sexta-feira, 4 de abril de 2008

Odisséia Postal

Já tinha desistido de escrever sobre o quanto é difícil se mandar um cartão postal hoje em dia. Mas resolvi escrever por que muito mais do que "hoje em dia", aqui em Tel-Aviv é tão complicado para se conseguir botar um postal no correio que... como se não bastasse a dificuldade toda devido aos tempos atuais, o correio aqui em Israel... e não é apenas pela minha experiência que digo isso, já vi mais de um cidadão israelense reclamando do correio daqui.

Primeiro de tudo, achar um postal a venda. Onde? Em Ramat Aviv não existe um lugar sequer em que seja possivel encontrar um. E eu procurei: shoppings, papelarias, correios, livrarias, etc. Nada. O curioso é que Israel é um país com grande influxo de turistas, imaginei então que em algum lugar deveria haver os tais postais. A minha landlady aqui em casa ri de mim porque diz que hoje em dia ninguém mais manda postais. Fui persistente, mas agora eu entendo. Se vcs soubessem o que estive fazendo pra mandar uns meros postaizinhos... Hoje ainda tive mais um capítulo da novela.

Mas, voltando à parte em que eu ainda não tinha os postais... Finalmente consegui encontrá-los a venda no centro da cidade. Comprei os postais. Tudo bem, agora era só colocá-los no correio. Antes fosse simples assim. A começar pelo fato que eu tinha que escrever alguma coisa neles, afinal estava (estou) mandando para os amigos e conhecidos. Foi então que descobri que não sabia mais o que escrever em um postal. Experimentem vcs mesmos. Acho que de tão acostumado a escrever emails, vários por dia, alguns gêneros (cartão postal é um gênero, certo?) ficaram obsoletos ou esquecidos e, como não praticamos, esquecemos ou desaprendemos. Fiz um esforço e comecei a "preencher" eles.

Outra questão que surgiu foi a dos endereços. Eu tinha que conseguir os endereços das pessoas pra quem queria mandar os postais. Para conseguir isso tive que mandar emails, vários a várias pessoas, pedindo endereços. Tive que anotá-los e depois passar para os cartões. Não mencionei nada a respeito do fato da escolha dos cartões. Geralmente, todos sabem (ou sabiam, quando ainda se mandava postais) que as fotos de postais são sempre um tanto ultrapassadas, antigas e as vezes meio antiquadas, curiosas sempre. Aqui de Tel-Aviv até que consegui encontrar algumas bastante recentes. Algumas mostrando Yafo (Jaffa) junto com Tel-Aviv, interessantes.

Depois disso conseguido e arranjado, fui procurar selos no correio para botar nos postais. Quando comprei os postais, alguns vendedores me ofereceram selos (1 sheqel e 0,50 agorot), comprei alguns. Quando cheguei no correio descobri que a postagen para o Brasil era de 4 sheqels e 0,50 agorot. Tudo bem, comprei outros selos para completar aqueles que tinham apenas 1,50 e outros selos de 4,50. Aí a coisa começou a complicar novamente. Fora os selos, tive que botar uma etiqueta de "via aérea" ('par avion', ou 'doar avir' em hebraico) e o espaço no postal para dizer alguma coisa começou a ficar escasso.

Depois de colocar alguns selos por cima de certas partes que eu já havia escrito antes dos selos, resolvi que iria comprar e colar os selos antes, junto com a etiqueta de via aérea, e depois escrever. O bom disso é que sobraria menos espaço e eu não teria muita dificuldade em "preencher" os postais, afinal, por que deveria escrever muito?, apenas um "Um alô de Tel-Aviv", "Saudades", etc. E de repente me dei conta de que a brincadeira estava começando a ficar cara! Um postal, mais selos, e o trabalho todo, quanto custaria isso tudo? Muito mais caro que um email, sem dúvida, ou um postal eletrônico, desses que temos aos montes pela internet. Preferi não pensar nisso, afinal, mandar um postal virou uma coisa rara, e adquiriu até mesmo um certo charme, e espero que a alegria de quem os vai receber além de como já disse ter se tornado, depois de passado o pasmo com a dificuldade, uma brincadeira divertida e que me rendeu até mesmo este post aqui.

Antes de passar ao último capítulo, o de hoje, em que tive mais surpresas, preciso mencionar o fato dos correios aqui funcionarem em horarios variados e estranhos. Por exemplo: domingo das 8 as 2, segunda e terça das 3 as 6, quarta das 8 as 11:30 e das 3 as 5:30. Estou inventando um pouco, mas é para dar a sensação que tive às várias vezes que fui no correio e dei com a cara na porta. Bom, hoje o último capítulo.

Hoje é sexta, vai começar o shabat, então tudo funciona só até as 3 horas da tarde. O correio não sei, arrisquei, fui até lá. Estava aberto, dei sorte. Fui no guichê e para minha surpresa o cara me falou que não era 4,50 a tarifa, mas sim 5,25. E agora? Eu disse que a mulher do guichê do lado tinha me dito que era 4,50 e eu já tinha mandado vários postais com 4,50. Ele virou-se para o lado e perguntou à mulher quanto era. Começou uma discussão. Era, não era, etc. O cara se levantou foi perguntar não sei onde não sei pra quem. A essa altura eu sentia um misto de vontade de chorar com vontade de rir. Resolvi rir em português. Volta o cara. Era mesmo 5,25 a mulher tinha se enganado. E agora? perguntei. Os postais que mandei com 4,50 vão voltar? "Não, não, não" ("Lo, lo, lo" em hebraico) me disse a mulher, eles vão assim mesmo. Resultado, para encurtar a historia que ja esta grande demais, tive que comprar mais selos no guichê do lado, com outro cara, porque onde eu estava a fila ja estava grande atrás de mim. Tive que explicar pra ele que eu tinha selos de 4,50 e que precisava completar com 0,75 cada postal, para dez postais eu disse. Ele me deu vários selos pequenos de 0,30 e 0,10 agorot porque não tinha selos de 0,75.

Resulta que os postais agora ficam com menos espaço ainda a ser "preenchido", pelo menos com mais selos, que no fim eu acho legal. Não mencionei que um dos postais iria para a Argentina, e vou mandar com 5,25 mesmo. O curioso nisso tudo, é que o pessoal do correio não sabe quanto é a tarifa de um postal, pois ficaram discutindo que era diferente do preço da carta, e mais um monte de coisas. Não comentei nada aqui uma outra "odisséia" que passamos eu e a Clara quando ela resolveu me mandar uma surpresa de aniversário pelo correio. Depois de muitos telefonemas atrás do pacote, várias idas ao correio e muitas discussões e de ter pedido para alguém que falasse hebraico interferir, um mês depois de chegado o pacote em Israel consegui receber ele em casa, mas não se antes uma pequena confusão com o carteiro, porque o interfone aqui do apartamento não funcionava direito. Amém.

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