Alguém já tinha me avisado que hoje, terça feira, seria o dia da sirene. O que vai acontecer?, eu perguntei. E a pessoa me falou que iria tocar uma sirene que se pode ouvir no país todo e em alguns lugares algumas pessoas fazem exercícios de evacuação de emergência, no caso de qualquer eventualidade. E a gente deve fazer alguma coisa? Não, ela me disse, acredito que na universidade talvez façam alguma coisa, mas se for o caso, vc vai saber. Assim, eu já estava avisado. Já sabia que hoje iria tocar a tal sirene que se escuta em todo o país (Israel é um país que vc atravessa de leste a oeste em 3 horas e de norte a sul em 5) e estava até meio curioso pra ver o que iria acontecer.
Hoje pela manhã, depois que minha landlady saiu para o trabalho, eu estava pronto pra entrar no banho e o telefone começou a tocar insistentemente. Fui atender, dificilmente atendo o telefone. Era ela, a landlady, me dizendo que hoje iria tocar uma sirene e que eu não precisava me assustar, era apenas algo rotineiro. Como eu já estava sabendo, agradeci e desliguei. Fui pra universidade. Hoje no Departamento de Estudos Orientais haveria umas palestras sobre budismo e eu estava interessado em assistir.
Lá pelas 10 da manhã, quando estava saindo da minha sala para ir assistir as tais palestras, começou a tocar a sirene. Fui na janela dar uma olhada no movimento e nada parecia ter se alterado. As pessoas caminhavam normalmente, conversando. Reparei que não dava pra saber de onde vinha a tal sirene, mas que possivelmente vinha de muitos lados. No campus todo, no bairro todo, na cidade toda, no país todo se ouvia a tal sirene. Sai da sala e quando passei pela porta do Departamento de Língua Inglesa a secretaria me chamou e falou que tinha se esquecido de comentar comigo sobre o dia da sirene. Eu disse, que tudo bem, que estava sabendo, mas curioso perguntei se a gente deveria fazer alguma coisa. Não, ela disse, era só um exercício. Aí deixei a curiosidade estravazar e perguntei como é que a gente iria saber se o negócio era a sério mesmo. E ela me respondeu que se a sirene soasse por mais de um minuto e meio, era sério. Então, perguntei novamente, o que a gente deve fazer se soar a sirene "a sério"? Existe um alçapão no chão da cozinha, a gente deve correr pra lá e entrar no alçapão. Ah sim, eu falei pra ela, já vi esse alçapão lá na cozinha. Fui assistir as palestras.
Além desse alçapão no chão da cozinha, eu já tinha visto uma placa no subsolo da biblioteca central em que está escrito "shelter" (abrigo). A primeira pessoa que tinha me falado sobre a sirene, também comentou comigo que "eles" (a prefeitura imagino)ainda não tinham devolvido as máscaras de gás que haviam sido recolhidas no último "recall" (parece que não protegiam contra certo tipo de substância). Todo cidadão israelense possui uma máscara de gás, deduzi. Menos eu, que não sou cidadão. Imagino que em caso de necessidade deva haver algum lugar em que eu possa conseguir uma.
Mas o negócio é esse meus amigos. Máscara de gás, abrigos (anti-aéreos, anti-bomba atômica) essa é a vida aqui. Isso, entre outras coisas, faz das pessoas que vivem aqui uma sociedade. Em outra oportunidade eu comento o resto da conversa que tive com a primeira pessoa que me falou sobre a sirene. O assunto era "o que fazer com o caso dos árabes". Os árabes estão por todos os lados, literalmente. Eles habitam aqui, eles vivem aqui, estudam aqui, vc vê eles pelas ruas, nas universidades, etc. Então, não existe um "apartheid" como pode-se imaginar. Ou melhor, talvez exista, mas ele tem características mais sutis, pelo menos aqui, fora de Jerusalém, pois lá tem um muro bem evidente dividindo a cidade em duas. Mas o negócio é que o muro também não é assim um empedimento, ajuda eles dizem, pois eu passei de um lado a outro (quando estive na Palestina) e ninguém nos disse nada, e eu estava em um carro cheio de israelenses. Chegamos até mesmo a parar numa verdureira pra comprar algumas coisas, pedimos informação a umas pessoas que passavam, e tudo se passa normalmente sem nenhum indício de estranhamento.
Portanto, percebam que as coisas aqui são mais complicadas do que se pode imaginar, mais complexas eu deveria dizer. Muito mais do que se pode ver na televisão ou nos jornais. Aliás, vou repetir o que venho dizendo desde que cheguei aqui: não assita mais ao noticiário sobre o oriente médio, venha para a Terra Santa e confira você mesmo.
terça-feira, 8 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Odisséia Postal
Já tinha desistido de escrever sobre o quanto é difícil se mandar um cartão postal hoje em dia. Mas resolvi escrever por que muito mais do que "hoje em dia", aqui em Tel-Aviv é tão complicado para se conseguir botar um postal no correio que... como se não bastasse a dificuldade toda devido aos tempos atuais, o correio aqui em Israel... e não é apenas pela minha experiência que digo isso, já vi mais de um cidadão israelense reclamando do correio daqui.
Primeiro de tudo, achar um postal a venda. Onde? Em Ramat Aviv não existe um lugar sequer em que seja possivel encontrar um. E eu procurei: shoppings, papelarias, correios, livrarias, etc. Nada. O curioso é que Israel é um país com grande influxo de turistas, imaginei então que em algum lugar deveria haver os tais postais. A minha landlady aqui em casa ri de mim porque diz que hoje em dia ninguém mais manda postais. Fui persistente, mas agora eu entendo. Se vcs soubessem o que estive fazendo pra mandar uns meros postaizinhos... Hoje ainda tive mais um capítulo da novela.
Mas, voltando à parte em que eu ainda não tinha os postais... Finalmente consegui encontrá-los a venda no centro da cidade. Comprei os postais. Tudo bem, agora era só colocá-los no correio. Antes fosse simples assim. A começar pelo fato que eu tinha que escrever alguma coisa neles, afinal estava (estou) mandando para os amigos e conhecidos. Foi então que descobri que não sabia mais o que escrever em um postal. Experimentem vcs mesmos. Acho que de tão acostumado a escrever emails, vários por dia, alguns gêneros (cartão postal é um gênero, certo?) ficaram obsoletos ou esquecidos e, como não praticamos, esquecemos ou desaprendemos. Fiz um esforço e comecei a "preencher" eles.
Outra questão que surgiu foi a dos endereços. Eu tinha que conseguir os endereços das pessoas pra quem queria mandar os postais. Para conseguir isso tive que mandar emails, vários a várias pessoas, pedindo endereços. Tive que anotá-los e depois passar para os cartões. Não mencionei nada a respeito do fato da escolha dos cartões. Geralmente, todos sabem (ou sabiam, quando ainda se mandava postais) que as fotos de postais são sempre um tanto ultrapassadas, antigas e as vezes meio antiquadas, curiosas sempre. Aqui de Tel-Aviv até que consegui encontrar algumas bastante recentes. Algumas mostrando Yafo (Jaffa) junto com Tel-Aviv, interessantes.
Depois disso conseguido e arranjado, fui procurar selos no correio para botar nos postais. Quando comprei os postais, alguns vendedores me ofereceram selos (1 sheqel e 0,50 agorot), comprei alguns. Quando cheguei no correio descobri que a postagen para o Brasil era de 4 sheqels e 0,50 agorot. Tudo bem, comprei outros selos para completar aqueles que tinham apenas 1,50 e outros selos de 4,50. Aí a coisa começou a complicar novamente. Fora os selos, tive que botar uma etiqueta de "via aérea" ('par avion', ou 'doar avir' em hebraico) e o espaço no postal para dizer alguma coisa começou a ficar escasso.
Depois de colocar alguns selos por cima de certas partes que eu já havia escrito antes dos selos, resolvi que iria comprar e colar os selos antes, junto com a etiqueta de via aérea, e depois escrever. O bom disso é que sobraria menos espaço e eu não teria muita dificuldade em "preencher" os postais, afinal, por que deveria escrever muito?, apenas um "Um alô de Tel-Aviv", "Saudades", etc. E de repente me dei conta de que a brincadeira estava começando a ficar cara! Um postal, mais selos, e o trabalho todo, quanto custaria isso tudo? Muito mais caro que um email, sem dúvida, ou um postal eletrônico, desses que temos aos montes pela internet. Preferi não pensar nisso, afinal, mandar um postal virou uma coisa rara, e adquiriu até mesmo um certo charme, e espero que a alegria de quem os vai receber além de como já disse ter se tornado, depois de passado o pasmo com a dificuldade, uma brincadeira divertida e que me rendeu até mesmo este post aqui.
Antes de passar ao último capítulo, o de hoje, em que tive mais surpresas, preciso mencionar o fato dos correios aqui funcionarem em horarios variados e estranhos. Por exemplo: domingo das 8 as 2, segunda e terça das 3 as 6, quarta das 8 as 11:30 e das 3 as 5:30. Estou inventando um pouco, mas é para dar a sensação que tive às várias vezes que fui no correio e dei com a cara na porta. Bom, hoje o último capítulo.
Hoje é sexta, vai começar o shabat, então tudo funciona só até as 3 horas da tarde. O correio não sei, arrisquei, fui até lá. Estava aberto, dei sorte. Fui no guichê e para minha surpresa o cara me falou que não era 4,50 a tarifa, mas sim 5,25. E agora? Eu disse que a mulher do guichê do lado tinha me dito que era 4,50 e eu já tinha mandado vários postais com 4,50. Ele virou-se para o lado e perguntou à mulher quanto era. Começou uma discussão. Era, não era, etc. O cara se levantou foi perguntar não sei onde não sei pra quem. A essa altura eu sentia um misto de vontade de chorar com vontade de rir. Resolvi rir em português. Volta o cara. Era mesmo 5,25 a mulher tinha se enganado. E agora? perguntei. Os postais que mandei com 4,50 vão voltar? "Não, não, não" ("Lo, lo, lo" em hebraico) me disse a mulher, eles vão assim mesmo. Resultado, para encurtar a historia que ja esta grande demais, tive que comprar mais selos no guichê do lado, com outro cara, porque onde eu estava a fila ja estava grande atrás de mim. Tive que explicar pra ele que eu tinha selos de 4,50 e que precisava completar com 0,75 cada postal, para dez postais eu disse. Ele me deu vários selos pequenos de 0,30 e 0,10 agorot porque não tinha selos de 0,75.
Resulta que os postais agora ficam com menos espaço ainda a ser "preenchido", pelo menos com mais selos, que no fim eu acho legal. Não mencionei que um dos postais iria para a Argentina, e vou mandar com 5,25 mesmo. O curioso nisso tudo, é que o pessoal do correio não sabe quanto é a tarifa de um postal, pois ficaram discutindo que era diferente do preço da carta, e mais um monte de coisas. Não comentei nada aqui uma outra "odisséia" que passamos eu e a Clara quando ela resolveu me mandar uma surpresa de aniversário pelo correio. Depois de muitos telefonemas atrás do pacote, várias idas ao correio e muitas discussões e de ter pedido para alguém que falasse hebraico interferir, um mês depois de chegado o pacote em Israel consegui receber ele em casa, mas não se antes uma pequena confusão com o carteiro, porque o interfone aqui do apartamento não funcionava direito. Amém.
Primeiro de tudo, achar um postal a venda. Onde? Em Ramat Aviv não existe um lugar sequer em que seja possivel encontrar um. E eu procurei: shoppings, papelarias, correios, livrarias, etc. Nada. O curioso é que Israel é um país com grande influxo de turistas, imaginei então que em algum lugar deveria haver os tais postais. A minha landlady aqui em casa ri de mim porque diz que hoje em dia ninguém mais manda postais. Fui persistente, mas agora eu entendo. Se vcs soubessem o que estive fazendo pra mandar uns meros postaizinhos... Hoje ainda tive mais um capítulo da novela.
Mas, voltando à parte em que eu ainda não tinha os postais... Finalmente consegui encontrá-los a venda no centro da cidade. Comprei os postais. Tudo bem, agora era só colocá-los no correio. Antes fosse simples assim. A começar pelo fato que eu tinha que escrever alguma coisa neles, afinal estava (estou) mandando para os amigos e conhecidos. Foi então que descobri que não sabia mais o que escrever em um postal. Experimentem vcs mesmos. Acho que de tão acostumado a escrever emails, vários por dia, alguns gêneros (cartão postal é um gênero, certo?) ficaram obsoletos ou esquecidos e, como não praticamos, esquecemos ou desaprendemos. Fiz um esforço e comecei a "preencher" eles.
Outra questão que surgiu foi a dos endereços. Eu tinha que conseguir os endereços das pessoas pra quem queria mandar os postais. Para conseguir isso tive que mandar emails, vários a várias pessoas, pedindo endereços. Tive que anotá-los e depois passar para os cartões. Não mencionei nada a respeito do fato da escolha dos cartões. Geralmente, todos sabem (ou sabiam, quando ainda se mandava postais) que as fotos de postais são sempre um tanto ultrapassadas, antigas e as vezes meio antiquadas, curiosas sempre. Aqui de Tel-Aviv até que consegui encontrar algumas bastante recentes. Algumas mostrando Yafo (Jaffa) junto com Tel-Aviv, interessantes.
Depois disso conseguido e arranjado, fui procurar selos no correio para botar nos postais. Quando comprei os postais, alguns vendedores me ofereceram selos (1 sheqel e 0,50 agorot), comprei alguns. Quando cheguei no correio descobri que a postagen para o Brasil era de 4 sheqels e 0,50 agorot. Tudo bem, comprei outros selos para completar aqueles que tinham apenas 1,50 e outros selos de 4,50. Aí a coisa começou a complicar novamente. Fora os selos, tive que botar uma etiqueta de "via aérea" ('par avion', ou 'doar avir' em hebraico) e o espaço no postal para dizer alguma coisa começou a ficar escasso.
Depois de colocar alguns selos por cima de certas partes que eu já havia escrito antes dos selos, resolvi que iria comprar e colar os selos antes, junto com a etiqueta de via aérea, e depois escrever. O bom disso é que sobraria menos espaço e eu não teria muita dificuldade em "preencher" os postais, afinal, por que deveria escrever muito?, apenas um "Um alô de Tel-Aviv", "Saudades", etc. E de repente me dei conta de que a brincadeira estava começando a ficar cara! Um postal, mais selos, e o trabalho todo, quanto custaria isso tudo? Muito mais caro que um email, sem dúvida, ou um postal eletrônico, desses que temos aos montes pela internet. Preferi não pensar nisso, afinal, mandar um postal virou uma coisa rara, e adquiriu até mesmo um certo charme, e espero que a alegria de quem os vai receber além de como já disse ter se tornado, depois de passado o pasmo com a dificuldade, uma brincadeira divertida e que me rendeu até mesmo este post aqui.
Antes de passar ao último capítulo, o de hoje, em que tive mais surpresas, preciso mencionar o fato dos correios aqui funcionarem em horarios variados e estranhos. Por exemplo: domingo das 8 as 2, segunda e terça das 3 as 6, quarta das 8 as 11:30 e das 3 as 5:30. Estou inventando um pouco, mas é para dar a sensação que tive às várias vezes que fui no correio e dei com a cara na porta. Bom, hoje o último capítulo.
Hoje é sexta, vai começar o shabat, então tudo funciona só até as 3 horas da tarde. O correio não sei, arrisquei, fui até lá. Estava aberto, dei sorte. Fui no guichê e para minha surpresa o cara me falou que não era 4,50 a tarifa, mas sim 5,25. E agora? Eu disse que a mulher do guichê do lado tinha me dito que era 4,50 e eu já tinha mandado vários postais com 4,50. Ele virou-se para o lado e perguntou à mulher quanto era. Começou uma discussão. Era, não era, etc. O cara se levantou foi perguntar não sei onde não sei pra quem. A essa altura eu sentia um misto de vontade de chorar com vontade de rir. Resolvi rir em português. Volta o cara. Era mesmo 5,25 a mulher tinha se enganado. E agora? perguntei. Os postais que mandei com 4,50 vão voltar? "Não, não, não" ("Lo, lo, lo" em hebraico) me disse a mulher, eles vão assim mesmo. Resultado, para encurtar a historia que ja esta grande demais, tive que comprar mais selos no guichê do lado, com outro cara, porque onde eu estava a fila ja estava grande atrás de mim. Tive que explicar pra ele que eu tinha selos de 4,50 e que precisava completar com 0,75 cada postal, para dez postais eu disse. Ele me deu vários selos pequenos de 0,30 e 0,10 agorot porque não tinha selos de 0,75.
Resulta que os postais agora ficam com menos espaço ainda a ser "preenchido", pelo menos com mais selos, que no fim eu acho legal. Não mencionei que um dos postais iria para a Argentina, e vou mandar com 5,25 mesmo. O curioso nisso tudo, é que o pessoal do correio não sabe quanto é a tarifa de um postal, pois ficaram discutindo que era diferente do preço da carta, e mais um monte de coisas. Não comentei nada aqui uma outra "odisséia" que passamos eu e a Clara quando ela resolveu me mandar uma surpresa de aniversário pelo correio. Depois de muitos telefonemas atrás do pacote, várias idas ao correio e muitas discussões e de ter pedido para alguém que falasse hebraico interferir, um mês depois de chegado o pacote em Israel consegui receber ele em casa, mas não se antes uma pequena confusão com o carteiro, porque o interfone aqui do apartamento não funcionava direito. Amém.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Bom..., 5 meses
Para quem ainda continua lendo o que escrevo aqui, hoje faz cinco meses que cheguei em Tel-Aviv. Parece que faz muito mais tempo, parece uma eternidade. E eu já queria estar em casa, no Brasil, há muito tempo. Talvez se a Clara estivesse aqui, tudo fosse diferente, seria certamente, mas me refiro ao meu sentimento em relação às coisas daqui. Estou cansado. Não tenho tido problemas, mas cansa, várias coisas cansam.
Quem está lendo este post já percebeu que mudei o estatus do blog, passei ele pra privado e só pode ler quem eu convido. O motivo é que algumas pessoas que não conheço me escreviam perguntando ou até pedindo coisas, algumas parecendo muito íntimas demais.
Aqui, a primavera esfriou depois de ter feito um calor insuportável. Estou começando a achar que vou embora daqui e não vou viajar para conhecer nenhum outro lugar em Israel, além dos que já estive muito rapidamente: Haifa e Jerusalem. Para dizer que já fui nestes dois lugares precisaria voltar lá. Mas não sei, além de não ter vontade, não tenho estímulo. Tem sido difícil fazer amizades por aqui. Tenho atribuído esta dificuldade a dois fatores que dizem respeito a mim mesmo: faixa etária e modo de vida. Mas todos aqui dizem que é muito dificil fazer amigos por aqui e posso dizer que pela minha experiência não é fácil mesmo.
Meu dia a dia se resume a ir para a universidade e voltar pra casa. Posso passar dias sem falar com ninguém, além dos costumeiros "bom dias" e comentários que faço com pessoas com quem não desenvolvo nenhum tipo de intimidade. Só saio de Ramat Aviv quando quero mesmo, pois é dificil ter alguma coisa pra fazer no centro da cidade, que não é centro. Tirando aqueles conhecidos que estão sempre com pressa, que resolveram adotar esse modo de vida massacrante de produzir a sensação de estar sempre correndo atrás de alguma coisa ou então de estar fugindo de algo, restam aqueles com quem não compartilho nenhuma afinidade. Já vi e ouvi outras estórias de estrangeiros aqui que sofrem muito com este modo de ser das pessoas daqui. Já disse mais abaixo, em algum lugar, que elas forçam a aparência de relaxamento e disse também que acho compreensível. Paciência, espero que os próximos cinco meses passem logo.
Quem está lendo este post já percebeu que mudei o estatus do blog, passei ele pra privado e só pode ler quem eu convido. O motivo é que algumas pessoas que não conheço me escreviam perguntando ou até pedindo coisas, algumas parecendo muito íntimas demais.
Aqui, a primavera esfriou depois de ter feito um calor insuportável. Estou começando a achar que vou embora daqui e não vou viajar para conhecer nenhum outro lugar em Israel, além dos que já estive muito rapidamente: Haifa e Jerusalem. Para dizer que já fui nestes dois lugares precisaria voltar lá. Mas não sei, além de não ter vontade, não tenho estímulo. Tem sido difícil fazer amizades por aqui. Tenho atribuído esta dificuldade a dois fatores que dizem respeito a mim mesmo: faixa etária e modo de vida. Mas todos aqui dizem que é muito dificil fazer amigos por aqui e posso dizer que pela minha experiência não é fácil mesmo.
Meu dia a dia se resume a ir para a universidade e voltar pra casa. Posso passar dias sem falar com ninguém, além dos costumeiros "bom dias" e comentários que faço com pessoas com quem não desenvolvo nenhum tipo de intimidade. Só saio de Ramat Aviv quando quero mesmo, pois é dificil ter alguma coisa pra fazer no centro da cidade, que não é centro. Tirando aqueles conhecidos que estão sempre com pressa, que resolveram adotar esse modo de vida massacrante de produzir a sensação de estar sempre correndo atrás de alguma coisa ou então de estar fugindo de algo, restam aqueles com quem não compartilho nenhuma afinidade. Já vi e ouvi outras estórias de estrangeiros aqui que sofrem muito com este modo de ser das pessoas daqui. Já disse mais abaixo, em algum lugar, que elas forçam a aparência de relaxamento e disse também que acho compreensível. Paciência, espero que os próximos cinco meses passem logo.
terça-feira, 25 de março de 2008
sábado, 22 de março de 2008
Algumas esculturas no campus da TAU
Algumas imagens do Mediterrâneo
domingo, 16 de março de 2008
Walden Two (O segundo Walden)
Resolvi comentar este livro "Walden Two" aqui, por alguns motivos. Trata-se de uma espécie de ficção científica contemporânea. Contemporêneo não por que tenha sido escrito recentemente, pois não foi, é dos anos 40, e "ficção científica", não no sentido que retrate um tema futurista (e é por isso também que é contemporâneo) ou tecnológico, não. É uma ficção, isso é sim. E pra quem só sabia do Skinner como psicólogo behaviorista (comportamentalista) e, ainda por cima, através da propaganda lingüística gerativista segundo a qual o behaviorismo era uma praga, ou a própria maldade encarnada em teoria psicológica, finalmente aniquilada pelo "São Chomsky"... me desculpem, tanto aqueles de vcs que sabem e os que não sabem do que estou falando. Os que não sabem, deixem pra lá, não vale a pena (já vou falar do livro, já, já); aos que sabem, digo apenas que não tenho outro modo de disfarçar minha ignorância, além de tentar explicitá-la assim de maneira críptica.
Mas o Skinner, além de psicólogo, também foi ficcionista e esta ficção que ele construiu neste livro vem bem a calhar, vcs já vão ver. Primeiro, vou deixar de lado o comentário sobre o fato do livro se chamar "Walden dois" por uma referência ao "Walden" original, do Henry Thoureau, que não sei ou não lembro se já li, mas sei do que se trata (aquelas coisas de quem faz letras). Mas este segundo Walden é de fato uma utopia, isto é, poderia ser enquadrado neste gênero (utopia é um gênero?). Há vários outros deste tipo, que não vou mencionar, porque não li, e os que li não lembro agora. Mas não é uma ficção científica, como já disse, do tipo do "Admirável Mundo Novo" (Huxley), ou do "1984" (Orwell). Mas tem semelhanças. De certa forma estes dois também são utopias, mas bastante tecnológicas, apesar de que o primeiro não tanto.
Mas este "Walden dois" é uma imaginação da cabeça do Skinner, de uma sociedade em que os princípios da "engenharia comportamental" são aplicados com o fim de promover o melhor bem estar possível a uma comunidade. Em uma comunidade de mil pessoas, estes princípios são implementados com este objetivo. Não há uma classe governante, a administração do grupo cabe a todos e o objetivo é a independência (do "mundo lá fora") em todos os sentidos. Vivem numa fazenda e produzem os próprios alimentos, educam os próprios filhos, e proporcionam uma vida praticamente idêntica a que se encontra fora da pequena sociedade. Mas com a diferença de que todos os indivíduos são treinados, desde crianças, conforme os princípios (explícitos) da tal engenharia comportamental, procurando eliminar os defeitos da vida em que as regras de aprendizagem estão implícitas nas formas sociais, conforme a gente experimenta normalmente.
O enredo é bem bacana, com a exceção de um personagem, o idelizador da comunidade, que na tentativa de justifcar seu experimento aos visitantes que foram passar uns dias na fazenda (dois professores universitários e alguns alunos), fala pelos cotovelos explicando como tudo é feito, tin-tin por tin-tin. Isso deixa a narrativa um pouco cansativa, pelo menos pra mim e, por isso, estou lendo rápido pra ver onde esta estória vai dar. Confesso que dá aquela sensação de que algo vai mal sobre a vida na comunidade, pela narração do personagem. Mas já dei uma espiada lá pro fim do livro e parece que o Skinner era também um idealista. Parece que no fim, um dos professores vai ficar vivendo por lá. Mas não sei, estou achando, pois ainda não li.
Em fim, o Skinner me parece um escritor bem mais interessante do que o Chomsky e me parece que também um melhor psicólogo. O que quero dizer com isso precisaria ser justificado, pra que não fosse mal entendido. Mas não vou fazer isso agora. Vou apenas dizer que entre behaviorismo e racionalismo existe uma controvérsia, quero dizer com isso, algo indecidível, pelo menos por enquanto.
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