primeiro em relação ao helenismo e depois em relação a tradição judaica propriamente.
Bom, mas não se preocupem poir por aqui já vi outras pessoas usando pochete. Gente, acreditem, e eu sei que muitos acreditam e sabem, ninguém aqui parece estar preocupado com homens bomba, a segurança é uma questão corriqueira porque o seguro morreu de velho. Revistam você pra entrar em qualquer lugar, até no campus da universidade, é verdade. E o engraçado é que já notei que eles possuem uma técnica específica, você abre sua mochila ou bolsa e eles botam a mão por baixo dela, num gesto como se pesassem. Dão uma olhada rápida e pronto. Hoje no supermercado dos estudantes, onde comprei pão e humus caseiro (humus baiti) o segurança olhou pra minha cara e disse pra eu entrar, não me revistou. Hoje de manhã quando fui fazer o nivelamento de hebraico no Ulpan (que aliás como eu já sabia fiquei no nível básico) entrei e o segurança parece nem ter me notado, quando voltei na rua ele me pergutou se eu tinha sido "examinado", disse que não e perguntei se ele queria examinar, ele disse que não.
A questão do Ulpan, vocês imaginem o que é fazer uma prova tendo diante de você uma língua que você não entende praticamente nada e que mal conhece as letras. Pois é uma situação muito comum para muitas pessoas, mas imaginem ter que responder perguntas nestas condições. Pois eu tentei, e alguma coisa eu fiz. Claro eu já estou alfabetizado (aleph-betized (sic), já conheço as letras). E eu tentei ler, enunciado por enunciado, questão por questão e a cada termo que eu identificava, tentava estabelecer uma relação com o que eu imaginava que estava sendo perguntado (fazia isso pela estrutura do exercício), e vias a alternativas e tentava responder. Resultado, acertei duas. Começo amanhã. Sei que apenas seguir aprendendo aleatoriamente no dia a dia, vai me levar a um ponto em que não vou progredir mais, o maximo a que poderia chegar é conseguir me comunicar no cotidiano, e isso se aprende rapido, podem acreditar. Mas o que quero é poder ler e participar de uma conversa elaborada, assitir uma aula, por exemplo, ver um filme e poder até mesmo escrever, se for possível. Um ano só sei que não vai ser suficiente, mas quero aproveitar ao máximo. Vou ter aula duas vezes por semana, de 2:30 cada. Tinha a possibilidade de intensivo, 5 horas por dia, 5 dias por semana, mas seria demais pra mim, e tenho muitas outras coisas pra fazer.
Por exemplo, hoje o Dascal me convidou pra ir a Jerusalem na próxima semana. Um congresso intitulado "Dialogue under Occupation", a se realizar na Jerusalem oriental, no meio do terreno conflituoso. Então preparem os corações aí, brasileiros todos, estou indo ver os palestinos de perto mais cedo de que esperava. Recomendo a leitura do livro "Eu vi Ramallah" de Mourid Barghout, autor palestino que conta seus infortunios de 30 anos de exílio. Ramallah é a capital da Palestina (Cisjordânia). O Dascal vai participar de uma mesa, lá nesse congresso e eu vou assistir e aproveitar pra olhar em volta, ver como são as coisas.
Recebi um comentário da nossa colega Virgínia Kuhnen, grande colega do tempo da Univali em Itajaí. Casada com o escritor, poeta, editor, e artista plástico Rogério Lenzi. Grande surpresa, fico muito feliz de receber notícias de vocês. Eles moram em Navegantes e já fizemos algumas juntos.
Isso foi o que aconteceu hoje, ontem foi o seguinte: quero retomar o assunto da minha colega alemã aqui pela última vez. Acho que devo. Ontem o Dascal me perguntava como eu estava morando e tal. Eu disse e comentei que havia uma colega, "alemã coitada", e ele disse, "isso tá me cheirando a racismo". Ele é assim, não se preocupa em dizer o que pensa e acho que está tudo bem. Pensei um pouco sobre o assunto. Eu falei em ton de piada e ele não fez o comentário em ton de censura. O que eu pensei foi que mesmo que eu não tenha intenções racistas ou preconceituosas (e isso não posso negar) o equívoco está na genralização. Não tenho como me defender e nem vou fazer. Fica por isso mesmo, o preconceito é a base do conhecimento desde que não se satisfassa com o primeiro. Por isso estou tranquilo, nao costumo me satisfazer com nenhuma sabedoria, pra mim são todas passageiras.
Quando relatei o falatório com o meu colega Kobi, que aliás esqueci de dizer que é judeu filho de mãe iraquiana e pai marroquino, mostrei só o lado positivo da questão. Lados negativos há muitos, mas não estou com cabeça pra explorar. Este blog vem recebendo um número crescente de leitores, e já começo a sentir o peso de uma certa responsabilidade. Várias vezes fiquei pensando se uma coisa dessas seria possível, encontrar um público que interagisse desta forma. Aqui está. A Clara comentou comigo a respeito de uma artigo que ela leu que questionava o estatuto de gênero textual do blog. Parece que o argumento do autor era baseado num certo hibridismo que o blog possui. Quem sabe se o Prof. José Luis Meurer (grande Zé!) estiver lendo este, ele tenha algo a dizer. Eu não sei. De minha parte pensei que, assim que tiver fotos pra mostrar, vou preferir abrir um fotolog linkado por aqui. Achei que colocar fotos aqui iria estragar tudo. Que vocês acham?
O Paul-Marc, de Paris, está super empolgado com estas minhas notícias israelenses, hoje conversei um pouco com ele. E o Juliano Binder e sua esposa Schar, de Milão, também estão acompanhando. Como ele diz, agora ele é um cidadão europeu (risos), ele acaba de receber a cidadania italiana, não foi fácil, não é mesmo brother? O binder merecia uma postagem inteira só pra contar como é essa figura. Alías acho que todos os meus leitores são caracteres interessantes, eu poderia falar horas deles. Paro aqui, depois se lembrar de algo mais, volto a escrever. Desculpem não ter separado as noticias de hoje num post a parte.
Bom, mas não se preocupem poir por aqui já vi outras pessoas usando pochete. Gente, acreditem, e eu sei que muitos acreditam e sabem, ninguém aqui parece estar preocupado com homens bomba, a segurança é uma questão corriqueira porque o seguro morreu de velho. Revistam você pra entrar em qualquer lugar, até no campus da universidade, é verdade. E o engraçado é que já notei que eles possuem uma técnica específica, você abre sua mochila ou bolsa e eles botam a mão por baixo dela, num gesto como se pesassem. Dão uma olhada rápida e pronto. Hoje no supermercado dos estudantes, onde comprei pão e humus caseiro (humus baiti) o segurança olhou pra minha cara e disse pra eu entrar, não me revistou. Hoje de manhã quando fui fazer o nivelamento de hebraico no Ulpan (que aliás como eu já sabia fiquei no nível básico) entrei e o segurança parece nem ter me notado, quando voltei na rua ele me pergutou se eu tinha sido "examinado", disse que não e perguntei se ele queria examinar, ele disse que não.
A questão do Ulpan, vocês imaginem o que é fazer uma prova tendo diante de você uma língua que você não entende praticamente nada e que mal conhece as letras. Pois é uma situação muito comum para muitas pessoas, mas imaginem ter que responder perguntas nestas condições. Pois eu tentei, e alguma coisa eu fiz. Claro eu já estou alfabetizado (aleph-betized (sic), já conheço as letras). E eu tentei ler, enunciado por enunciado, questão por questão e a cada termo que eu identificava, tentava estabelecer uma relação com o que eu imaginava que estava sendo perguntado (fazia isso pela estrutura do exercício), e vias a alternativas e tentava responder. Resultado, acertei duas. Começo amanhã. Sei que apenas seguir aprendendo aleatoriamente no dia a dia, vai me levar a um ponto em que não vou progredir mais, o maximo a que poderia chegar é conseguir me comunicar no cotidiano, e isso se aprende rapido, podem acreditar. Mas o que quero é poder ler e participar de uma conversa elaborada, assitir uma aula, por exemplo, ver um filme e poder até mesmo escrever, se for possível. Um ano só sei que não vai ser suficiente, mas quero aproveitar ao máximo. Vou ter aula duas vezes por semana, de 2:30 cada. Tinha a possibilidade de intensivo, 5 horas por dia, 5 dias por semana, mas seria demais pra mim, e tenho muitas outras coisas pra fazer.
Por exemplo, hoje o Dascal me convidou pra ir a Jerusalem na próxima semana. Um congresso intitulado "Dialogue under Occupation", a se realizar na Jerusalem oriental, no meio do terreno conflituoso. Então preparem os corações aí, brasileiros todos, estou indo ver os palestinos de perto mais cedo de que esperava. Recomendo a leitura do livro "Eu vi Ramallah" de Mourid Barghout, autor palestino que conta seus infortunios de 30 anos de exílio. Ramallah é a capital da Palestina (Cisjordânia). O Dascal vai participar de uma mesa, lá nesse congresso e eu vou assistir e aproveitar pra olhar em volta, ver como são as coisas.
Recebi um comentário da nossa colega Virgínia Kuhnen, grande colega do tempo da Univali em Itajaí. Casada com o escritor, poeta, editor, e artista plástico Rogério Lenzi. Grande surpresa, fico muito feliz de receber notícias de vocês. Eles moram em Navegantes e já fizemos algumas juntos.
Isso foi o que aconteceu hoje, ontem foi o seguinte: quero retomar o assunto da minha colega alemã aqui pela última vez. Acho que devo. Ontem o Dascal me perguntava como eu estava morando e tal. Eu disse e comentei que havia uma colega, "alemã coitada", e ele disse, "isso tá me cheirando a racismo". Ele é assim, não se preocupa em dizer o que pensa e acho que está tudo bem. Pensei um pouco sobre o assunto. Eu falei em ton de piada e ele não fez o comentário em ton de censura. O que eu pensei foi que mesmo que eu não tenha intenções racistas ou preconceituosas (e isso não posso negar) o equívoco está na genralização. Não tenho como me defender e nem vou fazer. Fica por isso mesmo, o preconceito é a base do conhecimento desde que não se satisfassa com o primeiro. Por isso estou tranquilo, nao costumo me satisfazer com nenhuma sabedoria, pra mim são todas passageiras.
Quando relatei o falatório com o meu colega Kobi, que aliás esqueci de dizer que é judeu filho de mãe iraquiana e pai marroquino, mostrei só o lado positivo da questão. Lados negativos há muitos, mas não estou com cabeça pra explorar. Este blog vem recebendo um número crescente de leitores, e já começo a sentir o peso de uma certa responsabilidade. Várias vezes fiquei pensando se uma coisa dessas seria possível, encontrar um público que interagisse desta forma. Aqui está. A Clara comentou comigo a respeito de uma artigo que ela leu que questionava o estatuto de gênero textual do blog. Parece que o argumento do autor era baseado num certo hibridismo que o blog possui. Quem sabe se o Prof. José Luis Meurer (grande Zé!) estiver lendo este, ele tenha algo a dizer. Eu não sei. De minha parte pensei que, assim que tiver fotos pra mostrar, vou preferir abrir um fotolog linkado por aqui. Achei que colocar fotos aqui iria estragar tudo. Que vocês acham?
O Paul-Marc, de Paris, está super empolgado com estas minhas notícias israelenses, hoje conversei um pouco com ele. E o Juliano Binder e sua esposa Schar, de Milão, também estão acompanhando. Como ele diz, agora ele é um cidadão europeu (risos), ele acaba de receber a cidadania italiana, não foi fácil, não é mesmo brother? O binder merecia uma postagem inteira só pra contar como é essa figura. Alías acho que todos os meus leitores são caracteres interessantes, eu poderia falar horas deles. Paro aqui, depois se lembrar de algo mais, volto a escrever. Desculpem não ter separado as noticias de hoje num post a parte.
O encontro com Marcelo
Hoje finalmente encontrei o Prof. Marcelo Dascal. Não sei exatamente como ou o que dizer para descrevê-lo, acho que é desnecessário. Encontrei com ele no departamento de filosofia, depois que fui dar um pulo na biblioteca central pra conferir o funcionamento e descobri que aquela mulher que falava pouco inglês tinha feito algo com o meu registro que não era extamente o que eu precisava. Isto é, eu não poderia fazer muito com a senha e login que ela me deu. Hoje uma outra mulher, concertou em quinze minutos tudo o que aquela outra tinha levado quase uma hora pra fazer. Estou agora habilitado para acessar todo banco de dados da biblioteca e o sistema interno de computação, assim como emprestar livros também. Fui então ao departamento, chegou o Dascal e começamos a coonversar, enquanto ele abria correspondência e eu tomava mais um café turco. Me senti completamente a vontade diante dele, talvez até demais. Ele me falou um pouco da história acadêmica dele no Brasil, dos seus anos na Unicamp e digo a vocês que mito do que ele disse espero poder retomar em uma entrevista com ele que está agendada para ser publicada na Revista 18 (edição de fevereiro 2008) do Centro de Cultura Judaica de São Paulo. A revista pode ser acessada on line aqui
http://www.culturajudaica.org.br/01b/secao.asp?secao=/revista18/
É uma publicação trimestral e o último número traz uma entrevista com o escritor israelense Amós Oz, que tem vários de seus livros traduzidos aí no Brasil. Ja mencionei aqui o seu "Contra o fanatismo", recomendo também "Conhecer uma mulher" e "De amor e de trevas", que já li. O último estava lendo antes de vir pra cá e é uma autobiografia de 600 páginas em que se pode aprender muito sobre o pensamento israelense do autor, sobre a cultura israelense e sobre sua história pessoal que é muito curiosa. Aliás, o Oz dá aulas em Be'er Sheva, uma cidade ao sul do país em pleno deserto do Negev. Queria dizer aqui que a entrevista com o Dascal que vai sair na Revista 18 foi negociada com o editor, Luis Krauz, com quem entrei em contato através da Carla Reichman. Espero, como dizia, poder publicar essa entrevista em que também pedirei ao Dascal para que fale de sua Teoria das Controvérsias, que seu tema principal no momento.
Bo, agora tenho um escritório. Com mesa, cadeira, telefone, e algumas centenas de livros e journals a minha disposição. O escritório possui duas salas, em uma fica o Dascal e na outra, na entrada, duas mesas, uma que vai ser minha por um ano e a outra de um antropólogo italiano que está em Israel fazendo pós-doutorado com o Dascal. Ainda não o encontrei, está na Itália.
Registro aqui a notícia que recebi através da Clara sobre o Juliano, irmão da Mari, esposa do Márcio Dornelles, todos lá de Porto Alegre. O Juliano é uma rapaz que conheço há alguns poucos anos, um garoto muito esperto e ligado em muitas coisas. Aguardo comentários dele diretamente aqui neste blog, assim como também do Márcio e da Mari (pais da pequenina Cecília, minha outra sobrinha). Recebo notícias também da Nadja, de Fpolis, colega dos tempos da graduação na UFSC, casada com o Emerson (Eme para os chegados), historiador e professor na UDESC em Fpolis, os dois são pais do Pedro, um garoto muito bacana mesmo, vimos esse garoto nascer, como passa o tempo! O negócio do passaporte, já havia pensado nessa questão, de copiá-lo e deixá-lo em casa, não sei. O único perigo seria perdê-lo, o que pode acontecer, mas talvez não seja tão perigoso, funciona como uma carteira de identidade. Vou pensar um pouco mais no assunto.
Hoje conheci um cara, chamado Kobi (Jakob), mestrando orientando do Dascal, um cara muito falador, passei a tarde conversando com ele, esse não economiza palavras (germanicamente falando!). Falar demais pode ser um vício e por aí chegar a ser um defeito, mas existem vários estilos, vários modos de conversa. Quem me conhece sabe que gosto de conversar, tenho casos memoráveis pra relatar (como uma discussão que mantive madrugada adentro com meu Primo Lalai, o qual já mencionei aqui, que durou até umas 5:30 da manhã). É sério, hoje passamos Kobi eu pelo menos umas 4 horas falando, praticamente sem silêncios. Estou convicto que isso realmente não é para todos, tem que ter fôlego, e eu tenho. E debatiamos pontos de vista e perspectivas que cada um de nós mantinha, com apartes, parênteses e etc. Uma coisa que gostei nele é o recurso da explicitação de certos movimentos, o que transforma a conversa numa coisa organizada, com temas que podem ser interropidos e nos estender através de apartes, retornando ao tema central sem perder o fio. Mas o que quero mesmo dizer, é o recurso da explicitação de certos movimentos como: "A esta altura já devo ter chateado você com tanta falação, interrompa-me quando quiser", "não você ainda não me chateou, quando isso acontecer eu digo", exemplos como esses não são muito bons, tem alguns realmente fantásticos, intercalados rapidamente no meio de uma explicação. Os turnos dele eram longo, com apartes longos, apartes dentro de apartes, mas sempre retornando. E no meio de um aparte de um aparte eu podia fazer uma observação, interrompendo-o, mais ou menos longa sem incomodá-lo e sem fazer com que ele perdesse o fio. Ele não é o tipo de conversador ideal, no meu ponto de vista, pois este é só uma idéia. Mas ele conversa bem. É mais rígido do que eu, por exemplo: numa certa altura, quando tomei o turno comecei a narrar meu dia de ontem, aparentemente sem propósito. Contei em detalhes e ele ficou ouvindo e ouvia com atenção isso eu posso garantir. Ao final da minha pura e simples narração não havia nenhuma conclusão, eu não estava "querendo dizer" nada, nem era a exemplificação de alguma coisa, estava simplesmente narrando. No fim, iniciamos um novo tópico, dentro do tema principal da conversa da tarde e ele não me fez nenhuma pergunta sobre por quais motivos eu havia narrado aquilo tudo. Isso é realmente fantástico, ele ouviu e foi só.
http://www.culturajudaica.org.br/01b/secao.asp?secao=/revista18/
É uma publicação trimestral e o último número traz uma entrevista com o escritor israelense Amós Oz, que tem vários de seus livros traduzidos aí no Brasil. Ja mencionei aqui o seu "Contra o fanatismo", recomendo também "Conhecer uma mulher" e "De amor e de trevas", que já li. O último estava lendo antes de vir pra cá e é uma autobiografia de 600 páginas em que se pode aprender muito sobre o pensamento israelense do autor, sobre a cultura israelense e sobre sua história pessoal que é muito curiosa. Aliás, o Oz dá aulas em Be'er Sheva, uma cidade ao sul do país em pleno deserto do Negev. Queria dizer aqui que a entrevista com o Dascal que vai sair na Revista 18 foi negociada com o editor, Luis Krauz, com quem entrei em contato através da Carla Reichman. Espero, como dizia, poder publicar essa entrevista em que também pedirei ao Dascal para que fale de sua Teoria das Controvérsias, que seu tema principal no momento.
Bo, agora tenho um escritório. Com mesa, cadeira, telefone, e algumas centenas de livros e journals a minha disposição. O escritório possui duas salas, em uma fica o Dascal e na outra, na entrada, duas mesas, uma que vai ser minha por um ano e a outra de um antropólogo italiano que está em Israel fazendo pós-doutorado com o Dascal. Ainda não o encontrei, está na Itália.
Registro aqui a notícia que recebi através da Clara sobre o Juliano, irmão da Mari, esposa do Márcio Dornelles, todos lá de Porto Alegre. O Juliano é uma rapaz que conheço há alguns poucos anos, um garoto muito esperto e ligado em muitas coisas. Aguardo comentários dele diretamente aqui neste blog, assim como também do Márcio e da Mari (pais da pequenina Cecília, minha outra sobrinha). Recebo notícias também da Nadja, de Fpolis, colega dos tempos da graduação na UFSC, casada com o Emerson (Eme para os chegados), historiador e professor na UDESC em Fpolis, os dois são pais do Pedro, um garoto muito bacana mesmo, vimos esse garoto nascer, como passa o tempo! O negócio do passaporte, já havia pensado nessa questão, de copiá-lo e deixá-lo em casa, não sei. O único perigo seria perdê-lo, o que pode acontecer, mas talvez não seja tão perigoso, funciona como uma carteira de identidade. Vou pensar um pouco mais no assunto.
Hoje conheci um cara, chamado Kobi (Jakob), mestrando orientando do Dascal, um cara muito falador, passei a tarde conversando com ele, esse não economiza palavras (germanicamente falando!). Falar demais pode ser um vício e por aí chegar a ser um defeito, mas existem vários estilos, vários modos de conversa. Quem me conhece sabe que gosto de conversar, tenho casos memoráveis pra relatar (como uma discussão que mantive madrugada adentro com meu Primo Lalai, o qual já mencionei aqui, que durou até umas 5:30 da manhã). É sério, hoje passamos Kobi eu pelo menos umas 4 horas falando, praticamente sem silêncios. Estou convicto que isso realmente não é para todos, tem que ter fôlego, e eu tenho. E debatiamos pontos de vista e perspectivas que cada um de nós mantinha, com apartes, parênteses e etc. Uma coisa que gostei nele é o recurso da explicitação de certos movimentos, o que transforma a conversa numa coisa organizada, com temas que podem ser interropidos e nos estender através de apartes, retornando ao tema central sem perder o fio. Mas o que quero mesmo dizer, é o recurso da explicitação de certos movimentos como: "A esta altura já devo ter chateado você com tanta falação, interrompa-me quando quiser", "não você ainda não me chateou, quando isso acontecer eu digo", exemplos como esses não são muito bons, tem alguns realmente fantásticos, intercalados rapidamente no meio de uma explicação. Os turnos dele eram longo, com apartes longos, apartes dentro de apartes, mas sempre retornando. E no meio de um aparte de um aparte eu podia fazer uma observação, interrompendo-o, mais ou menos longa sem incomodá-lo e sem fazer com que ele perdesse o fio. Ele não é o tipo de conversador ideal, no meu ponto de vista, pois este é só uma idéia. Mas ele conversa bem. É mais rígido do que eu, por exemplo: numa certa altura, quando tomei o turno comecei a narrar meu dia de ontem, aparentemente sem propósito. Contei em detalhes e ele ficou ouvindo e ouvia com atenção isso eu posso garantir. Ao final da minha pura e simples narração não havia nenhuma conclusão, eu não estava "querendo dizer" nada, nem era a exemplificação de alguma coisa, estava simplesmente narrando. No fim, iniciamos um novo tópico, dentro do tema principal da conversa da tarde e ele não me fez nenhuma pergunta sobre por quais motivos eu havia narrado aquilo tudo. Isso é realmente fantástico, ele ouviu e foi só.
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