terça-feira, 11 de março de 2008

O Templo Shaolin


Este livro tratando de aspectos do Budismo praticado no Mosteiro Shaolin, do sinólogo Meir Shahar, aqui da Universidade de Tel-Aviv, foi recentemente publicado pela Editora da Universidade do Havaí. Fiz contato com ele e nos encontramos para que eu pudesse apresentar a ele uma proposta de tradução do livro, uma idéia que me surgiu assim que eu soube da publicação, quando vi um anúncio em um mural do Gilman (o prédio da filosofia). No momento estou tentando conseguir uma editora brasileira que se interesse pela publicação da tradução. A partir da idéia de traduzir o livro, fiz contato com Rodrigo Apolloni, praticante e professor de Kung Fu Shaolin em Curitiba, com a idéia de formarmos uma dupla para traduzir o volume. Ele já traduziu artigos do Professor Shahar para o português e também é autor de vários artigos tratando de diferentes aspectos do Kung Fu Shaolin praticado no Brasil.
Um dos argumentos mais importantes no livro é o questionamento a respeito da conjugação da prática marcial dos monges Shaolin que aparentemente parece estar em contradição com um dos princípios fundamentais do Budismo, o da não-volência. Além disso, Shahar mostra como sendo eles, os monges Shaolin, budistas possuem estes também o hábito de comer carne. Um argumento bastante interessante, documentado com relatos históricos que justificam esta excessão no contexto do Budismo. O livro trata ainda da importância do papel do Mosteiro Shaolin no desenvolvimento do Budismo Chinês, tendo sido em Shaolin o primeiro lugar de desenvolvimento do Budismo fora da Índia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Mais algumas fotos


Pessoal, esta é a vista que tenho todos os dias, depois que entro no campus e me dirijo ao prédio em que trabalho (o Webb, logo devo postar algumas fotos dele aqui). Aquela escultura que se vê ao fundo se chama "O sacrifício de Isaac", muito curioso, percebem por que? Logo vou postar outras fotos das esculturas no campus e coloco uma outra desta escultura mais de perto. O negócio é que, até onde eu sabia, a estória do sacrifício de Isaac envolvia Abraão, seu filho Isaac e Deus, que ordenou o sacrifício como espécie de teste à fé de Abraão, não foi isso? Mas acontece que a figura retratada ali, que está segurando o que se supõe que seja a figura de Isaac, possui dois chifres bem grandes!, como vcs mesmos podem ver. O que significa isso?


Aqui vcs têm uma vista de uma rua do bairro Ramat-Aviv: rehov (rua) Tagore. Como podem ver, as tamareiras no centro da avenida são bem comuns por aqui.



Esta é uma foto de uma rua no centro da cidade. Não me lembro o nome da rua. Mas esses prediozinhos que vcs vêm aí são super comuns, a maioria da cidade é formada por eles, acho que são os tais Bauhaus que dizem que viraram patrimonio cultural de Tel-Aviv.

Uma leitura

Estou terminando de ler a autobiografia do Jespersen. Muito bem traduzida do dinamarquês (como sei?) e muito interessante a personalidade do conhecid lingüísta. Pena não haver tradução para o português. Alguém conhece algum tradutor do dinamarquês? Uma tradução indireta não seria indicada, apesar de como já disse, a tradução estar muito bem escrita. O único livro traduzido do dinamarquês para o português brasileiro que li foi "A Fome" do Knut Hansun, feita pelo Carlos Drumond de Andrade! Pelo que tudo indica foi tradução indireta, a partir do francês. Ou o Drumond sabia também dinamarquês? E uma coletânea de peças do Ibsen (só que o Ibsen era norueguês) que comprei por 4 reais em um supermercado no Campeche, acreditem! Esta não está lá muito confiável. E o que temos, pobre de nós, de Kierkegaard em português brasileiro? É nessas horas que se percebe como o Brasil precisa avançar em questões de tradução.

Muito interessante a forma como o Jespersen conta sua trajetória acadêmica, principalmente. Possui bom humor e visão nítida das coisas. Curioso ver como ele se formou e trabalhou num período pré e pós Saussure. Apesar de achar que sua obra não possui mais tanta relevância hoje (ou estou muito enganado?), sua percepção lingüística é impressionante. Ele trabalhou num período em que as pesquisas mais avançadas em lingüística se davam sobretudo em fonética. E seus estudos de língua inglesa e suas reflexões sobre ensino e aquisição de linguagem impressionam ainda hoje.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


Esta é uma das placas típicas da cidade, de indicação das ruas. Como se pode ver, são geralmente trilingües (hebraico, árabe, e transcrição em alfabeto latino). Já comentei aqui que o árabe é uma das línguas oficiais de Israel, mas sobre esta condição precisaria fazer uma postagem a parte, também. Em se tratando de política língüística aqui, já me inteirei de coisas curiosas. Em resumo, parece haver uma tentativa de privilegiar (talvez para manter vivo) o hebraico, e para tanto se produz uma política com nuances curiosas. Melhor seria consultar algum estudo sobre a questão, antes de fazer considerações que podem estar equivocadas, desde o ponto de vista comum de um observador comum, talvez um pouco informado (mas mais imaginativo do que propriamente informado).

cafes

Um (entre as centenas) dos cafés de Tel-Aviv. Este tema daria assunto para uma postagem a parte, tratando da vida da e na cidade. Deixo pra depois. Na placa com o nome do lugar está escrito em hebraico "Aroma". Este fica na esquina da Dizengoff com a Gordon, neste cruzamento tem 5 cafés!, um em cada esquina, mais um, ao lado. Tirei a foto sentado em um outro café, do outro lado da rua, no café Duck. Lá, encontrei, no último sábado, o meu amigo antropólogo, Marcello que veio da Sardenha para trabalhar aqui em Tel-Aviv com o Dascal.

Reinicio

Bom, depois de mais de mês sem postar nenhuma notícia de minha estadia em Tel-Aviv, retorno para dar início a uma nova série. Adquiri finalmente uma câmera e então, a partir de agora, resolvi que passo a postar fotos de Tel-Aviv neste blog. São principalmente fotos de lugares por onde passo, é claro. Junto com as fotos acrescentarei alguma legendas, para fornecer alguma contextualização e também alguma explicação. Aqui vão algumas.

Esta é a vista que tenho da janela do meu escritório. O prédio largo, no meio da foto, é a biblioteca centra (Sourasky). Atrás uma vista do bairro de Ramat-Aviv e ao fundo o lado sul da cidade de Tel-Aviv, em direção ao mar. Indo-se em direção ao sul, chega-se a Yafo.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Uma Visita

Passo por aqui para uma visita, apenas. Incluí algumas fotos no meu albúm, vejam o link no lado direito do blog. Não são fotos de Tel-Aviv. São apenas algumas ilustrações de alguns lugares e costumes entre os quais círculo no Brasil. Há fotos de vários autores. Quem quiser comentar, se alguma evocar alguma lembrança, fique a vontade. Ainda não tenho uma câmera aqui em Tel-Aviv, por isso não posso ainda postar fotos daqui. Espero poder fazer isso em breve, não sei, vamos ver. Algumas pessoas achariam uma pena que eu me fosse embora daqui e não levasse nenhuma foto. Pra mim não é tão sério. Realmente não me importo com imagens, gosto delas, mas, sou mais chegado às palavras. Percebam que não mostro fotos de pessoas com quem me relaciono, amigos, familiares, nem minhas, nem da Clara. Não sei por que, mas não acho legal. Não é muito sério, talvez qualquer hora dessas. Mas pra quê? Vão vendo por aí como me relaciono com imagens. Gosto de fotos de coisas, não de pessoas. De pessoas, só as que não conheço. Vejam na mesma lista com o link para o albúm que inclui links para blogs de conhecidos e também de certas figuras. Não simpatizo necessariamente com elas, "as figuras", mas acho que podem ter algo legal a dizer. Me refiro aqui principalmente aos ilustres desconhecidos: Schwartzman, Gabeira, Unger. São figuras do nosso tempo, do meu tempo.

Muitas coisas têm acontecido por aqui. Várias vezes penso e elaboro mentalmente posts pra incluir aqui, mas refreio o impulso. É assim que sou, gosto de me impedir de fazer certas coisas que sinto vontade. Por aí vou aprendendo a ter auto-controle, o que considero importante. Mas esse negócio tá ficando pessoal demais, e o objetivo aqui é público e não privado, muito menos confessional, isso jamais. Por isso deixei de ser cristão. Quando me obrigaram, quando tinha 11 anos de idade, a me confessar, comecei a desconfiar do catolicismo cristão. Pra quem não sabe, eu estudei em colégio de freiras por um bom tempo da minha vida. Não foi de todo mal, aprendi a conhecer melhor os meandros da tal crença.

Pra quem está curioso, não passei o natal com os filipinos, não. Mas voltaram a me convidar e me senti na obrigação de fornecer toda uma explicação, justificando filosoficamente e sociologicamente por que não queria comemorar o natal. Acho que entenderam. Mais adiante anotarei aqui o que andei pensando sobre isso, sobre a comemoração do natal aí no Brasil, entre meu círculo familiar e de amigos, principalmente familiar. Não gosto do natal, das comemorações do natal aí. Consumismo e exagero de sobra e nenhuma reflexão sobre o que significa o nascimento. Nascimento de quem? Não importa.