domingo, 30 de dezembro de 2007

Uma Visita

Passo por aqui para uma visita, apenas. Incluí algumas fotos no meu albúm, vejam o link no lado direito do blog. Não são fotos de Tel-Aviv. São apenas algumas ilustrações de alguns lugares e costumes entre os quais círculo no Brasil. Há fotos de vários autores. Quem quiser comentar, se alguma evocar alguma lembrança, fique a vontade. Ainda não tenho uma câmera aqui em Tel-Aviv, por isso não posso ainda postar fotos daqui. Espero poder fazer isso em breve, não sei, vamos ver. Algumas pessoas achariam uma pena que eu me fosse embora daqui e não levasse nenhuma foto. Pra mim não é tão sério. Realmente não me importo com imagens, gosto delas, mas, sou mais chegado às palavras. Percebam que não mostro fotos de pessoas com quem me relaciono, amigos, familiares, nem minhas, nem da Clara. Não sei por que, mas não acho legal. Não é muito sério, talvez qualquer hora dessas. Mas pra quê? Vão vendo por aí como me relaciono com imagens. Gosto de fotos de coisas, não de pessoas. De pessoas, só as que não conheço. Vejam na mesma lista com o link para o albúm que inclui links para blogs de conhecidos e também de certas figuras. Não simpatizo necessariamente com elas, "as figuras", mas acho que podem ter algo legal a dizer. Me refiro aqui principalmente aos ilustres desconhecidos: Schwartzman, Gabeira, Unger. São figuras do nosso tempo, do meu tempo.

Muitas coisas têm acontecido por aqui. Várias vezes penso e elaboro mentalmente posts pra incluir aqui, mas refreio o impulso. É assim que sou, gosto de me impedir de fazer certas coisas que sinto vontade. Por aí vou aprendendo a ter auto-controle, o que considero importante. Mas esse negócio tá ficando pessoal demais, e o objetivo aqui é público e não privado, muito menos confessional, isso jamais. Por isso deixei de ser cristão. Quando me obrigaram, quando tinha 11 anos de idade, a me confessar, comecei a desconfiar do catolicismo cristão. Pra quem não sabe, eu estudei em colégio de freiras por um bom tempo da minha vida. Não foi de todo mal, aprendi a conhecer melhor os meandros da tal crença.

Pra quem está curioso, não passei o natal com os filipinos, não. Mas voltaram a me convidar e me senti na obrigação de fornecer toda uma explicação, justificando filosoficamente e sociologicamente por que não queria comemorar o natal. Acho que entenderam. Mais adiante anotarei aqui o que andei pensando sobre isso, sobre a comemoração do natal aí no Brasil, entre meu círculo familiar e de amigos, principalmente familiar. Não gosto do natal, das comemorações do natal aí. Consumismo e exagero de sobra e nenhuma reflexão sobre o que significa o nascimento. Nascimento de quem? Não importa.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Uma conclusão - Normatividade

Vou aproveitar a oportunidade para fazer uma espécie de conclusão desta primeira etapa (um mês e meio) de postagens neste blog. Conforme o último post, algo mudou na minha forma de percepção das coisas aqui em Tel-Aviv, e eu já vinha anunciando desde o começo que isto iria acontecer. Por isso penso que seja preciso uma parada para repensar a forma destas postagens. Foi importantíssimo a interação com todos vocês que foram meus leitores, e que na verdade eram aqueles aos quais este blog se dirigia. Era pra mim que escrevia, mas era por causas dos leitores que se manifestaram de alguma forma que eu escrevia para mim. Os leitores foram a quem me dirigi, meus amigos e familiares, amigos que não falava havia tempo. Mas agora é preciso repensar, e já estou neste processo. Acho que agora arriscaria fazer uma análise de determinados traços do cidadão israelense, de Tel-Aviv, principalmente, mas também daquele Israelense abstrato. Quanto à identidade judaica, não sei bem o que e nem como dizer. Repito que aconselho que se procure os livros, que se desligue a televisão na hora do noticiário sobre o oriente médio e que não se leia no jornal as noticias sobre este tema. Fazer o que? Nesta nossa era da informação, as vezes a melhor maneira de ter uma possibilidade de obter informação confiável é não se informando. Reflitam, é isso que sugiro. Eu poderia sair escrevendo várias coisas, dizer isso e aquilo. Sou adepto da conversa franca e aberta e intensa, mas não sou maníaco pela falação ou prolixidade descontrolada, quando desatam a falar muito por perto de mim, minha tendência é me calar.

***********

Esse pedaço acima escrevi há vários dias. Iria publicar como uma espécie de conclusão da primeira etapa, como disse. Não fiz. Faço agora e acrescento um dado curioso que me aconteceu hoje.


Atravessei a rua perto de casa, na faixa, com o sinal de pedestres vermelho. Esperei os carros passarem, é claro. Não andei cinqüenta metros quando uma garota, uniformizada se aproximou e pediu minha identificação. Ela me disse: "Você não pode atravessar a rua com o sinal vermelho, é a lei, você pode receber uma multa". Eu disse, "obrigado pela informação, eu não sabia". Continuei andando para a universidade e no caminho fechou-se o ciclo de uma reflexão iniciada quase um mês atrás. Lembram quando contei um episódio parecido com esse? Daquela vez a "guarda" não me disse que eu não podia atravessar o sinal vermelho! Ela sabia que eu era estrangeiro, por que ela não me falou? Até hoje, quase dois meses, ninguém jamais tocou no assunto comigo ou perto de mim. Hipocrisia! Pura hipocrisia. A hipocrisia é um mal universal, o lado bom da hipocrisia eu não consigo enxergar. Mais adiante, todos parados, amontoados no pequeno espaço no meio da avenida. Um rapaz atravessa o sinal vermelho, claro, ele fez uso de sua capacidade racional, não havia nenhum carro! O medo é irracional, sem dúvida, e a normatividade da lei conta com o medo para ter efeito. O problema é que ao se deixar de lado a razão, quando se está entre o medo e a norma, apela-se à hipocrisia, aí está. Esta é a gênese da hipocrisia, entre a norma e o medo, quem poderia suspeitar desta origem dicotomica do hipocrita?

E eu, onde fico, com minha tese política de desobediencia civil, contra a hipocrisia, e enquanto estrangeiro? Continuo atravessando o sinal vermelho, não consigo fazer diferente. Claro que o que penso em fazer é tomar conhecimento da lei, e analisá-la. Pois tenho muitas perguntas e a garota de guarda não estava interessada em "filosofisses". Por exemplo: se atravesso a rua em um local sem faixa de pedestres? estou infringindo a lei? Se as duas da manhã, ou embaixo de um temporal, devo esperar o sinal abrir? Mesmo com a rua vazia devo esperar? E quanto a ineficiencia dos sinaleiros, que nem sempre são bem programados e fazem com que um grupo de pessoas fique amontoado no meio de uma avenida?

Como ja disse, a lei é irracional, ou possui uma outra forma de razão, o que é mais provável. Para o cidadão comum a razão da lei é o medo, de ser multado ou punido de alguma forma. Não é a base do medo que penso em uma sociadade melhor, pois que me multem, pago, e se puder não pago.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Quase uma semana

Estou fazendo um esforço pra não perder de vista as intenções deste blog, isto é, manter o costume de registrar impressões cotidianas que experimento aqui em Tel-Aviv. Um dos problemas tem sido o fato de que o registro das impressões banais começam a perder o sentido a medida que se vai acostumando a elas. Já havia levantado esta questão em posts anteriores, mencionei o modo como as impressões vinham se transformando. Depois que estas impressões se tornam comuns e a pessoa já não se estranha mais tanto com elas, começa-se a produzir outro tipo de reflexão, outro modo de interpretação. Quero dizer que se começa a ir mais fundo nas banalidades, que estão na superfície, pois todas banalidades têm um fundo complexo que as fazem emergir. Vivemos a superfície e a profundidade dos fatos ao mesmo tempo, mas percebemos a superficie com mais rapidez, como quando algo nos atinge, ou então nos cortamos, o efeito da profundidade do corte é sempre posterior, não sentimos a profundidade do corte no exato momento do corte propriamente.


Sendo assim, já se passou quase uma semana desde a ultima postagem. Não que não tenha experimentado situações curiosas, engraçadas ou importantes, simplesmente agora esses acontecimentos são percebidos como parte de um todo, uma ampla rede de efeitos e causas e este fato torna as conclusões mais demoradas.

Não havia comentado, na minha ida a Haifa, que me disseram que a universidade de lá, que se localiza em dois edifícios gigantescos que se avista de quase todo canto da cidade, é obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemaier. Comentei que ele tinha completado 100 anos este ano e que contiuava realizando projetos arquitetônicos. Este comentário causa uma forte impressão em quem o escuta.